
A primeira Copa do Mundo realizada após a regulamentação das apostas esportivas no Brasil oferece uma dimensão concreta da presença do setor. No mês que antecedeu o Mundial, foram registradas mais de 18,3 milhões de buscas relacionadas a apostas esportivas no país. O volume equivale a uma média de 425 pesquisas por minuto, ou aproximadamente uma busca para cada doze brasileiros, conforme apontam dados de um levantamento da Macfor.
A expansão da categoria aparece de maneira consistente na distribuição das cotas de patrocínio. Entre as 40 marcas que integram as cotas master das transmissões de Globo, CazéTV e SBT, oito pertencem ao segmento de apostas esportivas. Em comparação com a Copa de 2022, quando apenas duas operadoras estavam presentes, o crescimento coloca as bets como a segunda categoria com maior representação comercial no torneio. Apenas alimentos e bebidas, com dez marcas, superam o setor.
A Macfor avaliou a exposição das casas de apostas em transmissões, patrocínios, criadores de conteúdo e redes sociais durante o período de preparação para o torneio e calculou um ISB (Índice de Saturação de Bets) de 45,3 em uma escala que vai de zero a cem. Neste modelo, zero representa a ausência completa da categoria no ecossistema da Copa, enquanto cem indicariam um cenário de saturação total, sem espaço relevante para outros segmentos. O limite crítico de atenção foi estabelecido em 60 pontos.

O cálculo do ISB considera quatro fatores principais. A presença oficial das marcas nas transmissões responde por 35% da nota final. O potencial de alcance das plataformas onde elas aparecem representa 30%. A participação em camadas complementares de comunicação, como criadores de conteúdo, embaixadores e conteúdos editoriais, corresponde a 25%. Já a repercussão social medida por menções e sentimento nas redes sociais responde pelos 10% restantes.
Entre as operadoras presentes nas cotas master estão Betano, Betnacional, Superbet, Bet365, Esportes da Sorte, BetMGM, KTO e Novibet. Nesse grupo, a Betano lidera em alcance potencial, estimado em 140 milhões de pessoas únicas. A Betano e a Bet365 concentram os maiores volumes de interesse de busca no Google, reforçando a relação entre exposição recorrente em mídia e fortalecimento da lembrança de marca.
O cenário é favorecido por uma mudança histórica na cobertura do Mundial: pela primeira vez em mais de duas décadas, a Globo deixou de deter exclusividade sobre a transmissão de todos os jogos, ampliando significativamente a oferta de espaços comerciais para diferentes anunciantes.
Evolução do interesse
A evolução do interesse dos brasileiros pelas apostas chama a atenção quando comparada a outros mercados. As buscas pelo termo "bet" cresceram 496% no Brasil nos últimos cinco anos e o gasto médio anual por apostador gira em torno de R$ 1.400,00. No mesmo período, houve retração de 19,6% no Reino Unido, de 53% em Portugal e de 12,6% na Espanha.
Entre os dias 26 de abril e 26 de maio de 2026, o monitoramento da Macfor registrou cerca de 23 mil menções relacionadas ao torneio em nove plataformas digitais. O volume gerou alcance potencial de 1,5 bilhão de impactos e 5,6 milhões de interações. Dentro desse universo, 1,7% das conversas estavam diretamente associadas às apostas esportivas.
A análise de sentimentos indica a predominância de menções neutras, sugerindo que a categoria vem sendo incorporada à experiência de acompanhamento da Copa sem enfrentar, até o momento, um nível de rejeição proporcional à sua visibilidade.
Isso se deve às diferentes estratégias de ocupação de mídia adotadas pelas operadoras. É comum a aposta em uma presença integrada, combinando transmissões oficiais, conteúdos editoriais, criadores digitais, divulgação de odds e ações com embaixadores. Outras empresas optam por uma presença mais concentrada, limitada a transmissões específicas ou acordos pontuais com plataformas e canais esportivos.
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