
Tem uma frase que já abriu o Rock in Rio Academy 2026 com tudo e é muito citada em diversos artigos aqui no Mundo do Marketing: inovação não é só trazer algo novo. É estar sempre disponível.
Parece simples mas não é. Disponibilidade é uma decisão de estrutura, não de humor. E foi mais ou menos por aí que Agatha Arêas, fundadora da Provoke e idealizadora do Rock in Rio Academy, conduziu a abertura da décima edição do programa, sob o tema “Colaboração com Maestria". Ela começou por um incômodo que todo CMO já viveu e finge que não, que é colaborar melhor quando está em crise.
Quando o problema aparece, o time inteiro passa a olhar para a mesma direção. Some a disputa por escopo, some a reunião para decidir quem decide, some o e-mail com dezesseis pessoas em cópia. Todo mundo entra no caminho adverso junto. É bonito de ver e é péssimo de admitir, porque significa que fora da crise a colaboração simplesmente não acontece.
O detalhe é que o dia a dia oferece dezenas de oportunidades de colaborar. Nós é que não enxergamos, porque nada está pegando fogo.

O que o público não vê
Agatha usou a própria Cidade do Rock como argumento: o espetáculo que o público vê é consequência direta de uma arquitetura que ele não vê e deu o exemplo que ninguém no auditório esqueceu. Em 2017, a Lady Gaga avisou 48 horas antes que não viria. Quarenta e oito horas com público na expectativa, palco montado, patrocinador contratado e cronograma fechado.
Não existe plano de contingência que resolva isso sozinho. O que resolve é uma estrutura de colaboração que já estava de pé antes do telefone tocar. Se ela precisasse ser construída naquele momento, o festival teria virado outra história.
A arquitetura da colaboração
Foi aqui que a fala de Agatha saiu do inspiracional e virou método. A colaboração, segundo Agatha, se sustenta em três pilares: clareza para alinhar, confiança para construir e contribuição para multiplicar.
E cada um deles tem uma armadilha própria.
A falta de clareza é a mais traiçoeira, porque passa despercebida. No ritmo normal da operação ninguém sente falta dela, pois todo mundo acha que sabe o que precisa fazer. Aí vem a crise e fica escancarado que três pessoas achavam que a decisão era delas e nenhuma tinha certeza. Clareza não é organograma bonito, é cada um saber, em cada cenário, o que se espera dele.

A confiança ela tratou pela ótica relacional, e citou Stephen Covey, de que a confiança se fortalece com depósitos. Pequenos, constantes, entediantes.
Combinado cumprido, prazo respeitado, informação passada antes de ser cobrada. Não existe saque numa conta em que nunca se depositou, e é exatamente isso que a maioria dos líderes tenta fazer quando o cenário aperta.
E a contribuição é o que separa estar presente de estar entregando. Contribuir é entrar com aquilo que só você pode dar. Estar na sala não conta.
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