
Abrindo o segundo semestre e nos aproximando da construção do orçamento de 2027, uma das perguntas mais recorrentes na gestão dos CMOs volta à mesa: quantas pessoas precisamos para entregar a estratégia do próximo ciclo?
A aplicação de Inteligência Artificial nos processos de gestão começa a mudar essa lógica. Durante muito tempo, estruturamos nossas operações a partir da equação volume de trabalho, horas disponíveis e headcount necessário. Mais campanhas exigiam mais pessoas. Mais canais, mais analistas. Mais dados, mais horas para consolidar informações e produzir análises.
A IA adiciona uma nova variável: a capacidade computacional aplicada ao trabalho.
A pergunta para 2027 não é quantos profissionais precisamos ter, mas qual capacidade precisamos gerar e qual a melhor combinação entre talento humano, dados, IA e automação para entregar a estratégia.
É aqui que a discussão sobre headcount começa a encontrar a discussão sobre tokens. Hoje, um profissional pode combinar modelos generativos como ChatGPT e Claude, dados em cloud, automações, agentes de IA e plataformas low-code e no-code para ampliar significativamente sua capacidade de análise e execução.
Para os CMOs, isso representa migrar de uma lógica de gestão de headcount para uma lógica de gestão de capacidade. No planejamento anual de Marketing, normalmente projetamos o crescimento das entregas e dimensionamos a estrutura necessária.
Mais campanhas? Mais pessoas. Mais canais? Mais especialistas. Mais conteúdo? Mais estrutura interna ou nas agências.
Essa relação começa a deixar de ser linear.

Parte relevante do trabalho operacional já pode ser acelerada, automatizada ou eliminada. Mas o ponto mais interessante não é simplesmente fazer a mesma tarefa mais rápido. É redesenhar a forma como o trabalho acontece.
Um profissional de CRM pode automatizar análises e jornadas. Um analista de mídia pode criar agentes para consolidar campanhas, identificar desvios e gerar alertas. Times de conteúdo podem transformar uma ideia em dezenas de formatos. Profissionais de negócio podem construir aplicações e fluxos que antes dependeriam integralmente de tecnologia.
Cada profissional passa, em alguma medida, a ser também gestor da capacidade tecnológica aplicada ao próprio trabalho.
E isso muda a discussão sobre produtividade. Em vez de medir apenas quantidade de entregas ou tamanho das equipes, podemos acompanhar quantas horas retiramos de tarefas operacionais, quantos processos automatizamos, quanto tempo devolvemos às equipes e, principalmente, onde essa capacidade foi reinvestida.
Imagine uma estrutura com 100 profissionais. Se IA e automação devolverem, em média, uma hora por dia para cada pessoa, estamos falando de aproximadamente 2 mil horas de capacidade por mês. A questão não deveria ser como retirar essas horas da estrutura, mas onde reinvesti-las.
Mais estratégia? Criatividade? Experimentação? Testes A/B? Análise de dados? Proximidade com o consumidor? Mais velocidade para testar novas ideias?

Existe uma diferença enorme entre cobrar mais produtividade das pessoas e retirar trabalho desnecessário do caminho delas. Quando uma automação elimina uma tarefa de três horas que se repetia toda semana, o ganho deixa de ser pontual e passa a integrar permanentemente a capacidade da operação.
Essa transformação também muda o perfil dos profissionais. Não acredito que todos precisarão saber programar, mas todos precisarão entender cada vez mais como usar tecnologia para resolver problemas de negócio.
Conhecimento de marca, consumidor, mídia, dados e negócio continuará fundamental. A diferença é que essas competências passam a ser combinadas com IA, automação e novas ferramentas.
Para o CMO é necessário entender não apenas quem faz o trabalho, mas como o trabalho acontece. Os próximos budgets de Marketing precisam ser discutidos em três dimensões: pessoas, mídia e capacidade computacional, incluindo tokens e a infraestrutura necessária para sustentar essa nova forma de operar.
Por isso, a pergunta não deveria ser quantos FTEs um token consegue substituir. O relevante é: quanta capacidade adicional cada profissional consegue gerar quando combina conhecimento, dados, IA e automação?
Os CMOs continuarão a gerir pessoas, mas terão, cada vez mais, de gerir também a capacidade tecnológica que amplia o potencial de cada profissional e de toda a operação.
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