
Após abordar a influência das recomendações automatizadas com a campanha “Algoritmo”, a Heineken apresenta o estudo “Reset da Mesmice”, que investiga como sistemas de curadoria digital vêm moldando comportamentos e quais sinais indicam um possível desgaste na relação entre pessoas e algoritmos.
Hoje, 42,9% dos brasileiros afirmam não conseguir distinguir o que é gosto próprio do que foi sugerido por sistemas automatizados, enquanto 48,9% dizem desejar reduzir essa dependência no futuro. O levantamento também mostra que 25,7% identificam o cansaço mental como principal efeito negativo desse modelo, ao passo que 38,7% manifestam interesse em recuperar preferências mais singulares.
Ao mesmo tempo em que seguem como porta de entrada para o consumo, os algoritmos passam a ser percebidos como limitadores da experiência. Cerca de 60,9% das pessoas descobrem novas músicas por meio dessas recomendações, mas 46,5% consideram que vivências presenciais, como shows, oferecem algo que a mediação tecnológica não reproduz.
Esse deslocamento se reflete na valorização do inesperado: 35,4% afirmam que a melhor noite especial foi marcada por elementos não planejados, enquanto 28,4% apontam a surpresa como principal recompensa fora da lógica algorítmica. O impacto também se estende às relações interpessoais. 27,6% dos entrevistados relatam menor tolerância a conversas que não dialogam com seus interesses imediatos, e 30% dizem sentir ansiedade diante do imprevisível nas interações.

A leitura do estudo sugere, no entanto, uma revalorização do contato físico. Para 46,9%, as conexões mais profundas acontecem no ambiente presencial, enquanto 46,1% afirmam que as melhores experiências ocorrem quando há desconexão das telas. A preferência por interações ao vivo aparece em 73,9% das respostas, e 33,1% dizem escolher bares e festas a partir de indicações de amigos, e não de redes sociais.
O levantamento também indica um movimento de reação ao modelo dominante. Além dos 48,9% que pretendem reduzir a dependência de recomendações automatizadas, 23,4% apontam a perda do fator surpresa como um dos principais custos desse sistema. Atividades fora do ambiente digital, como a prática de corrida, são vistas por 63,8% como formas de recuperar autonomia e controle sobre a própria rotina.
Ascensão da corrida como espaço de conexão
Em um contexto de crescente mediação tecnológica nas rotinas, avança entre os brasileiros a valorização de experiências associadas à autonomia individual. A corrida se destaca como um dos principais espaços de presença e conexão direta, dissociado de interferências digitais.
Entre os praticantes regulares de corrida, 63,8% afirmam que a atividade representa seu único momento de autonomia plena, no qual os resultados dependem exclusivamente do próprio desempenho. Além da dimensão individual, o levantamento indica o fortalecimento da corrida como ambiente de socialização.
Para 62,5% dos entrevistados, a prática se consolidou como principal forma de estabelecer novas conexões sem a mediação de algoritmos, reforçando seu caráter espontâneo. Ainda assim, sinais de incorporação da lógica digital já aparecem: 26,4% dizem perceber a atividade sendo monitorada e orientada por aplicativos, embora apenas 9,8% a definam como uma tarefa voltada à otimização de performance.
Os efeitos da desconexão também são destacados. Após períodos afastados de telas, 44,8% relatam maior clareza mental e presença, enquanto 40% indicam aumento de energia para outras atividades. A leitura do estudo aponta para uma busca crescente por experiências menos mediadas, em que o controle sobre o tempo e o ritmo retorna ao indivíduo.
Entre controle e liberdade, o estudo sugere uma redefinição do conceito de bem-estar, com maior ênfase em experiências não mediadas, nas quais ritmo, descoberta e interação não são condicionados por sistemas automatizados.
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