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IA no Marketing: o diferencial não está mais em criar, mas em decidir

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IA no Marketing: o diferencial não está mais em criar, mas em decidir

Durante décadas o marketing foi valorizado pela capacidade de criar. Mas agora que qualquer pessoa consegue gerar textos, imagens e vídeos em segundos, a criação deixou de ser escassa. O que tende a faltar é a capacidade de orquestrar sistemas, agentes e processos para transformar criação em resultado de negócio. Segundo o relatório 2026 State of Marketing, da HubSpot, 61% dos profissionais da área acreditam que o setor vive a maior disrupção dos últimos 20 anos por causa da IA. A questão não é mais quem adota — é quem usa melhor.

Essa virada de perspectiva importa especialmente para os times de marketing. Área historicamente orientada à criatividade e à comunicação, o marketing agora também precisa dominar a lógica de eficiência e escala que sempre cobrou de outros times; e a IA agêntica oferece exatamente esse caminho.



De acordo com o Gartner, 60% das marcas utilizarão IA agêntica até 2028 para entregar interações personalizadas em escala. Não se trata de automação básica, mas de agentes capazes de executar fluxos completos: pesquisar, segmentar, criar, testar e otimizar. Isso libera tempo e atenção para o que a inteligência humana faz de melhor: estratégia, ponderação e conexão com as pessoas.

É o repertório humano que vai reconhecer uma tendência cultural antes de ela virar dado, fazer conexões entre contextos aparentemente distantes, perceber o que uma pesquisa não captura — essas são capacidades que emergem de experiência acumulada, curiosidade e escuta ativa. A IA processa volume, mas pessoas com repertório amplo enxergam o que o volume ainda não revelou.



Os dados do relatório da HubSpot reforçam esse ponto de forma contundente: 32,82% dos respondentes afirmam que ferramentas de IA economizam entre 10 e 14 horas semanais para as equipes de marketing. Horas que, na prática, podem ser redirecionadas para iniciativas de maior valor, como o desenvolvimento de narrativas mais consistentes, a análise crítica de resultados e a construção de relações mais sólidas com públicos e parceiros.

O mercado reflete essa aceleração. Segundo levantamento da SEO.com, o segmento de IA no marketing estava avaliado em US$ 47,32 bilhões em 2025 e deve ultrapassar US$ 107,5 bilhões até 2028, crescendo a uma taxa de 36,6% ao ano. Esses números revelam que a adoção já é massiva: 88% dos profissionais de marketing usam IA diariamente, e 93% produzem conteúdo com mais velocidade graças a ela. Isso significa que estamos entrando em uma nova fase do setor, em que o valor não está mais na capacidade de produzir conteúdo, mas de tomar decisões melhores.


No entanto, velocidade não é o único ganho, afinal a IA permite que equipes de marketing operem com mais precisão — na segmentação, na personalização e na tomada de decisão orientada por dados. Isso está alinhado à simplificação de processos com foco em resultados: quando eliminamos o atrito operacional, criamos condições para que as pessoas do time protagonizem o que importa de verdade.

Por isso, a massificação da IA no marketing não deve ser encarada como um projeto de automação. Ela é, acima de tudo, um projeto de desenvolvimento de pessoas. Times que entendem como avaliar a qualidade do que é gerado e como conectar outputs tecnológicos às necessidades reais do público têm uma vantagem concreta sobre times que ainda operam no modelo artesanal de produção.

A pergunta que os líderes de marketing deveriam fazer é: nossos profissionais sabem transformar IA em vantagem competitiva? Em um cenário em que a tecnologia se torna acessível para todos, o diferencial volta a ser profundamente humano, inclusive com a coragem de ousar fazer o diferente e bancar escolhas não óbvias.

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Clara Ribeiro

Clara Ribeiro

Diretora de Marketing da Zup

Diretora de Marketing da Zup

AUTOR

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