O smartphone deixou de ser apenas um meio alternativo de pagamento para se consolidar como protagonista no varejo físico brasileiro. Segundo o Panorama Pagamentos móveis e comércio móvel no Brasil, da Mobile Time/Opinion Box, 40% dos brasileiros já consideram o celular sua principal forma de pagamento em lojas físicas, o dobro do registrado há dois anos.
O avanço acontece em paralelo à queda acelerada do dinheiro e do cartão de plástico. Enquanto o cartão físico, que liderava com folga, caiu para 52% da preferência, o dinheiro passou a ser citado por apenas 6% dos consumidores, reforçando uma mudança estrutural no comportamento de compra presencial.
O uso do QR Code se tornou praticamente universal. A pesquisa aponta que 92% dos brasileiros com smartphone já realizaram algum pagamento escaneando um QR Code, um salto expressivo frente aos 48% registrados em 2020.
Além da penetração, a frequência também cresce. 78% dos entrevistados afirmam ter usado o QR Code nos últimos 30 dias, consolidando o Pix como principal motor dessa popularização. Entre jovens de 16 a 29 anos, a adesão chega a 96%, enquanto entre pessoas com 50 anos ou mais permanece elevada, em 88%.

Pagamento por aproximação cresce, mas ainda depende do aparelho
O pagamento por aproximação com smartphone também avança rapidamente. Em seis anos, a proporção de brasileiros que já utilizaram essa tecnologia saltou de 17% para 64%. A diferença entre sistemas operacionais chama atenção: 83% dos usuários de iPhone já pagaram por aproximação, contra 55% dos usuários de Android, reflexo da presença desigual do NFC nos aparelhos. Ainda assim, o hábito se expande, impulsionado pela disseminação das carteiras digitais e pela emissão facilitada de cartões virtuais.
O impacto do mobile vai além do pagamento pontual. 22% dos brasileiros afirmam que não levam mais carteira quando saem de casa, optando exclusivamente pelo smartphone, mais que o dobro do índice registrado em 2023.
Esse comportamento é ainda mais forte entre usuários de iPhone (36%), jovens de 16 a 29 anos (29%) e consumidores das classes A e B (30%), indicando que a substituição do cartão e do dinheiro tende a acelerar nos próximos anos.

Celular também domina o comércio eletrônico
No comércio móvel, o protagonismo do smartphone é ainda mais evidente. 91% dos brasileiros com smartphone realizaram ao menos uma compra de mercadoria por app ou site móvel nos últimos 30 dias, consolidando o celular como principal canal de compra digital no país.
Livros, acessórios de moda, cosméticos e roupas são as categorias em que o celular supera a loja física como canal preferido. Já produtos como alimentos, limpeza e medicamentos ainda mantêm maior dependência do ponto de venda presencial.

O que mais atrai o consumidor no m-commerce é o preço, citado por 37% dos entrevistados, seguido da conveniência. Em contrapartida, o custo do frete é o principal ponto de frustração, mencionado por 40% dos consumidores, especialmente nas regiões Norte e entre pessoas acima de 50 anos.
E, pela primeira vez desde o início da série histórica, o Pix perdeu participação como meio de pagamento preferido no comércio móvel. A preferência caiu de 26% para 21%, enquanto o cartão de crédito subiu para 72%, reforçando sua força dentro dos aplicativos e sites móveis.
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