Com cerca de 30% da população global e um poder de compra em rápida expansão — com projeções que superam US$ 12 trilhões nos próximos anos —, a geração Z consolida-se como uma das forças mais determinantes para a transformação das dinâmicas de consumo e do posicionamento das marcas. Suas escolhas, valores e formas de se relacionar com produtos e serviços influenciam desde o desenvolvimento de portfólios até as estratégias de comunicação e engajamento.
Estes comportamentos foram mapeados no relatório Trendz Prediction 2026, que identifica cinco tendências centrais que ajudam a compreender como a cultura jovem está se reorganizando e como esse processo impacta, de forma direta, a construção de relevância no mercado.
O primeiro movimento, denominado Comfort Nostalgia, aponta a nostalgia como resposta à hiperaceleração cultural e ao excesso de estímulos digitais. Para a geração Z, a retomada de estéticas, narrativas e referências dos anos 1990 e 2000 funciona como um mecanismo emocional de estabilidade e pertencimento.
No consumo, essa busca por familiaridade se manifesta em produtos, conteúdos e experiências que ativam memória afetiva e oferecem sensação de conforto, fortalecendo vínculos imediatos e recorrentes com as marcas.
A ambivalência entre FOMO (fear of missing out) e JOMO (joy of missing out) aparece como outro eixo estruturante. Se as redes sociais intensificam a lógica da comparação e da participação constante, cresce, ao mesmo tempo, a valorização do tempo offline, do descanso e do controle sobre a própria atenção.
Esse equilíbrio entre conexão e desconexão redefine hábitos de consumo e favorece marcas capazes de propor interações menos invasivas, com menor ruído e maior valor percebido.

O report também destaca o avanço das chamadas microconquistas. Em um cenário marcado por pressão permanente e metas muitas vezes inalcançáveis, a geração Z passa a ressignificar o conceito de sucesso, valorizando pequenas vitórias cotidianas como forma de sustentar a motivação, reduzir a ansiedade e construir narrativas mais realistas de progresso. Essa lógica influencia o desenvolvimento de produtos, serviços e conteúdos que priorizam constância, rituais simples e evolução gradual.
A fragmentação cultural se expressa no movimento de Cultura de Nicho. Longe de formar um bloco homogêneo, a geração Z circula por microtribos, fandoms e comunidades de interesse, compondo identidades múltiplas e contextuais. Nesse ambiente, o consumo deixa de ser apenas uma escolha de marca para se tornar um marcador cultural.

Abordagens genéricas perdem eficácia, enquanto estratégias capazes de dialogar com códigos específicos, linguagens próprias e repertórios simbólicos de cada nicho tendem a ganhar profundidade e relevância.
Por fim, o conceito de Offline Luxury traduz a valorização de tempo, presença e atenção como ativos escassos. O offline passa a ser percebido como uma forma contemporânea de luxo, não em oposição ao digital, mas como seu complemento. Experiências presenciais, encontros significativos e momentos de pausa adquirem maior valor simbólico, influenciando comportamentos, estéticas e narrativas de marca voltadas à geração Z.
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