
A confeitaria artesanal brasileira passa por um processo acelerado de profissionalização. Pressionadas pelo aumento dos custos, pela concorrência crescente e pela necessidade de manter a rentabilidade, as empreendedoras do setor têm buscado cada vez mais capacitação, atualização constante e presença estratégica nos ambientes digitais para sustentar seus negócios.
É o que mostra uma pesquisa realizada pela Agência Visia com mais de 100 confeiteiras de diferentes regiões do país. O levantamento aponta que a busca por conhecimento deixou de ser uma atividade complementar e passou a fazer parte da rotina dessas profissionais, que recorrem às plataformas digitais não apenas para divulgar produtos, mas também para administrar e desenvolver seus negócios.
As redes sociais como o Instagram, WhatsApp, YouTube, TikTok e Pinterest assumiram funções que vão além do Marketing. Elas são utilizadas para acompanhar tendências de consumo, aprender técnicas, pesquisar fornecedores, observar concorrentes, buscar referências visuais e identificar novas oportunidades de venda.

Pedro Salmen, diretor executivo da Visia, afirma que a mudança reflete a evolução do próprio mercado. O que antes era frequentemente visto como uma fonte complementar de renda tornou-se uma atividade que exige conhecimentos de gestão, precificação, Marketing digital, relacionamento com clientes e planejamento financeiro. Para muitas profissionais, o desafio já não está apenas na produção dos doces, mas na sustentabilidade do negócio.
Diante das transformações do mercado, a profissionalização aparece como uma das principais estratégias adotadas pelas confeiteiras para manter a competitividade. Investimentos em gestão, fortalecimento da presença digital e diversificação do portfólio estão entre as iniciativas mais citadas pelas entrevistadas para garantir a viabilidade financeira das operações.
Ao mesmo tempo, o estudo expõe um cenário de pressão crescente nos bastidores do setor. O aumento dos custos de produção, a dificuldade de repassar reajustes aos consumidores e a necessidade constante de inovação têm reduzido as margens de lucro e ampliado a carga de trabalho das empreendedoras. Entre os depoimentos coletados, termos como "cansaço", "sobrecarga", "insegurança" e "sobrevivência" aparecem de forma recorrente, indicando que o crescimento da atividade nem sempre resulta em melhores condições para quem conduz o negócio.
Leia também: Patties cede identidade da marca por um dia em ativação com propósito
COMPARTILHAR ESSE POST






