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Mudança cultural de sell in para o sell out

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Tempo de Leitura 7 min

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Mudança cultural de sell in para o sell out

Um movimento interessante vem acontecendo nas empresas nos últimos anos. Estou falando da importância de se realizar uma mudança cultural para desenvolver uma gestão de sell-in (produto que é vendido para varejos/intermediários) cada dia mais focada, interligada e direcionada ao sell-out (produto que é vendido pelo varejo para o consumidor final/shopper), pois o foco dos produtos deve ser o giro na ponta, e não apenas estratégias de fazer com que o varejo compre e se estoque. De nada adianta “empurrar” produtos para o cliente. É preciso estrategicamente fazer o cliente vender seus produtos.

Precisamos garantir argumentações de venda vinculadas a ações de sell out. A lógica de descontos e bonificações deve ser alterada por ações que motivem as equipes do varejo (incentivos, premiações, etc.) e que consigam atingir diretamente o shopper (merchandising, promoções e ativação do ponto de venda).

O varejo precisa vender. Caso contrário, o vendedor não poderá realizar outro pedido.

Seria simples se a indústria e o varejo pudessem colocar promotores ou assistentes de vendas em todas as lojas. Já que ninguém terá dinheiro suficiente para fazer isso, quando uma loja não tem promotor – ou melhor, mesmo que tenha -, é fundamental garantir equipes comprometidas com a ativação do PDV, sejam vendedores diretos ou indiretos.


Como vamos conseguir tal proeza? Executando um modelo baseado no desenvolvimento contínuo destes profissionais, garantindo o conhecimento necessário sobre a inteligência de ativação do PDV.

O uso de ferramentas que os ajudem a realizar esse trabalho de forma rápida e mensurável é essencial. Com reconhecimento e motivação, os profissionais poderão se apropriar dessa realidade e estarão capacitados para realizar argumentações de venda com foco no sell-out.

É importante que as equipes comerciais saibam identificar as oportunidades de ativação para ajudarem o varejo a se profissionalizar, desenvolvendo uma gestão mais estratégica e de maior rentabilidade. Neste momento, após essa crise, isso será o fôlego de sobrevivência que muitos dos varejos que estiveram fechados e perderão vendas com a queda do poder de compra, que poderá perdurar ainda por um bom tempo. Assim, eles estarão mais satisfeitos, mais abertos e parceiros. Teremos o cliente ao nosso lado, facilitando as negociações futuras.


Quanto mais difícil for o mercado e mais competitiva for a situação concorrencial, mais teremos de pensar como podemos ter uma atuação comercial diferenciada na ponta.

O que agregamos aos clientes? O que melhoramos no negócio do cliente? Qual a rentabilidade propiciamos? O giro de nossos produtos é satisfatório? As equipes do varejo sabem vender nossos produtos, marcas e categorias? Como melhorar o ticket médio dele? Como ensiná-lo que a venda do mix direcionado traz maior lucro, que o shopper tem um racional de compra que precisa ser refletido na gôndola? E mais: que a gestão por categoria aumenta a venda da categoria e dos subsegmentos!

Assim, desenvolvemos uma verdadeira parceria com os clientes. O mais interessante para nossas marcas é que, na maioria das vezes, esse trabalho atinge diretamente o shopper, fazendo com que ele fique muito mais satisfeito com sua compra. Ele será surpreendido no PDV com uma informação diferenciada e, consequentemente, estabelecerá um relacionamento de fidelidade com o varejo. Um mix adequado, uma comunicação relevante e um atendimento diferenciado é o que chamamos de uma boa experiência de compra!

O crescimento exponencial da venda pela internet fortalece essa necessidade e nos apresenta um novo desafio: desenvolver ações e parcerias direcionadas ao meio de venda online do varejo. O que vemos hoje é o WhatsApp sendo uma ferramenta fundamental de vendas, e o surgimento de outros modelos de atuação comercial pelo meio online. Neste momento, se fortalece esse canal, e surgem várias empresas “autônomas” de venda direta e de entrega direta, e de toda uma cadeia de atravessadores quando nos colocamos no ponto de vista da função do PDV no protagonismo da venda.


