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Brasil responde por 42% do faturamento farmacêutico da América Latina

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Brasil responde por 42% do faturamento farmacêutico da América Latina

O mercado farmacêutico brasileiro movimentou R$ 246,1 bilhões em 2025 e passou a concentrar 42% de todo o faturamento da indústria na América Latina, consolidando o país como o principal mercado regional do setor. O desempenho foi acompanhado por um crescimento de 11% em relação a 2024, enquanto as despesas com saúde representaram 10% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, segundo dados do estudo "O Pulso do Mercado: Construção de Marca e Geração de Valor na Indústria da Saúde e Bem-Estar", produzido pela TROIANO.

O levantamento mostra que a indústria farmacêutica atravessa um período de transformação impulsionado pela expansão dos medicamentos à base de agonistas de GLP-1, pelo avanço da Inteligência Artificial, pela busca por experiências de saúde mais personalizadas e pelo fortalecimento das relações diretas entre laboratórios e consumidores.

Entre os destaques do mercado global, o estudo aponta que o medicamento Mounjaro alcançou US$ 23 bilhões em vendas em 2025, crescimento de 99% sobre o ano anterior. Já o Ozempic registrou vendas equivalentes a US$ 18 bilhões, enquanto o potencial do mercado de agonistas de GLP-1 no Brasil é estimado em R$ 50 bilhões até 2030.


A pesquisa também destaca o aumento dos investimentos em comunicação. Em 2024, a indústria farmacêutica ultrapassou o segmento de higiene pessoal e beleza e assumiu a quarta posição entre os setores que mais investem em compra de mídia no Brasil. A EMS, por exemplo, destinou R$ 1,4 bilhão à publicidade no período, tornando-se o maior anunciante do país.

Cinco tendências que estão redesenhando a indústria farmacêutica

No campo das transformações estruturais, o estudo identifica cinco vetores que estão redesenhando o setor: simplificação da experiência de tratamento, aplicação da Inteligência Artificial na saúde, aproximação entre produtos farmacêuticos e bens de consumo, crescimento dos medicamentos genéricos e expansão dos modelos de relacionamento direto entre indústrias e pacientes.

Segundo o levantamento, a busca por soluções mais simples e convenientes tornou-se uma prioridade da indústria, especialmente em tratamentos de uso contínuo. Ao mesmo tempo, a Inteligência Artificial avança em áreas como diagnósticos médicos, medicina personalizada, análise de dados, gestão hospitalar e otimização de procedimentos. Confira as tendências:

Simplificação se torna prioridade para aumentar a adesão aos tratamentos

A simplificação da experiência de tratamento desponta como um dos principais movimentos de transformação do setor farmacêutico. Segundo o estudo da TROIANO, a continuidade das terapias é comprometida quando a jornada do paciente se torna complexa, afetando os resultados clínicos e a eficácia dos tratamentos. Em resposta a esse cenário, a indústria tem investido em soluções que reduzam barreiras de uso, como medicamentos de liberação prolongada, menor frequência de doses, formatos mais intuitivos de administração e formulações com menos efeitos adversos. 

O conceito de comodidade posológica ganha força justamente por buscar uma experiência mais prática e alinhada à rotina das pessoas. O levantamento destaca ainda o avanço de formulações que combinam diferentes moléculas em um único produto e a ampliação de formatos de aplicação considerados mais amigáveis pelos usuários. Para a pesquisa, a simplificação tornou-se um elemento estratégico para aproximar pacientes dos tratamentos e favorecer sua continuidade.


Inteligência Artificial amplia aplicações em diagnósticos e medicina personalizada

A Inteligência Artificial deixou de ocupar um papel experimental para assumir posição central na transformação da saúde global. O estudo aponta que a tecnologia vem sendo utilizada em diferentes etapas da jornada de cuidado, desde diagnósticos médicos até a gestão hospitalar e a personalização de tratamentos. 

Algoritmos já são capazes de analisar imagens e exames em poucos segundos, identificando doenças com níveis de precisão comparáveis aos de especialistas em determinadas aplicações. A pesquisa destaca também a capacidade da IA de cruzar dados genéticos, históricos clínicos e padrões comportamentais para desenvolver terapias mais personalizadas. 

