
Ferramentas para prever o comportamento não faltam
Tem mensurador para tudo: CRM, que organiza e acompanha o relacionamento; CDP, que reúne dados dispersos para formar uma visão mais completa do cliente; social listening, que captura o que as pessoas estão dizendo; análise de sentimento, que procura identificar emoções nos comentários; mapas de calor, que mostram onde o olhar e o clique se concentram; ferramentas preditivas, que antecipam comportamentos a partir de padrões.
Sem contar CAC, LTV, NPS, churn… Soluções de CRM, por exemplo, como as da AWS trabalham justamente nessa direção: integrar informações, acompanhar interações e transformar dados em possibilidades de ação. É o que está por trás do chamado Amazon Effect: a experiência criada pela Amazon elevou a régua de expectativa dos consumidores, que passaram a esperar rapidez, conveniência, disponibilidade e respostas cada vez mais imediatas também de outras marcas. A expressão, usada no mercado para descrever esse fenômeno, ganhou também tratamento acadêmico ao analisar como os padrões da Amazon alteraram expectativas e comportamentos de consumidores.
Parece que tudo está fácil e bem resolvido: o cliente pesquisa, o comportamento é identificado e a oferta surge imediatamente. A experiência se torna cada vez mais fluida, personalizada e veloz. Ou melhor, “infinita”, como está na moda agora.
Tudo o que se refere a reações de compra, venda e fidelização possivelmente tem uma IA que dá conta de mapear. Mas como prever a reação de uma pessoa diante de outra pessoa?

Quando o comportamento que importa não é só de compra e venda
Com tantas ferramentas preditivas, como prever reações e humores das pessoas em tempos de intolerância generalizada, violência banalizada e falta de senso cidadão?
O mundo hiperacelerado e frenético cansa. Gera a sociedade do cansaço, desgastada pela economia da atenção, em ambientes infoxicados em que tudo fala e nada diz coisa com coisa.
Byung-Chul Han descreve essa dispersão da atenção e o excesso de estímulos como características de uma sociedade submetida à hiperatenção, à multitarefa e à exigência permanente de desempenho. Nesse ambiente, somos convidados a reagir o tempo todo. Curtir, responder, opinar, comprar, compartilhar, produzir, acompanhar.
Nossa existência e a nossa convivência não são comportamentos lineares que podem ser completamente processados por uma IA. Têm contexto, contradição, memória, medo, repertório. Têm os ditos e os não ditos. Têm as linhas, as entrelinhas (e as estrelinhas). É aí que a previsão encontra seu limite: podemos mapear comportamentos sem necessariamente compreender pessoas.

A boa convivência faz toda a diferença
Quando percebemos que tudo está conectado, fica mais fácil entender a interdependência de todas as coisas. Uma escolha de consumo interfere na cadeia produtiva e no planeta. Uma política interna interfere nas relações e na saúde mental. Uma fala de liderança reverbera numa equipe e na qualidade de vida. Cada atitude impacta muito além do tracking “compra-venda-fidelização”.
Precisamos nos entender melhor para podermos entender o que a sociedade quer, o mercado quer, as pessoas querem. Que tipo de crescimento queremos? Para onde estamos correndo? Com quem estamos indo? De que forma? Para quê?
Colocar estas perguntas na pauta, pensando no futuro, não apenas dos negócios, mas de toda a sociedade, ajuda a repensar o que estamos buscando. E falta colaboração, cooperação, corresponsabilidade, compromisso coletivo. Edgar Morin escreveu uma frase que é eixo em meu livro Gestão Sistêmica para um Mundo Complexo: “Se você tem o senso da complexidade, você tem o senso da solidariedade.” Será que estamos preparados para isso?

A 5ª Semana Nacional da Educação para Gentileza e Generosidade (SNEGG), criada pelo movimento Educação para Gentileza e Generosidade, é um convite para parar e refletir. Para repensar as atitudes e as estratégias, não só as de mercado, como as nossas, de existência. E agir.
De 1º a 7 de outubro, a SNEGG coloca em circulação os sete princípios da Educação para Gentileza e Generosidade (7PEGG) — gentileza, generosidade, solidariedade, sustentabilidade, diversidade, respeito e cidadania — como possibilidades de experimentação prática. É só acessar, conhecer, multiplicar, praticar. Tudo é gratuito e com diferentes linguagens, para dialogar com pessoas de todas as idades.
Não existe bom resultado sem respeito bem fundamentado. Não existe boa reputação sem que haja compreensão. Sem colocar o “Marketing da Convivência” em prática, não há negócio que se sustente.
Invista na qualidade da convivência entre as pessoas. De dentro para fora. Sem isso, não há negócio que se sustente.
5ª Semana Nacional EGG
Com formato descentralizado e atividades gratuitas, a mobilização reúne arte, ciência e educação para incentivar princípios de cidadania, solidariedade e convivência social. Neste ano, o evento conta com o apoio cultural do grupo musical Barbatuques e da Mad Science Brasil.
Destaques da programação
A programação une diferentes linguagens para dialogar com públicos de todas as idades no ambiente online e em ações presenciais:
· Minissérie “A Ciência da Consciência”: Produzida em parceria com a Mad Science Brasil, a série explora os princípios da convivência a partir da divulgação científica descomplicada.
· Música e literatura: O grupo Barbatuques integra as ações culturais destacando a música corporal, ao lado de intervenções poéticas do cordelista Eudes Sousa.
· Pesquisa inédita: Apresentação dos resultados do estudo “O que é, o que é: Diversidade”.
· Podcast Conversas SNEGG: Debates sobre aplicação prática dos princípios de convivência com convidados como Marcelo Duarte (Guia dos Curiosos), Larissa Purvinni (Instituto Mauricio de Sousa), Flávio Pinheiro (Instituto Pensi), Helena Singer (Ashoka) e outros educadores.
· 7º Prêmio EGG Escolas: Abertura oficial das inscrições para o prêmio que mapeia e reconhece projetos educacionais transformadores em instituições de ensino de todo o país.
Confira a programação completa em: https://www.gentilezagenerosidade.com.br/snegg
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