
Recentemente comecei a ser impactado por artigos e textos criticando os modelos tradicionais de análise. Nessas críticas, a obsolência da análise SWOT aparece como ponto comum. A SWOT tem apoiado tomadores de decisão desde a década de 1950, e, combinado com outras ferramentas analíticas, pode ser muito útil para ampliação da visão de forma integrada. Esse é um ensaio livre escrito após uma reflexão sobre a validade de uma ferramenta simples e poderosa: a análise SWOT.
A análise SWOT
A análise SWOT nasceu na década de 1950 na Lockheed Aircraft Corporation com o nome de SOFT (Satisfactory, Opportunities, Faults and Threats), desenvolvida por Robert Franklin Stewart. Na década de 1960 a ferramenta foi revisada como SWOT e popularizada a partir dos trabalhos de consultoria de Albert Humphrey.
A SWOT foi amplamente adotada por sua simplicidade de compreensão e uso, bem como pela eficiência em integrar os aprendizados das análises internas e externas, apoiando tomadores de decisão a terem uma visão mais holística.
Como processo, a SWOT favorece o trabalho colaborativo e participativo, gerando o benefício de aproximação das diferentes perspectivas no processo decisório.

A crítica à ferramenta
A simplicidade da análise SWOT, uma de suas causas de grande adoção, também a levaram a sua danação. Por ser de fácil implementação, por vezes é preenchida com dados ruins, estáticos e obtidos com pouco método e crítica. Como uma ferramenta de integração, dados ruins levarão a uma análise ruim.
As críticas recentes destacam principalmente:
Superficialidade – dados excessivamente descritivos e sem análises analíticas e críticas.
Estaticidade – alimentação com dados estáticos (como fotos) que representam o presente, mas não o futuro. Se toda análise produz uma decisão que produzirá efeito no futuro, análises que não consideram a projeção no tempo podem levar a decisões ruins.
Equivalência falsa de impacto – uma análise estática de uma matriz 2x2 pode não destacar a criticidade de diferentes fatores, gerando distorções no processo decisório.
Sujeição a subjetividade e preenchimento burocrático – ao ser um modelo consagrado a amplamente adotado, muitas vezes o exercício da SWOT é feito de forma burocrática para cumprir o processo, por vezes viesado pela decisão desejada pelo tomador de decisão como forma de validação.

Nada tão atual como uma boa teoria
A SWOT por definição não é uma análise per se, mas uma ferramenta de integração de diferentes análises. Dessa forma, seu produto (insumo para a tomada de decisão) será tão bom quanto forem as conclusões das análises que a alimentam.
Mais do que isso, exercícios de planejamento mais complexos podem gerar uma grande massa de informação e formas de dimensionamento e ponderação passam a ser mais importantes para o direcionamento do processo decisório.
Essas considerações não são novas e não estão por fora do processo, contudo não aparecem refletidas em muitos processos de planejamento.
Como defende Seena Sharp, a inteligência deve considerar sempre as informações como filme, não como uma foto estática. Essa lógica deve ser empregada aos analisarmos o macroambiente, o comportamento dos consumidores e os concorrentes e substitutos. Estudos de futuros podem ajudar a desenhar cenários que alimentarão a análise SWOT, por exemplo.
Quando pensamos em dimensionamento e ponderação, podemos enriquecer os dados que alimentam a SWOT com análises como a MIR (magnitude, importância, resultado, validos tanto para dados interno como externos) ou a VRIO (valor, raridade, imitabilidade e organização, mais aplicado aos dados internos). Além do dimensionamento, as análises acessórias podem reduzir a subjetividade e vieses atribuídos a analistas e decisores.
2 reflexões finais
Cui bono?
Cuidado com o excesso de FOMO. Autores, influenciadores, consultorias e vendedores de cursos usam a geração de fomo como forma de captura de atenção e geração de senso de urgência. Antes de adotar as novas propostas, se questione se sobre quem será o maior beneficiário de sua adoção e se realmente fazem sentido. Como diria Mario Sérgio Cortella em suas aulas de ética, cui bono? Bom para quem?
Não deixemos o bebê ir embora com a água do banho
Alguns modelos, ferramentas e conceitos vão sendo esvaziados e distorcidos pelo senso comum ao longo do tempo. As críticas à SWOT parecem mais críticas ao mau uso (ou ao seu uso isolado) do que ao seu potencial quando bem utilizado. Para situações como essas, Jaime Troiano usaria a expressão “não deixemos o bebê ir embora que a água do banho”. Não deixemos que o mau uso da ferramenta nos faça perder os benefícios de seu bom uso.
Leia também: Marketing para vendas enterprise: por que a lógica de campanha tradicional não fecha grandes contas
COMPARTILHAR ESSE POST