Além dos diagnósticos, a tecnologia tem aplicações em análise de dados, otimização de cirurgias e gestão de procedimentos hospitalares. O levantamento ressalta que a expansão dessas ferramentas está redefinindo a forma como pacientes são acompanhados e como os serviços de saúde são organizados, criando novas possibilidades de cuidado baseadas em dados e na integração entre tecnologia e medicina.


Saúde e bem-estar avançam para além do tratamento e entram na rotina de consumo

Outra tendência apontada pela TROIANO é a aproximação entre o universo farmacêutico e os produtos de consumo. O estudo mostra que o consumo saudável deixou de ser um nicho para se tornar um comportamento mais amplo, impulsionado pela busca por qualidade de vida, bem-estar e prevenção. O foco do mercado migra de uma lógica baseada exclusivamente na extensão da vida para uma abordagem voltada ao aumento da qualidade desses anos. 

A pesquisa destaca que empresas de saúde passaram a ocupar espaços tradicionalmente associados aos bens de consumo de alta recorrência, aproximando-se de conceitos ligados à vitalidade, ao equilíbrio e à performance. A tendência ganhou força após a pandemia, período em que a busca por estilos de vida mais saudáveis se intensificou. Com isso, o cuidado com a saúde passa a ser tratado como um valor contínuo e presente em diferentes decisões de consumo, ampliando as fronteiras de atuação das empresas do setor.


Crescimento dos genéricos amplia acesso e altera a dinâmica competitiva do mercado

O avanço dos medicamentos genéricos é apontado pela pesquisa como uma das forças mais transformadoras da indústria farmacêutica brasileira desde a criação dessa categoria em 1999. Segundo o estudo, o crescimento do segmento é impulsionado por fatores econômicos, regulatórios e comportamentais, além da expiração de patentes de diversas moléculas. 

Isso permite a produção de medicamentos com os mesmos princípios ativos de produtos de referência, contribuindo para a redução dos custos de tratamentos e ampliando o acesso da população aos cuidados de saúde. O levantamento cita ainda que, em países em desenvolvimento, como Brasil e Índia, a busca por genéricos tem aumentado de forma consistente. 

Paralelamente, os fabricantes investem em campanhas para reforçar a equivalência entre genéricos e medicamentos de referência, buscando ampliar a confiança de médicos e pacientes. O estudo aponta que o avanço dessa categoria tem alterado a dinâmica competitiva do setor, marcado por produtos cada vez mais semelhantes do ponto de vista técnico.


Relação direta entre indústrias e pacientes ganha força com modelos DTC

A quinta tendência identificada pela TROIANO é a aproximação direta entre empresas farmacêuticas e consumidores por meio de modelos direct-to-consumer (DTC). Historicamente, a relação das indústrias com os pacientes era mediada por médicos, distribuidores e farmácias. 

O estudo mostra, no entanto, que empresas do setor vêm avançando para estruturas que permitem interações mais próximas, com serviços integrados e novos pontos de contato digitais. Nesse modelo, as empresas passam a ter acesso a dados em tempo real sobre o comportamento dos consumidores e podem oferecer jornadas mais personalizadas, serviços de suporte, recomendações e acompanhamento contínuo. A pesquisa destaca ainda que esse movimento amplia o controle das companhias sobre comunicação, canais de relacionamento e experiência do usuário. O modelo também favorece a construção de vínculos mais duradouros entre marcas e pacientes, ao mesmo tempo em que cria oportunidades para o desenvolvimento de novos serviços e ecossistemas de saúde mais integrados.

A pesquisa também aponta uma mudança de foco no setor de saúde, que passa a ampliar sua atuação para além do tratamento de doenças, incorporando conceitos ligados à prevenção, bem-estar e qualidade de vida. A relação entre indústria farmacêutica e consumidores tende a se tornar mais direta, apoiada em dados, personalização e novos pontos de contato digitais.

Leia também: CMO Summit: “Como fazer a farmacêutica mais "cool" do Brasil”, por Erich Shibata

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Priscilla Oliveira

Editora

Jornalista especializada em Marketing e comunicação corporativa. Traduz temas complexos em conteúdos acessíveis e relevantes para profissionais da área.​

AUTOR

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