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9 insights essenciais para o desenvolvimento de cosméticos sob a demanda moderna

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Tempo de Leitura 4 min

DATA

9 de mar. de 2026

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Notícias

Ferramentas de simulação científica e inteligência artificial começam a alterar de forma estrutural o processo de desenvolvimento de cosméticos. O uso de modelagem preditiva e gêmeos digitais, por exemplo, permite que empresas testem formulações virtualmente antes de produzir amostras físicas, reduzindo custos de pesquisa e desenvolvimento, acelerando lançamentos e ampliando a diversidade de produtos, especialmente na categoria de maquiagem para pele. 

Veja, abaixo, nove insights destacados Nick Reynolds, diretor de consultoria de processos industriais da BIOVIA, como essenciais para fabricantes, fornecedores e marcas do setor de beleza:

Modelagem preditiva: redução de custos no desenvolvimento de produtos

Tradicionalmente, o desenvolvimento de produtos como bases e corretivos envolve extensas rodadas de experimentação em laboratório. Esse processo exige tempo, grandes volumes de matéria-prima e diversas etapas de validação.

A modelagem preditiva permite simular milhares ou até milhões de formulações antes de produzir protótipos físicos. A partir dessas simulações, as empresas conseguem prever interações entre ingredientes, propriedades químicas e desempenho do produto. Apenas as formulações mais promissoras seguem para testes laboratoriais, reduzindo custos de pesquisa e acelerando o ciclo de desenvolvimento.

 

Inclusividade de tons passa a ser um desafio técnico solucionável

A ampliação da diversidade de tons em produtos de maquiagem tem sido uma demanda crescente do mercado, mas desenvolver gamas amplas de cores ainda representa um desafio técnico e financeiro para muitas marcas.

Com modelos digitais de pele baseados em dados reais, é possível simular diferentes características biológicas e fisiológicas, incluindo níveis de melanina, subtom, textura, envelhecimento da pele e níveis de oleosidade. Isso permite prever como pigmentos e formulações se comportarão em diferentes perfis de consumidores. 

Essa abordagem pode levar a um nível de precisão capaz de transformar a inclusão de tons em um processo científico estruturado, em vez de depender apenas de testes empíricos.


Uso de “gêmeos digitais” na formulação de cosméticos

Outro conceito central é o uso de gêmeos digitais, ou virtual twins, que funcionam como réplicas virtuais de sistemas físicos. Esses modelos podem representar desde tipos de pele até formulações químicas e processos industriais.

A tecnologia permite testar virtualmente interações entre ingredientes, prever propriedades como solubilidade e estabilidade e avaliar o comportamento de novos compostos antes da produção física. Isso altera o fluxo tradicional de inovação: em vez de começar no laboratório, o processo passa a iniciar em simulações computacionais que orientam as etapas seguintes de testes. 


Infraestrutura de dados torna-se ativo estratégico

A eficácia dos modelos preditivos depende diretamente da qualidade e da quantidade de dados disponíveis. Informações como propriedades de ingredientes, parâmetros ambientais, perfis de pele e resultados de experimentos anteriores alimentam as simulações e tornam as previsões mais precisas.

Reynolds avalia que muitas empresas ainda enfrentam dificuldades nesse ponto, já que dados históricos de pesquisa nem sempre são organizados ou reaproveitados. A criação de plataformas digitais colaborativas para armazenar e compartilhar informações de P&D pode transformar esses dados em um ativo estratégico para o desenvolvimento de novos produtos. 


Aceleração do time-to-market na indústria de beleza

Ao reduzir o número de testes físicos e permitir a triagem virtual de ingredientes e formulações, a modelagem preditiva também impacta diretamente o tempo de lançamento de novos produtos.

As empresas conseguem identificar rapidamente as formulações mais promissoras, antecipar problemas de estabilidade ou toxicidade e tomar decisões de desenvolvimento com maior rapidez. O resultado é um ciclo de inovação mais curto e maior agilidade para responder a tendências de mercado. 


Simulações ajudam a escalar formulações para produção industrial

Outro desafio clássico da indústria cosmética é a transição de uma formulação criada em laboratório para produção em escala industrial. Variáveis como força de mistura, dinâmica de fluidos e transferência de calor podem alterar o comportamento de uma fórmula quando ela passa de pequenos volumes para grandes lotes.

Com o uso de gêmeos digitais de fábricas e equipamentos industriais, empresas podem simular essas condições antes da produção real. Isso ajuda a prever falhas de formulação, evitar emulsões instáveis e reduzir perdas associadas a lotes defeituosos. 


Apoio à conformidade regulatória e rastreabilidade

Plataformas de simulação integradas também podem apoiar processos de compliance regulatório. Ao reunir dados de formulação, ingredientes e testes em um ambiente digital, as empresas conseguem verificar requisitos regulatórios desde as fases iniciais do desenvolvimento do produto.

Esses sistemas também podem gerar documentação técnica e garantir rastreabilidade completa das matérias-primas utilizadas, facilitando auditorias e processos de aprovação em diferentes mercados. 


Avanço de alternativas aos testes em animais

Outra aplicação relevante das simulações é a avaliação de propriedades toxicológicas e potenciais reações alérgicas. Modelos computacionais podem prever esses riscos antes da produção física do produto, reduzindo a necessidade de testes tradicionais em animais.Essa abordagem pode apoiar marcas que buscam atender às demandas por cosméticos cruelty-free e práticas mais sustentáveis de desenvolvimento. 


Caminho para cosméticos personalizados no varejo

No médio prazo, especialistas apontam que a combinação entre inteligência artificial, escaneamento de pele e sistemas de formulação automatizada pode abrir caminho para cosméticos personalizados produzidos sob demanda.

Nesse cenário, consumidores poderiam ter a pele analisada em pontos de venda, enquanto sistemas de IA simulam a formulação ideal e produzem o produto no local. A integração entre diagnóstico digital e produção física criaria um novo modelo de personalização em escala no setor de beleza.

Leia também: Mercado de cosméticos mini cresce 13% nos EUA com avanço da Geração Z e do travel retail

*Com informações de CosmeticsDesign USA



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Ian Cândido

Repórter

AUTOR

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