
Comportamentos associados à moda circular, como uso repetido, reparos e repasse de peças, já fazem parte da rotina do consumidor global, conforme aponta um levantamento conduzido pela Shein.
O Brasil se destaca pela incidência de práticas como redução de compras, uso prolongado e participação em doações e reparos. No caso brasileiro, 77,8% dos consumidores afirmaram ter adquirido menos de 30 peças no último ano, percentual inferior apenas ao Japão (85%) e a Singapura (78,7%). Apenas 10,7% relataram compras superiores a 50 itens no período.
A circulação de roupas também se mostra consolidada no país, com 88,1% dos consumidores realizando doações para amigos ou familiares — o maior índice entre os países pesquisados — e 77,4% destinando peças a instituições. Mais da metade dos consumidores (51,5%) afirma utilizar itens básicos ao menos dez vezes antes de repassá-los, enquanto o mesmo percentual relata usar peças mais de 50 vezes, um dos índices mais elevados entre os mercados analisados.
O conserto é prática recorrente, com 80% relatando já ter feito ajustes, enquanto a reciclagem formal permanece limitada a 20,8%, principalmente devido a entraves logísticos e falta de informação. Os dados apontam que a ampliação de infraestrutura e acesso a orientações práticas pode favorecer a adoção mais ampla de iniciativas ligadas à circularidade.

Fatores como preço, disponibilidade de tamanhos e qualidade são apontados por mais de 90% dos entrevistados como determinantes na escolha de roupas. Após a compra, critérios como conforto (90,2%) e caimento (86,4%) seguem como principais motivadores para manutenção das peças, com forte incidência de uso repetido.
Panorama global
O uso recorrente das peças é comum, especialmente em categorias como básicos, casacos, calçados e roupas esportivas. Entre 36,2% e 41,1% dos consumidores entrevistados afirmam utilizar esses itens mais de 50 vezes, enquanto de 16,4% a 19,9% relatam uso entre 31 e 50 ocasiões.
A decisão sobre quanto tempo manter uma peça está diretamente ligada a critérios como conforto (88,1%), caimento (82,2%), desgaste aparente (64,4%) e facilidade de cuidado (63,3%), reforçando o peso de aspectos funcionais ao longo do ciclo de uso.

Ainda assim, as decisões de compra seguem majoritariamente orientadas por fatores práticos, como preço, ajuste ao corpo e adequação ao cotidiano. No ambiente online, o preço aparece como principal critério (71,6%), seguido pela disponibilidade de tamanhos (66,7%), identificação com o estilo pessoal (58,1%) e aderência à rotina (53,8%).
Percepção sobre sustentabilidade
Em relação à percepção de sustentabilidade, 47% dos consumidores associam o conceito à durabilidade e qualidade das peças, enquanto 37,8% destacam o uso de materiais de menor impacto. Menos de 10% vinculam sustentabilidade a preços mais elevados ou menor variedade de estilos, indicando uma leitura mais pragmática e centrada em atributos tangíveis dos produtos.
No descarte ou transição das roupas, a reutilização predomina. Doações para amigos ou familiares são a prática mais comum (82,6%), seguidas por doações a instituições ou organizações (69%). O conserto também aparece como estratégia relevante para extensão da vida útil, com 61,7% dos respondentes relatando já ter realizado ajustes ou reparos.
Entre aqueles que não realizaram consertos no último ano, 58,3% apontam que habilidades específicas ou conhecimento poderiam incentivar essa prática. Já a reciclagem formal apresenta menor adesão: 37,2% afirmam ter reciclado roupas no período, sendo que a falta de informação (43,6%) e de pontos de coleta acessíveis (40,3%) surgem como principais barreiras.

O levantamento indica, ainda, que iniciativas com maior potencial de engajamento são aquelas que permitem participação direta dos consumidores, como programas de revenda (43,8%) e pontos físicos de coleta para doação ou reciclagem (43,1%). Em contrapartida, soluções informativas, como passaporte digital de produto (15,6%) e dados ambientais (18,8%), despertam menor interesse.
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