
Dias atrás, no que me permito como um tempo diário de scroll nas redes sociais, me deparei com um meme compartilhado por uma amiga publicitária que dizia: “medo de abrir a janela e ver uma publicidade”. Automaticamente pensei: nossa, eu também. Segundos depois, veio outro pensamento: eu trabalho com isso.
Fiquei ruminando essa ideia por dias. Em tempos de inteligência artificial, vivemos uma corrida para adotar novas tecnologias, otimizar processos e recursos, produzir mais e mais conteúdo, aumentar cliques e leads e garantir que os esforços de marketing estejam meticulosamente mensurados, gerando nada menos do que receita para a organização. Mas, será que, nesse processo, estamos nos esquecendo das pessoas que estão do outro lado?
Não me entendam mal. Eu também sou marketeira. O sucesso do meu trabalho e, da minha área, também é medido pela receita de novos negócios gerados ou influenciados pelo marketing. A questão, talvez, não seja o que fazemos, mas como fazemos. Afinal, o que realmente torna uma marca aquela que será lembrada no momento da necessidade ou do desejo, e escolhida novamente, de novo e de novo? Qual custo de troca você está construindo ou desconstruindo para a sua marca?

O que importa?
Quantas vezes, como consumidora, deixei de comprar novamente de uma empresa simplesmente porque me irritei com o volume de e-mails e mensagens de WhatsApp recebidas, a ponto de bloquear o remetente em ambas as plataformas?
Estamos sendo relevantes e agregando valor para a experiência do consumidor ou apenas garantindo bons números para apresentar no fechamento do quarter? Porque, quando o pensamento é de curto prazo, é exatamente isso que se conquista: apenas o quarter.
As pessoas estão fatigadas. Seja no B2B ou no B2C, elas querem interagir com conteúdos e viver experiências que realmente agreguem algo às suas vidas, seja em suas agendas profissionais, no bem-estar ou na rotina diária. Enquanto isso acontece, o outro lado parece produzir apenas mais, mais e mais.

E se usássemos a tecnologia para nos devolver tempo, tempo para ter ideias incríveis? E se pensássemos em campanhas, conteúdos e projetos com ciclos de vida mais longos? E se a sua marca fosse aquela que o consumidor gostaria de ter ao lado todos os dias, por muitos anos, porque agrega em vez de esgotar?
Peço desculpas se estas reflexões terminam com mais perguntas do que respostas. Talvez, eu mesma ainda não as tenham. Mas dizem que questionar é o primeiro passo, então- este é o meu.
Em meio à grande transformação do marketing, na qual caminhamos para fazer publicidade direcionada a agentes de IA capazes de comprar de forma automática, fica a pergunta: qual impacto humano ainda conseguimos gerar?
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