Infelizmente, as empresas que não se prepararem para a implementação dessas mudanças fundamentais no modelo de atuação comercial, envolvendo-os na execução do sell-out, cria sérias dificuldades na evolução das marcas e nos resultados das vendas.

Tanto a indústria quanto o varejo precisarão estar juntos no desenvolvimento das estratégias de vendas voltadas ao sell out, no PDV e online. Como sabemos, as vendas online geram muito menos impulsão dos que as vendas presenciais, e por isso precisam de promoções casadas e outras ações que façam o shopper ir além da compra planejada. Caso o show não aconteça no online e, mais do que nunca, no PDV, seja ele apresentado pelas marcas ou pelo varejista, o shopper não comprará. Se ir até a loja não traz ao shopper nenhuma experiencia agradável ou resposta diferenciada, eu vou comprar pela internet que é mais fácil, cômodo e rápido. A realidade atual gerou uma migração para as plataformas digitais, e precisamos ser ainda mais sedutores para trazer o shopper de volta às lojas e encantá-los.

Esta mudança de mindset nas empresas não é um processo fácil, porém é essencial. Estamos falando de transformação cultural, ou seja, é preciso que toda a empresa mude o modo de pensar. Todas as áreas e funcionários devem se sentir responsáveis pela realização da venda na ponta. O tempo da venda baseada em bonificação e desconto, com acúmulo de estoque, após essa crise terá definitivamente terminado. A indústria precisará focar em ajudar o varejo a comprar o que ele vende. Então a indústria, mais do que nunca, precisa ajudar o varejo a vender, e é o desenvolvimento das áreas de Trade Marketing e de uma Gestão de Sell in direcionada a fazer Sellout que fará toda a diferença para o varejo e nos resultados.


Sei que, do ponto de vista de alguns empresários, quem tem que pensar em vender é o varejista, ficando a cargo das empresas apenas vender bem para o varejo. No entanto, quem defende este tipo de estratégia perderá seu mercado de forma muito rápida.

Os que entenderem a importância dessa parceria com o varejo estarão ganhando espaço e o  protagonismo no fortalecimento das parcerias. A consequência será o crescimento e a melhora da rentabilidade da indústria e do varejo, porque estarão conseguindo estabelecer um outro nível de relacionamento com os clientes varejistas. Volto a afirmar, isso será a essência da venda do seu canal direto e o diferencial de crescimento de seu canal indireto. Logicamente que o modelo aplicado a um terá que ser simplificado e adaptado à realidade do outro. Mas é possível e fundamental um trabalho de gestão direcionada à sell out nos dois segmentos.

A experiência tem demonstrado a importância de uma gestão voltada para tomada de decisão baseada na responsabilização da cadeia comercial como realizadora de sell-out. Logicamente que criando um modelo que envolva toda cadeia de vendas, da diretoria aos vendedores, venda direta e distribuidores, desenvolvendo-os para que proponham soluções para seus desafios comerciais.


Para esse modelo, destaco alguns pontos:

  • Processos claros para todos os envolvidos;

  • Fluxo estruturado em função da necessidade estratégica ou transacional de cada cargo;

  • KPIs estruturados mas simples, sempre que possível flexíveis para serem estrategicamente adaptáveis às necessidades pontuais ou regionais;

  • Remuneração baseada em sell-in e sell-out, mesmo quando não é possível ter os dados de sell-out do varejo, é possível criar mecânicas que remunerem através de sell out (auditoria, número de clientes ativados com material, número de varejos impactados com incentivo etc);

  • Modelos de avaliação qualitativa e quantitativa com acompanhamento de coach para formar continuamente estas equipes.

