
A inteligência artificial já exerce influência direta sobre a forma como consumidores descobrem produtos e tomam decisões, mas há um porém: o uso da tecnologia cresce rapidamente, enquanto a confiança avança em ritmo bem mais lento. É o que aponta a pesquisa “Klaviyo AI Persona Research”, com 60% dos respondentes confirmando o uso extensivo de ferramentas de IA ao menos semanalmente, mas somente 13% declarando confiança total nessas soluções.
Nesse descompasso se estabelece o principal ponto de atenção para o Marketing. Os consumidores já incorporaram a IA ao processo de pesquisa e avaliação de produtos, mas fazem isso com cautela. A tecnologia é tratada como uma fonte de apoio, não como autoridade definitiva.
41% dos consumidores adquiriram, nos últimos seis meses, produtos recomendados por IA. Outros 27% tiveram o primeiro contato com itens por meio dessas ferramentas e aprofundaram a pesquisa antes de concluir a compra. Na prática, a IA opera como uma camada inicial de descoberta.
Apesar disso, a confiança não acompanha o mesmo ritmo. A IA é utilizada para filtrar opções e gerar ideias, mas a validação humana ainda permanece como etapa decisiva antes da conversão.

Perfis de consumo
O estudo segmenta os consumidores em quatro perfis, considerando frequência de uso e nível de confiança. Os chamados “Entusiastas de IA” combinam alta utilização com confiança relativamente elevada e representam cerca de 26% da base global. Nesse grupo, 89% utilizaram IA em experiências de compra recentes, e 43% relatam ter adquirido múltiplos produtos que não conheciam previamente, impulsionados por recomendações da tecnologia.
Já os “Avaliadores de IA” também fazem uso frequente, porém adotam uma postura mais crítica. Utilizam a tecnologia para pesquisa e comparação, mas tendem a validar as recomendações antes de tomar decisões. Juntos, Entusiastas e Avaliadores somam aproximadamente 70% dos consumidores.
Os demais grupos refletem maior ceticismo. Os “Céticos de IA” compreendem a tecnologia e a utilizam ocasionalmente, mas demonstram desconfiança, especialmente em contextos de Marketing. Já os “Resistentes à IA”, que representam cerca de 21%, raramente recorrem à tecnologia em decisões de compra e mantêm preferência por orientação humana.

Por outro lado, os usuários mais intensivos também são os mais críticos. Entre eles, 40% afirmam identificar conteúdos de Marketing gerados por IA considerados genéricos ou de baixa qualidade várias vezes por semana. Esse comportamento indica um amadurecimento acelerado do consumidor. À medida que aumenta a exposição à IA, cresce também a capacidade de reconhecer padrões, avaliar qualidade e identificar uso excessivo de automação.
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