
Os consumidores brasileiros poderão ter acesso mais amplo aos produtos de beleza sul-coreanos, conhecidos globalmente como K-beauty, após a assinatura de um memorando de entendimento entre Brasil e Coreia do Sul voltado à cooperação regulatória no setor de saúde.
O acordo foi divulgado na segunda-feira (23), durante a visita de Estado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Seul, após reunião bilateral com o presidente sul-coreano Lee Jae-myung. O memorando estabelece bases para harmonização regulatória e intercâmbio técnico entre autoridades sanitárias, o que pode simplificar processos de certificação e aprovação de cosméticos.

A iniciativa tende a reduzir barreiras burocráticas e acelerar a entrada de produtos sul-coreanos no mercado brasileiro, ampliando a disponibilidade e potencialmente reduzindo custos para consumidores e distribuidores.
O acordo integra um conjunto mais amplo de iniciativas bilaterais que abrangem áreas como agricultura, comércio, inovação e cooperação empresarial. Também foi anunciado um plano de ação com metas definidas para os próximos três anos, com foco na ampliação do intercâmbio econômico e tecnológico.
Mercado brasileiro atrai indústria global de cosméticos
O interesse sul-coreano em ampliar sua presença no Brasil reflete o peso estratégico do país no setor de beleza. O Brasil está entre os maiores mercados globais de cosméticos, com forte demanda por produtos de cuidados com a pele, fragrâncias e itens de higiene pessoal.
Empresas como a Amorepacific e a LG Household & Health Care lideram a expansão internacional do setor, impulsionadas por tecnologias próprias, investimentos em pesquisa dermatológica e estratégias de branding associadas à cultura pop coreana. O fenômeno K-beauty ganhou escala global ao combinar inovação científica, rotinas de cuidados em múltiplas etapas e forte apelo de marketing vinculado à estética e ao entretenimento sul-coreano.
No Brasil, embora o interesse por marcas coreanas tenha crescido nos últimos anos, o acesso ainda é limitado em comparação a outros mercados, em razão de custos logísticos, exigências regulatórias e menor presença física de distribuidores. A cooperação técnica entre os dois países deve contribuir para reduzir essas barreiras e estimular investimentos diretos de empresas coreanas no país.

Cooperação econômica mais ampla inclui negociações comerciais
Além do setor de cosméticos, os dois países concordaram em retomar as negociações para um acordo comercial entre a Coreia do Sul e o Mercosul, bloco formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. As tratativas haviam sido interrompidas em 2021, mas agora voltam à pauta como parte de um esforço para ampliar o comércio bilateral e integrar cadeias produtivas.
Durante a visita, Lula destacou a importância estratégica da parceria. Segundo ele, a Coreia do Sul é atualmente o quarto maior parceiro comercial do Brasil na Ásia e o principal destino de investimentos coreanos na América Latina, com cerca de US$ 11 bilhões aplicados em setores como indústria automotiva, eletrônicos e tecnologia.
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