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Cuidar também é performance

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Cuidar também é performance

Passei boa parte da minha vida profissional perseguindo resultado. Meta, crescimento, margem, marca, participação de mercado, prazo, entrega.

E adoro isso. Adoro construir, ver uma ideia ganhar corpo, ver um time mobilizado em torno de algo grande. Adoro a sensação de olhar para trás e pensar: conseguimos. Ao longo dos anos, porém, fui entendendo uma coisa que hoje é muito clara para mim: a forma como a gente chega ao resultado importa tanto quanto o resultado que entrega.

Por muito tempo, pareceu que era preciso escolher. Ou você era um líder exigente, orientado a resultado, rápido, determinado. Ou era um líder próximo, humano, preocupado com as pessoas.

Essa divisão nunca fez muito sentido para mim.

Depois de mais de duas décadas liderando times, vivendo muita pressão, acertando bastante e errando também, percebi que algumas das melhores entregas que vivi aconteceram quando conseguimos combinar coisas que muitas vezes são colocadas em lados opostos.

Ambição com confiança. Cobrança com respeito. Velocidade com escuta. Resultado com gente. E isso não significa tornar a liderança mais fácil ou confortável. Liderar exige decisões difíceis. Exige cobrar, dar feedbacks que nem sempre são fáceis de ouvir, mudar estruturas, fazer escolhas, dizer não. Eu fiz tudo isso muitas vezes e faria novamente.

O ponto, para mim, está na forma. É possível exigir muito sem diminuir alguém. É possível criar urgência sem fazer do medo uma ferramenta de gestão. É possível ter uma conversa dura sem perder o respeito pelo outro no caminho.

Porque quem ocupa uma cadeira de liderança tem um impacto enorme na vida das pessoas. Muitas vezes maior do que percebe.


Uma frase atravessada fica. O tratamento em uma reunião fica. Uma ausência recorrente ensina um time a parar de pedir ajuda. Um ambiente em que errar custa caro demais faz gente muito boa começar a se proteger, falar menos, arriscar menos.

E o contrário também é verdadeiro. Uma conversa devolve confiança. Uma pergunta abre espaço para uma ideia que ainda não tinha encontrado coragem para aparecer. Um líder que assume que errou dá permissão para que outras pessoas não precisem gastar tanta energia tentando parecer infalíveis. Nossa, e é tão bom poder não usar 100% do tempo a capa da Mulher-Maravilha…

É por isso que, para mim, cuidar das pessoas faz parte da responsabilidade de entregar resultado.

Especialmente agora. Estamos vivendo um momento de enorme pressão por velocidade, eficiência, tecnologia, inteligência artificial e crescimento. Mais coisas para fazer, decisões cada vez mais rápidas e, muitas vezes, menos recursos disponíveis.

É justamente nesses momentos que a forma como lideramos fica ainda mais importante.

Pessoas exaustas criam menos. Pessoas com medo questionam menos. Pessoas que não se sentem vistas podem continuar aparecendo em todas as reuniões, cumprindo todas as agendas, entregando todas as planilhas e, ainda assim, já terem se desconectado há muito tempo.

Esse custo demora para aparecer.


Ele aparece na ideia que ninguém trouxe. Na conversa que ninguém teve coragem de ter. Na decisão que poderia ter sido melhor. Na pessoa boa que foi embora. No time que continua executando, mas deixou de acreditar.

Ao meu ver, é cada vez mais importante nos perguntarmos:

que tipo de performance conseguimos sustentar quando as pessoas precisam se proteger do próprio ambiente em que trabalham?

Não escrevo isso de um lugar de quem acertou sempre. Bem longe disso. Já priorizei uma entrega quando poderia ter ouvido mais. Já tive pressa. Já errei o tom. Já percebi tarde algo que estava acontecendo bem na minha frente. E sigo aprendendo.

Mas hoje tenho convicção de que cuidar não é um traço de personalidade de alguns líderes. É parte da responsabilidade de quem escolhe liderar.

Responsabilidade pelo ambiente que criamos. Pela maneira como cobramos. Pelo espaço que damos para alguém discordar da gente. Pela consciência de que uma decisão que parece apenas organizacional na nossa agenda chega de um jeito muito concreto na vida de outras pessoas.

