
O TikTok deixou de ser apenas uma plataforma de entretenimento para se consolidar como um dos principais vetores de influência sobre consumo no Brasil. 49% dos usuários afirmam já ter comprado um produto ou contratado um serviço que descobriram na plataforma, conforme apontam dados do estudo “TikTok no Brasil”, do Opinion Box.
O avanço é significativo em relação ao levantamento anterior, quando o índice era de 36%. A evolução sinaliza que a plataforma deixou de ser apenas um espaço de descoberta para se tornar também um canal efetivo de conversão.
O impacto não se limita à influência positiva. O estudo mostra que 53% já compraram algo indicado por alguém na rede, enquanto 47% afirmam ter desistido de uma compra após ver críticas negativas no aplicativo. O dado revela um ambiente onde a reputação das marcas pode ser construída — ou desconstruída — com velocidade.

A força dos influenciadores é um dos principais motores desse ecossistema. Dois terços dos entrevistados (66%) seguem influenciadores no TikTok. Mais do que audiência, há predisposição ao consumo: 52% dizem que anúncios feitos por influenciadores despertam seu interesse e 45% preferem comprar produtos ou serviços divulgados por criadores que acompanham.
Ao mesmo tempo, 73% afirmam gostar quando o influenciador sinaliza que o conteúdo é patrocinado, indicando que transparência não reduz engajamento — pelo contrário, pode reforçar credibilidade.
Motor publicitário
A publicidade paga dentro da plataforma também apresenta desempenho relevante, embora com percepções divididas. Metade dos usuários (50%) considera que os anúncios exibidos têm relação com seus interesses, enquanto 42% avaliam que não são tão relevantes. Entre os que já visualizaram anúncios, 39% afirmam que eles despertam interesse, e 34% dizem que os irritam.
Ainda assim, o comportamento de clique demonstra potencial comercial consistente. Entre os usuários que costumam clicar em anúncios, 58% já realizaram uma compra a partir dessa interação. A taxa sugere que, embora nem todos interajam com publicidade, aqueles que entram no funil apresentam alta propensão à conversão.

TikTok Shop
O lançamento do TikTok Shop, em 2025, amplia esse cenário. 45% dos entrevistados dizem conhecer bem a funcionalidade e 31% já compraram diretamente por meio dela. Outros 43% ainda não compraram, mas afirmam que pretendem fazê-lo. Na prática, 74% estão entre compradores ou potenciais compradores, indicando espaço relevante para expansão do comércio integrado.
As motivações de compra no TikTok Shop ajudam a compreender a dinâmica da plataforma. Entre os que já utilizaram o recurso, 49% afirmam que compraram quando já estavam procurando um produto específico, sugerindo captura de demanda existente.

Ao mesmo tempo, 44% realizaram compras após assistir a vídeos de creators ou influenciadores, reforçando o papel da recomendação. Outros 30% compraram após clicar em anúncios, 20% durante lives e 20% por impulso, evidenciando tanto consumo planejado quanto estímulos imediatos.
As categorias mais compradas confirmam a vocação visual e aspiracional do aplicativo. A partir de anúncios, destacam-se moda (34%), casa e decoração (31%) e produtos de beleza (31%). No TikTok Shop, moda e acessórios lideram com 50%, seguidos por beleza e cuidados pessoais (46%) e casa e decoração (32%). O predomínio desses segmentos indica forte aderência a produtos de apelo estético, demonstráveis em vídeo curto.
O papel da descoberta também aparece como elemento central. Para 55% dos entrevistados, o TikTok já apresentou produtos que nunca haviam visto antes. A constatação reforça o conceito de “discovery commerce”, no qual a decisão de compra nasce do conteúdo consumido, e não necessariamente de uma busca ativa.
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