A forma como as pessoas consomem está mudando mais rápido do que a própria estrutura do varejo. Consumidores reavaliam categorias inteiras de gasto, priorizando soluções que entreguem simplicidade, conveniência e benefícios reais para o cotidiano, conforme apontam informações do estudo Consumer Outlook, da NielsenIQ.
Por isso, em 2026, propósito ganha mais relevância do que campanhas pontuais. O consumidor espera encontrar valores claros, coerência e uma visão de mundo com a qual possa se identificar. Comprar menos e melhor passa a ser um comportamento dominante, com maior questionamento sobre origem, impacto e intenção por trás de cada marca.
Essa mudança de comportamento reflete um ponto de inflexão no relacionamento entre pessoas e empresas. O consumo deixa de responder ao que as marcas projetam e passa a ser guiado pelo que elas efetivamente entregam. Nesse contexto, compreender o comportamento do consumidor se torna um fator decisivo para a competitividade do varejo nos próximos anos.

IA, personalização e imersão
A inteligência artificial também assume um papel estrutural nesse novo varejo. A tecnologia deixa de reagir à busca do consumidor e passa a antecipar intenções, integrando logística, estoque, recomendações e atendimento conversacional.
Estudos recentes apontam que mais da metade dos consumidores já realizou compras baseadas em recomendações de IA generativa, enquanto uma parcela significativa se mostra disposta a comprar diretamente por meio dessas ferramentas. O resultado é uma experiência mais fluida, intuitiva e personalizada, sem ruídos ou esforços desnecessários.
A personalização, por sua vez, deixa de ser um diferencial aspiracional e se consolida como padrão esperado. Dados da McKinsey indicam que a maioria dos consumidores espera interações personalizadas e se frustra quando isso não acontece. No varejo de 2026, tanto no ambiente digital quanto nas lojas físicas, a expectativa é que cada interação pareça feita sob medida, sem invadir a privacidade ou gerar sensação de excesso.
Outro vetor relevante é a valorização das experiências imersivas. O varejo passa a ser entendido menos como um espaço de transação e mais como um momento memorável. O mercado de tecnologias imersivas atingiu US$ 44,1 bilhões em 2024, conforme apontam dados do Immersive Technology Business Analysis Report 2025.
O principal impulso foi a busca do consumidor por experiências sensoriais, narrativas envolventes e ambientes capazes de despertar emoção. Neste contexto, pop-ups, lojas-conceito e ativações culturais ganham força ao transformar a compra em memória.

Hibridismo e fator humano
Nesse cenário, o varejo híbrido se consolida como norma. A jornada do consumidor passa a combinar descoberta digital, validação em redes sociais, experimentação física e decisão de compra no canal mais conveniente.
Relatórios baseados em milhões de feedbacks em lojas físicas reforçam que a experiência presencial continua sendo um pilar emocional relevante, mesmo em um ambiente cada vez mais digitalizado. O desafio para as marcas será integrar canais, estoques, atendimento e logística de forma fluida, sem fragmentar a experiência.
Apesar do avanço tecnológico, o fator humano permanece central. O que conecta todas essas tendências é o desejo do consumidor de se sentir visto, compreendido e respeitado. A tecnologia atua como meio, não como fim. O diferencial competitivo do varejo em 2026 estará na capacidade de combinar inovação, empatia e experiências que realmente façam sentido no dia a dia das pessoas.
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