Liderança deixa marcas. Algumas aparecem nos números. Outras ficam nas pessoas.

Quando olho para a minha trajetória, tenho muito orgulho das marcas, dos projetos e dos resultados que ajudei a construir. Mas existe um orgulho diferente quando encontro alguém que trabalhou comigo anos atrás e ouço que aquela experiência deixou confiança, repertório, coragem ou vontade de liderar melhor outras pessoas.

Isso também é resultado.

E talvez seja justamente aí que a gente precise ampliar a forma como mede performance.

Os números importam. Resultado importa. Crescimento, ambição e a coragem de fazer coisas grandes também. Mas existe uma parte do resultado que dificilmente cabe em uma planilha: o que fica nas pessoas depois de uma liderança, de um projeto, de um ciclo, de uma empresa. Ficou mais confiança ou mais medo? Mais coragem para contribuir ou mais receio de errar? Mais vontade de construir junto ou apenas o alívio de ter sobrevivido à entrega?

Cada vez mais, acredito que uma das medidas mais bonitas de performance é conseguir entregar muito sem consumir tudo ao redor para chegar lá. Porque liderança deixa marcas. Algumas aparecem nos números. Outras ficam nas pessoas.

E vale nos perguntarmos, enquanto seguimos perseguindo metas, crescimento e grandes entregas: que marcas queremos deixar nas pessoas enquanto construímos tudo aquilo que queremos entregar?

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Mariana Rhormens

Mariana Rhormens

CMO as a service

Mariana Rhormens é executiva de marketing com mais de 20 anos de experiência liderando marcas icônicas como Havaianas, Brastemp e Consul. Reconhecida entre as 50 Top Executivas de Marketing e Vendas no Brasil em 2025 e 2026. Ex-Diretora de Marketing da Havaianas no Brasil e no Global, liderou por sete anos a estratégia da marca no país, sendo protagonista do movimento que a levou da 7ª para a 2ª posição entre as marcas mais amadas do Brasil. Ao longo da carreira, construiu uma forte reputação por transformar estratégia em resultado concreto, liderar equipes de alta performance e atuar em negócios multibilionários, conectando marca, execução e impacto real no negócio. Hoje, atua como CMO as a service e leva essa experiência para o palco em palestras que provocam líderes a repensarem crescimento, consistência e o papel da coragem na tomada de decisão.

AUTOR

Mariana Rhormens

Mariana Rhormens

CMO as a service

Mariana Rhormens é executiva de marketing com mais de 20 anos de experiência liderando marcas icônicas como Havaianas, Brastemp e Consul. Reconhecida entre as 50 Top Executivas de Marketing e Vendas no Brasil em 2025 e 2026. Ex-Diretora de Marketing da Havaianas no Brasil e no Global, liderou por sete anos a estratégia da marca no país, sendo protagonista do movimento que a levou da 7ª para a 2ª posição entre as marcas mais amadas do Brasil. Ao longo da carreira, construiu uma forte reputação por transformar estratégia em resultado concreto, liderar equipes de alta performance e atuar em negócios multibilionários, conectando marca, execução e impacto real no negócio. Hoje, atua como CMO as a service e leva essa experiência para o palco em palestras que provocam líderes a repensarem crescimento, consistência e o papel da coragem na tomada de decisão.

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Mariana Rhormens

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Mariana Rhormens é executiva de marketing com mais de 20 anos de experiência liderando marcas icônicas como Havaianas, Brastemp e Consul. Reconhecida entre as 50 Top Executivas de Marketing e Vendas no Brasil em 2025 e 2026. Ex-Diretora de Marketing da Havaianas no Brasil e no Global, liderou por sete anos a estratégia da marca no país, sendo protagonista do movimento que a levou da 7ª para a 2ª posição entre as marcas mais amadas do Brasil. Ao longo da carreira, construiu uma forte reputação por transformar estratégia em resultado concreto, liderar equipes de alta performance e atuar em negócios multibilionários, conectando marca, execução e impacto real no negócio. Hoje, atua como CMO as a service e leva essa experiência para o palco em palestras que provocam líderes a repensarem crescimento, consistência e o papel da coragem na tomada de decisão.

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