Até poucos dias atrás, quando a gente falava em inteligência artificial, os nomes que dominavam a conversa eram OpenAI, Google e Meta. A IA já era acessível para todos. Qualquer empresa podia usar soluções prontas oferecidas pelas big techs. O que seguia fora do alcance da maioria era criar um modelo próprio. Isso exigia infraestrutura pesada e investimentos bilionários. Mas esse cenário começou a mudar.
O modelo R1 da DeepSeek chegou com uma proposta ousada: oferecer alta performance, com custo viável e código aberto. A economia na criação do modelo quebrou uma barreira importante. Agora, desenvolver uma inteligência artificial de ponta deixou de ser um privilégio das gigantes.
O que torna o R1 um modelo tão interessante?
Diferente de outros modelos, o R1 foi projetado para eficiência. Segundo a Martech, seu treinamento custou cerca de 95% menos que o do primeiro modelo da OpenAI. Essa redução foi possível graças a uma arquitetura mais enxuta, que dispensa os chips da NVIDIA, que podem custar até US$ 70 mil por unidade. Já era possível treinar uma inteligência artificial sem ter bilhões no bolso, e o R1 torna esse processo ainda mais acessível.

Outro diferencial relevante é que o R1 é open source. Isso permite que qualquer time técnico estude, adapte e colabore com o aprimoramento do modelo. Um movimento bem diferente do que vemos em sistemas fechados, como os da OpenAI. Esse novo caminho já começa a impactar o mercado. Segundo O Globo, a queda de 17% no valor de mercado da NVIDIA reflete o surgimento de alternativas como a DeepSeek.
O que muda para o Marketing?
O que mais me chama atenção como publicitário é que o R1 vai muito além da economia. Ele executa tarefas complexas com agilidade, desde sugerir ideias criativas para campanhas até gerar código para aplicativos ou desenvolver roteiros para jogos e conteúdos interativos.
Um ponto importante é que o R1 explica o raciocínio por trás das respostas. Isso me permite entender a lógica de cada sugestão e, com base nisso, tomar decisões mais estratégicas. Essa clareza dá mais controle ao profissional de marketing, algo raro quando se lida com modelos “caixa-preta”.

Outra vantagem concreta é a personalização. O R1 analisa o comportamento do consumidor, como ele interage com campanhas, produtos e posts, e entrega insights prontos para ação. Com esses dados, dá pra ajustar a mensagem com mais precisão, no tempo certo e com foco em quem realmente importa.
E se uma campanha começa a perder tração, o modelo pode sugerir novos públicos, reformular o conteúdo ou mudar a abordagem, sem que você precise desmontar tudo manualmente. É mais agilidade, mais inteligência e mais eficiência no dia a dia.
IA acessível também para as agências
Esse movimento já começa a repercutir fora do universo tech. Agências tradicionais como a Goodby Silverstein & Partners, de São Francisco, estão reavaliando seus processos e já consideram, com apoio técnico, treinar modelos próprios com base no R1. O que está atraindo é a liberdade criativa, os custos menores e a possibilidade real de inovação sob medida.
Pelo que tenho acompanhado, o R1 chegou com força e deve permanecer. Mais do que uma novidade, ele representa uma mudança de mentalidade. Democratizar o uso da inteligência artificial é um passo enorme e extremamente positivo para o mercado. Especialmente para nós, que vivemos de ideias, performance e resultados.
Ferramentas como o R1 mostram que dá, sim, para criar campanhas mais inteligentes, personalizadas, e o melhor: sem explodir o orçamento.
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