Em um ambiente econômico que ainda demanda cautela, mas já aponta sinais de recomposição do poder de compra e redefinição de prioridades, 2026 se projeta como um ano-chave para as marcas de bens de consumo massivo no Brasil.
Mudanças demográficas, novos arranjos familiares, maior valorização do bem-estar, reconfiguração dos orçamentos domésticos e um consumidor cada vez mais pulverizado entre canais formam um quadro que vai além de oscilações conjunturais e aponta para transformações estruturais no mercado.
Pensando nisso, a Worldpanel mapeou em um levantamento recente dez tendências que ajudam a decodificar como o brasileiro deve consumir em 2026 e, principalmente, onde estão as oportunidades para empresas capazes de converter dados em estratégia, relevância e crescimento.
Na avaliação da consultoria, o crescimento será experimentado por quem transformar complexidade em estratégia – e estratégia em execução inteligente. Veja, a seguir, as dez tendências destacadas:
Estabilidade com novas dinâmicas
O volume de bens de consumo massivo deve permanecer praticamente estável em 2026, com variação estimada de -0,2%, mesmo diante do aumento da renda disponível provocado pela nova tabela do Imposto de Renda, que isenta salários de até R$ 5 mil.
O comportamento de compra, no entanto, passa por ajustes: a frequência de visitas ao ponto de venda cresce 12,8%, enquanto o número de itens por compra recua 10,4%, reforçando a necessidade de adaptação das marcas a cestas menores e jornadas mais recorrentes.

Menos crianças, mais longevidade – e filhos de quatro patas
A transformação na composição dos lares já impacta o consumo. Sêniores concentram 16% dos gastos com bens massivos, com crescimento de 9%, acima dos 5% observados nos demais domicílios.
Lares com apenas um filho respondem por 32% do faturamento da cesta, enquanto os casais sem filhos concentram 41% do mercado de alimentos para pets, com gasto médio 10% superior à média, evidenciando a consolidação dos animais como membros centrais da família.
Qualidade de vida como novo status
Entre 2023 e 2025, as licenças médicas por ansiedade e depressão avançaram 68%, colocando saúde mental, equilíbrio e rotinas sustentáveis no centro das decisões de consumo.
Em 2026, produtos associados a bem-estar físico e emocional, com benefícios concretos e propósito claro, tendem a se diferenciar em um mercado cada vez mais atento à qualidade de vida.

Entre saudabilidade e o pós-uso de GLP-1
A busca por redução de açúcar já mobiliza 46% dos consumidores, ao mesmo tempo em que o uso de medicamentos à base de GLP-1 redefine hábitos alimentares e tamanhos de porção.
Antes dessas terapias, consumidores não usuários ingeriam, em média, 44% mais alimentos; após o início ou a intenção de uso, essa diferença cai para 20%. O cenário abre espaço tanto para a ampliação de produtos saudáveis acessíveis quanto para linhas premium com nutrição essencial e porções ajustadas.
Funcionalidade, socialização e indulgência consciente
Categorias que combinam benefício funcional e prazer seguem em expansão. Bebidas proteicas saltaram de 5% de penetração em 2023 para 13% em 2025, enquanto as cervejas 0% álcool avançaram de 10% para 15%. O movimento reflete a valorização de conveniência, socialização e indulgência sem culpa, com foco em produtos que entregam valor tangível.
Autocuidado como rotina essencial
O autocuidado se consolida como hábito cotidiano. O consumo de perfumes cresceu 15%, impulsionado principalmente pelas classes D e E, e os brasileiros passaram a utilizar, em média, seis categorias de Higiene & Beleza por semana. A oferta de produtos premium, embalagens econômicas e kits temáticos contribui para elevar frequência de uso e tíquete médio.
Limpeza sofisticada
A categoria de cuidados com o lar evolui em direção à praticidade e à experiência sensorial. Limpadores perfumados, multiusos e soluções concentradas já estão presentes em 93% dos lares, avanço de quatro pontos percentuais em um ano, substituindo receitas caseiras e reforçando a busca por eficiência aliada ao bem-estar.

Mais que multicanal
O consumidor brasileiro transita, em média, por oito canais e realiza 24 compras de abastecimento ao ano. No e-commerce de bens massivos, os pedidos online crescem 13,8%, impulsionados pelo social commerce, com duas em cada cinco compras realizadas via WhatsApp.
No delivery de alimentos e bebidas, a penetração chega a 77%, com tíquete médio quase três vezes superior ao dos canais físicos, exigindo das marcas integração de serviços e experiências consistentes em diferentes plataformas.
Presentes sazonais
Datas comemorativas seguem relevantes para alavancar categorias tradicionais. Mais de 60% dos brasileiros receberam produtos de Higiene & Beleza e chocolates como presentes em ocasiões como Dia das Mães, Dia dos Pais e Dia dos Namorados, abrindo espaço para kits temáticos e estratégias que ampliem a presença das marcas ao longo do calendário.
Paixão pelo esporte
O futebol continua a influenciar hábitos e consumo. Durante a Copa do Mundo de 2026, a expectativa é de crescimento de 12% no tíquete médio, com impacto direto em snacks, bebidas e itens de conveniência. As apostas esportivas, já presentes em metade dos lares, ampliam oportunidades de engajamento e experiências associadas à emoção do torcedor.
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