O lendário estilista italiano Valentino Garavani, fundador da grife Valentino, morreu nesta segunda-feira (19), aos 93 anos, em sua residência em Roma. Segundo a Fundação Valentino Garavani e seu parceiro de longa data, Giancarlo Giammetti, ele estava cercado por familiares e entes queridos.
Fundador da Valentino, o estilista construiu um dos maiores cases de Branding do luxo ao unir assinatura visual, celebridades e gestão estratégica. A morte de Valentino Garavani marca o fim de um dos capítulos mais emblemáticos da história da moda e também de um dos cases mais consistentes de construção de marca no mercado de luxo.
Fundador da grife Valentino, ele foi responsável por transformar seu próprio nome em um ativo simbólico global, reconhecido muito além das passarelas. Mais do que um criador de roupas, Valentino foi um arquiteto de Branding em um período anterior à lógica de performance, mídia digital e métricas em tempo real. Ainda assim, suas decisões criativas e estratégicas anteciparam práticas hoje centrais no Marketing contemporâneo.

Identidade como diferencial competitivo
Um dos maiores exemplos desse legado é o “vermelho Valentino”. A escolha e a repetição consistente da cor ao longo das décadas não foram apenas uma assinatura estética, mas uma estratégia clara de diferenciação e reconhecimento imediato, transformando um elemento visual em equity de marca.
Esse tipo de construção, em que um símbolo passa a representar valores como sofisticação, desejo e exclusividade, é hoje estudado como referência de identidade forte em mercados premium.
Muito antes do conceito formal de brand ambassadors, Valentino compreendeu o poder simbólico das figuras públicas. Ao vestir nomes como Jackie Kennedy, Elizabeth Taylor, Audrey Hepburn, Princesa Diana e Julia Roberts, a marca se inseriu em momentos culturais de alta relevância, ampliando seu alcance de forma orgânica e aspiracional.
Essas aparições ajudaram a posicionar a Valentino não apenas como uma grife, mas como parte do imaginário coletivo –um efeito que hoje o Marketing busca replicar por meio de creators, influenciadores e parcerias estratégicas.
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Criatividade e negócio em equilíbrio
Outro pilar fundamental da trajetória de Valentino foi a parceria com Giancarlo Giammetti, responsável pela gestão e expansão do negócio. Enquanto o estilista liderava a visão criativa, Giammetti estruturava a operação, o crescimento internacional e o relacionamento com o mercado.
Essa separação entre direção criativa e gestão de marca se tornou, anos depois, um modelo adotado por grandes grupos de luxo, mostrando que criatividade e disciplina estratégica não apenas coexistem, como se potencializam.
Ao longo dos anos, a Valentino expandiu seu portfólio para além da alta-costura, entrando em categorias como prêt-à-porter, acessórios e perfumes. O movimento ampliou o alcance da marca sem comprometer seu posicionamento aspiracional, reforçando um entendimento profundo sobre extensão de marca e segmentação no luxo. A estratégia permitiu escalar o negócio mantendo a coerência narrativa –um desafio que muitas marcas enfrentam até hoje.
Valentino Garavani se aposentou oficialmente em 2008, mas sua influência segue presente na forma como marcas de luxo constroem valor simbólico, consistência estética e desejo ao longo do tempo. Sua morte encerra uma era, mas deixa lições de que marcas fortes não nascem de campanhas isoladas e sim de decisões repetidas, coerentes e culturalmente relevantes.
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