Mudança cultural não se faz do dia para a noite. É preciso de um a três anos. Cada empresa será modelada e desenvolvida de uma forma, pois precisa levar em conta uma série de fatores: a cultura, o segmento de atuação, o modelo de gestão, os canais, a estrutura de ida ao mercado (go-to-market), tamanho das equipes de sell-in e sell-out, volume e rentabilidade das linhas de produtos, o custo de servir, share e força da marca, especificações da categoria, tipo de shopper e influenciadores etc.

O comum a todos é que sempre será preciso desenhar os processos, mapear e reconhecer as competências, desenhar o modelo adequado à realidade da empresa, articular ferramentas, capacitar, motivar, reconhecer e responsabilizar, mensurar e ajustar continuamente, envolvendo a cadeia comercial como um todo.

Vamos focar na gestão de sell-in com visão sell-out? Uma coisa posso garantir: mais do que nunca, a gestão voltada para sell out será a salvação para a retomada das suas vendas nessa nova era de mudanças no comportamento de compra e de inovação da rede varejista. 

Nos dias 03 e 24/10 ministrarei um curso livre na UNIFACHA: “Gestão Comercial, Trade e Shopper Marketing”, com o objetivo de capacitar profissionais a integrar Gestão Comercial, Trade Marketing e Shopper Marketing em uma visão estratégica orientada a sell out, execução e geração de valor para o cliente e para o shopper. Aguardo vocês!

Curso Livre: Gestão Comercial, Trade e Shopper Marketing

Datas: 03/10 e 24/10 (8h30 às 17h30, com 1h de intervalo em cada dia)

Local: UNIFACHA (Rio de Janeiro/RJ)

Carga horária: 16h

Conheça o programa completo e faça sua inscrição: https://www.facha.edu.br/curso-extensao/gcts/gestao-comercial-trade-e-shopper-marketing

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Simone Terra

CEO da STerra Soluções Estratégicas

Simone Terra presta consultoria, mentoria, capacitações e palestras para a Indústria, Varejo e Prestadores de Serviço. Sua especialização é ajudar a mudar a cultura empresarial, direcionando estratégias, políticas, processos, modelos e gestão voltados ao Sell Out. Em sua trajetória, ajudou grandes grupos a construir cases que dobraram o share de suas marcas e/ou aumentaram em mais de 50% suas vendas. Atuou em diversos segmentos (Alimentar, Farma, Beleza, Pet, Matcon, Shopping, Agro, Telefonia, etc.). Ajuda a estruturar e desenvolver áreas de Trade Marketing e Comercial, direcionando-as ao Sell Out e, no varejo, ajudou a construir estratégias de diferenciação, Shopper Marketing, Comunicação no PDV, imagem de preço e pricing, planejamento promocional, percurso da compra, layout, mix de produtos, clusterização e segmentação, marcas próprias, etc. Foi executiva do Instituto Georges Chetochine (França), onde fez sua especialização em Varejo e Comportamento de Compra. É formada em Ciências Sociais pela UFF, pós-graduada em Pesquisa de Mercado e Marketing Estratégico na França (ADETEM) e mestre em Economia Criativa pela ESPM. É sócia-diretora da STerra Soluções Estratégicas e professora de pós-graduação em diversas universidades. Atendeu varejistas como Casino, Galeries Lafayette, Castorama, Mr Bricolage, Grupo Pão de Açúcar, Grupo Sendas, Bompreço, Ponto Frio, Amoedo, Casa Show, Grupo Eldorado, Grupo Dadalto, Telhanorte, Multicoisas, entre outros; e indústrias como Boehringer Ingelheim, Brasilprev, Cielo, Coca-Cola, Grupo Petrópolis, L'Oréal, Merck, Premier Pet, Santa Helena, Seara, Suvinil, Tigre, TIM e Unimed, dentre outras.

