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PJ ganha espaço no Marketing e já responde por 60% das vagas em Comunicação

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PJ ganha espaço no Marketing e já responde por 60% das vagas em Comunicação

O modelo de contratação passou a fazer diferença na atração de profissionais de Marketing e comunicação. Entre 2021 e 2025, a participação de vagas no formato PJ passou de 49% para 60% na plataforma trampos, tornando-se majoritária no setor. No mesmo período, as oportunidades para profissionais PJ atraíram, em média, 64% mais candidatos do que as vagas CLT.

Os dados fazem parte do estudo “O Retrato da Pejotização no Mercado de Comunicação”, elaborado pela trampos a partir de 36.597 vagas publicadas entre 2021 e 2025. A pesquisa também analisou um recorte de 8.876 oportunidades dos últimos 24 meses para avaliar a atratividade, remuneração bruta anunciada e formato de trabalho.

O avanço do PJ, porém, não acontece da mesma forma em todas as áreas. No Marketing, as vagas nesse modelo atraíram 12% mais candidatos do que oportunidades equivalentes em CLT. O resultado está bem abaixo da média geral de 64% e mostra que o regime de contratação, embora relevante, não tem o mesmo peso para todos os profissionais.

Remuneração, flexibilidade e características da posição podem influenciar a decisão de candidatura tanto quanto o modelo de contratação. A diferença também indica que oferecer uma vaga como PJ não garante, por si só, maior capacidade de atração.


Mídia é exceção e mantém vantagem para a CLT

A diferença fica ainda mais evidente quando Marketing é comparado a outras áreas. Em Design, as vagas PJ atraem 13% mais candidatos, praticamente o mesmo resultado registrado em Marketing. Já em Mídia, o dado se inverte: oportunidades com carteira assinada atraem 14% mais candidatos do que as vagas PJ.

Mídia é a única área analisada pela trampos em que a CLT apresenta vantagem na atração. O resultado chama atenção por se tratar de uma função central nas operações de Marketing e comunicação e mostra que não existe uma fórmula única para definir o modelo de contratação.

Segundo a trampos, as funções recorrentes do setor, como redator, designer, planner e mídia, são justamente as que menos acompanham a média geral. Aplicar a ideia de que “PJ atrai mais” a todas as posições, portanto, pode produzir o efeito contrário ao esperado. A diferença também relativiza a percepção de que o avanço do PJ significa uma perda generalizada de atratividade da CLT. Para determinados profissionais e funções, a carteira assinada continua sendo um diferencial na disputa por talentos.


Tecnologia e áreas de apoio têm maior resposta ao PJ

Fora do núcleo de Marketing e criação, a diferença entre os modelos aumenta. Em Tecnologia, vagas PJ atraem 66% mais candidatos do que oportunidades CLT. A área também apresenta uma das maiores diferenças de remuneração: os valores brutos anunciados para vagas PJ são, em média, 73% maiores do que os de posições CLT equivalentes.

Administrativo e Financeiro apresentam o maior diferencial de atratividade do levantamento: 68% mais candidatos para vagas PJ. Os números ajudam a explicar por que a média geral do setor chega a 64%. O resultado reúne áreas com comportamentos bastante diferentes, desde funções em que o PJ tem forte vantagem até Mídia, única frente em que a CLT atrai mais candidatos.

Para Tiago Yonamine, CEO da trampos, o modelo de contratação passou a ser uma decisão específica de cada vaga. “O modelo de contratação virou a primeira variável de atração do anúncio. Ele define quantos candidatos a vaga vai receber, de qual senioridade e em quanto tempo”, afirma.


Quanto mais sênior, maior a presença do PJ

A senioridade é outro fator que muda significativamente a relação entre os modelos. Entre profissionais sêniores, 73% das contratações anunciadas são PJ. O percentual cai para 65% nas posições plenas e chega a 40% entre as vagas júnior.

A diferença entre os extremos é de 33 pontos percentuais. O maior salto ocorre entre as posições júnior e plena, quando a participação do PJ aumenta 25 pontos. Isso ganha importância principalmente na contratação de profissionais especializados e posições de liderança. Quanto maior a senioridade, maior a presença do PJ entre as oportunidades anunciadas.

“A carteira assinada continua sendo a porta de entrada das carreiras do setor. A partir do pleno, o mercado troca de modelo. Para agências e times enxutos, essa é a estatística mais crítica do estudo, porque as contratações mais importantes dessas operações costumam ser justamente as sêniores”, diz Yonamine.


Flexibilidade também pesa na escolha

A maior atratividade das vagas PJ também está associada ao formato de trabalho. Apenas 38% das oportunidades PJ são presenciais, contra 69% das vagas CLT. Na prática, 62% das vagas PJ oferecem algum formato flexível, o dobro do observado entre as posições com carteira assinada.

O dado ajuda a explicar parte da preferência pelo modelo em um mercado no qual o trabalho remoto e híbrido já faz parte da rotina de diversas equipes de Marketing e comunicação. A remuneração é outro fator relevante. Em Tecnologia, por exemplo, a diferença média de 73% entre os valores brutos anunciados reforça a vantagem do PJ para a atração de candidatos.

Isso significa que parte da preferência pelo modelo pode estar relacionada ao conjunto de condições oferecidas, e não apenas ao regime de contratação. Uma vaga PJ com remuneração pouco competitiva e sem flexibilidade pode não apresentar o mesmo poder de atração observado na média do mercado.

PJ avança, mas não substitui a CLT

A evolução do modelo foi contínua ao longo da série analisada pela trampos. A participação de vagas PJ passou de 49% em 2021 para 55% em 2023 e 60% em 2025, sem reversão da tendência. O dado indica uma mudança estrutural em parte do mercado de trabalho de Comunicação, especialmente nos segmentos digitais e mais flexíveis. Isso não significa, porém, que a CLT tenha perdido relevância no mercado brasileiro como um todo.

Segundo dados do IBGE citados no estudo, 73,4% dos empregados do setor privado brasileiro estavam em regime CLT no fim de 2024. Para Yonamine, a mudança criou diferentes dinâmicas de atração no mercado de trabalho. “Existem hoje dois mercados de trabalho convivendo no Brasil, com regras de atração diferentes. O erro de quem contrata raramente está em preferir CLT ou PJ. Está em escolher o modelo sem saber em qual dos dois mercados aquela vaga vai competir”, concluiu.

Leia também: Demanda por Creative Strategists cresce entre startups e e-commerces globais

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Priscilla Oliveira

Editora

Jornalista especializada em Marketing e comunicação corporativa. Traduz temas complexos em conteúdos acessíveis e relevantes para profissionais da área.​

AUTOR

Priscilla Oliveira

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