O mercado brasileiro de material escolar chega à volta às aulas de 2026 em um ambiente mais restritivo, marcado por retração de volume, inflação persistente e elevada sensibilidade à renda das famílias.
Após uma recuperação parcial em 2025, com alta de 2,7%, o setor deve registrar nova queda em 2026, com retração projetada de 5,9%, dando sequência ao recuo expressivo observado em 2024, quando as vendas encolheram 8,2%, conforme apontam dados de um estudo do IBEVAR (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo), em parceria com a FIA Business School,.
O comportamento do consumidor reflete limitações orçamentárias, e não redução de necessidade. Produtos de menor valor unitário e considerados essenciais, como canetas, lápis e papel sulfite, apresentaram maior resiliência.
Em contrapartida, itens que exigem maior desembolso, como cadernos, livros didáticos, mochilas e mobiliário de estudo, concentraram as quedas mais acentuadas. O padrão aponta para substituição, reaproveitamento e postergação de compras, sobretudo entre famílias de renda média e baixa.

Em meio a esse cenário, o uniforme escolar desponta como exceção. O item registrou crescimento de 27,9% em 2026, impulsionado pela retomada plena das atividades presenciais e pelo caráter obrigatório da aquisição, o que reduz a margem de ajuste das famílias.
A dinâmica de preços amplia a pressão sobre o consumo. Entre janeiro de 2023 e janeiro de 2026, o custo dos materiais escolares acumulou alta de 29,5%, mais que o dobro da inflação oficial estimada para o período, de 14,3%. O descolamento reflete aumentos específicos em insumos como papel, logística, componentes importados e efeitos cambiais, além de reforçar o caráter regressivo do gasto educacional no orçamento doméstico.
A análise regional evidencia que o impacto é mais severo nas áreas de menor renda. Nos estados do Norte e Nordeste, o desembolso médio com material escolar compromete entre 35% e 40% da renda mensal, enquanto, nas unidades federativas de maior renda, essa proporção fica abaixo de 25%. A concentração dessas despesas no início do ano acentua a pressão. De acordo com o estudo, a cada aumento de 1% na renda média, a participação do gasto com material escolar recua 0,15%.
O quadro é agravado pelo perfil das matrículas: cerca de 80% dos estudantes estão na rede estadual, onde, embora o gasto absoluto seja menor, o peso relativo no orçamento é significativamente mais elevado. Com menor capacidade de absorver aumentos, essas famílias tendem a adotar estratégias defensivas, como reduzir volumes, optar por marcas mais baratas ou reutilizar materiais de anos anteriores.
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