AUTOR

Simone Terra

CEO da STerra Soluções Estratégicas

Simone Terra presta consultoria, mentoria, capacitações e palestras para a Indústria, Varejo e Prestadores de Serviço. Sua especialização é ajudar a mudar a cultura empresarial, direcionando estratégias, políticas, processos, modelos e gestão voltados ao Sell Out. Em sua trajetória, ajudou grandes grupos a construir cases que dobraram o share de suas marcas e/ou aumentaram em mais de 50% suas vendas. Atuou em diversos segmentos (Alimentar, Farma, Beleza, Pet, Matcon, Shopping, Agro, Telefonia, etc.). Ajuda a estruturar e desenvolver áreas de Trade Marketing e Comercial, direcionando-as ao Sell Out e, no varejo, ajudou a construir estratégias de diferenciação, Shopper Marketing, Comunicação no PDV, imagem de preço e pricing, planejamento promocional, percurso da compra, layout, mix de produtos, clusterização e segmentação, marcas próprias, etc. Foi executiva do Instituto Georges Chetochine (França), onde fez sua especialização em Varejo e Comportamento de Compra. É formada em Ciências Sociais pela UFF, pós-graduada em Pesquisa de Mercado e Marketing Estratégico na França (ADETEM) e mestre em Economia Criativa pela ESPM. É sócia-diretora da STerra Soluções Estratégicas e professora de pós-graduação em diversas universidades. Atendeu varejistas como Casino, Galeries Lafayette, Castorama, Mr Bricolage, Grupo Pão de Açúcar, Grupo Sendas, Bompreço, Ponto Frio, Amoedo, Casa Show, Grupo Eldorado, Grupo Dadalto, Telhanorte, Multicoisas, entre outros; e indústrias como Boehringer Ingelheim, Brasilprev, Cielo, Coca-Cola, Grupo Petrópolis, L'Oréal, Merck, Premier Pet, Santa Helena, Seara, Suvinil, Tigre, TIM e Unimed, dentre outras.

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Simone Terra presta consultoria, mentoria, capacitações e palestras para a Indústria, Varejo e Prestadores de Serviço. Sua especialização é ajudar a mudar a cultura empresarial, direcionando estratégias, políticas, processos, modelos e gestão voltados ao Sell Out. Em sua trajetória, ajudou grandes grupos a construir cases que dobraram o share de suas marcas e/ou aumentaram em mais de 50% suas vendas. Atuou em diversos segmentos (Alimentar, Farma, Beleza, Pet, Matcon, Shopping, Agro, Telefonia, etc.). Ajuda a estruturar e desenvolver áreas de Trade Marketing e Comercial, direcionando-as ao Sell Out e, no varejo, ajudou a construir estratégias de diferenciação, Shopper Marketing, Comunicação no PDV, imagem de preço e pricing, planejamento promocional, percurso da compra, layout, mix de produtos, clusterização e segmentação, marcas próprias, etc. Foi executiva do Instituto Georges Chetochine (França), onde fez sua especialização em Varejo e Comportamento de Compra. É formada em Ciências Sociais pela UFF, pós-graduada em Pesquisa de Mercado e Marketing Estratégico na França (ADETEM) e mestre em Economia Criativa pela ESPM. É sócia-diretora da STerra Soluções Estratégicas e professora de pós-graduação em diversas universidades. Atendeu varejistas como Casino, Galeries Lafayette, Castorama, Mr Bricolage, Grupo Pão de Açúcar, Grupo Sendas, Bompreço, Ponto Frio, Amoedo, Casa Show, Grupo Eldorado, Grupo Dadalto, Telhanorte, Multicoisas, entre outros; e indústrias como Boehringer Ingelheim, Brasilprev, Cielo, Coca-Cola, Grupo Petrópolis, L'Oréal, Merck, Premier Pet, Santa Helena, Seara, Suvinil, Tigre, TIM e Unimed, dentre outras.

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