
Existe um comportamento muito comum no Marketing B2B hoje: criar campanhas para RH sem realmente entender como o RH funciona. E isso aparece o tempo inteiro. E-mails, landing pages, posts e anúncios falando sobre IA, agentes inteligentes, automação, people analytics e futuro do trabalho… enquanto boa parte dos profissionais de RH ainda está tentando equilibrar operação, liderança, turnover, treinamento, folha, clima, contratação, pressão da diretoria e equipes enxutas.
O problema não é falar sobre inovação. O problema é quando a campanha parece feita por alguém que nunca conversou com um RH real. Porque existe uma diferença enorme entre produzir conteúdo que gera curtida e produzir conteúdo que gera identificação, conversa e venda.
O Marketing acredita que está inspirando. O RH, muitas vezes, sente que está sendo tratado como alguém que não entende a própria realidade.
E esse é o primeiro ponto que o mercado precisa entender: o RH brasileiro ainda vive muito mais pressão operacional do que maturidade tecnológica. Antes de vender transformação, inovação ou revolução digital, é importante entender que muita gente ainda está tentando sobreviver ao básico sem colapsar no processo.

O Marketing criou um “RH imaginário”
Existe um RH muito presente nas campanhas de Marketing. Um RH que parece passar o dia inteiro discutindo IA generativa em salas futuristas com LED azul, telão e café artesanal servido em copo biodegradável. Um RH que tem budget para testar tecnologia, lidera transformação cultural com apoio da liderança e passa o dia pensando em employee experience.
Mas esse RH não representa a realidade da maior parte das empresas.
O RH real está fechando folha, tentando reduzir turnover, lidando com conflitos de liderança, respondendo questões trabalhistas, organizando recrutamento com equipe reduzida, administrando afastamentos por saúde mental e tentando equilibrar cultura, operação e pressão por resultado ao mesmo tempo.
Existe um RH imaginário e um RH real. E boa parte do Marketing continua vendendo para o errado.
Enquanto o RH imaginário parece pronto para uma revolução digital, o RH real ainda está tentando convencer liderança a dar um feedback minimamente decente para o time.
Enquanto o RH imaginário testa tecnologia, o RH real ainda está tentando fechar a folha no Excel.
E isso não é exagero. Os índices de sobrecarga seguem crescendo, especialmente entre profissionais que acumulam operação, estratégia e gestão emocional dentro das empresas.
Quando o Marketing ignora esse contexto e cria campanha para o RH imaginário, o RH real escuta, acha bonito… mas não confia. Porque percebe rapidamente quando quem está vendendo nunca viveu a operação que promete transformar.
COMPARTILHAR ESSE POST






