Salespring levantou rodada-anjo e já fatura com solução que automatiza metas e remuneração variável para equipes comerciais
Enquanto ferramentas de inteligência artificial prometem revolucionar reuniões e análises de vendas, um problema mais básico segue travando operações comerciais Brasil afora: a gestão de metas e comissões ainda vive em planilhas. É nesse gargalo que a Salespring, startup fundada em 2025, foca seus esforços.
Criada por Angelita Oliveira, executiva com longa experiência na gestão de times comerciais, que passou anos mergulhada em planilhas para calcular variáveis de equipes, e co-fundada por Isabela Cardoso, CTO, cientista de dados e executiva com experiência em grandes empresas de tecnologia, a plataforma quer tirar CFOs, CROs, gestores de equipes comerciais e times de RH do ciclo vicioso de recálculos manuais, erros de comissionamento e falta de previsibilidade, e proporcionar aos vendedores o acompanhamento em tempo real da performance e comissionamento.
Os números do setor reforçam a dor: apenas 30% do tempo de vendedores é dedicado efetivamente a vender, segundo a Salesforce. O restante se perde em tarefas administrativas — incluindo o controle paralelo de metas em planilhas próprias, fenômeno que Angelita conhece bem. "Eu criava planilhas novas todos os dias só para manter a operação minimamente organizada e rodando. Era insustentável", diz.
O custo dessa ineficiência vai além do tempo perdido. Dados da DePaul University apontam que cada substituição de vendedor custa até US$115 mil, considerando o tempo médio de ramp-up de 15 meses. E a rotatividade é alta: o profissional permanece em média 18 meses, ou seja, quando ele começa a trazer resultados, ele sai da empresa, antes da performance plena. Metas mal desenhadas, comissões desconectadas e falta de visibilidade sobre ganhos potenciais aceleram essa porta giratória.
Da planilha à plataforma
A Salespring se posiciona como uma Revenue Management Platform (RMP) — categoria que integra definição de metas, método para definição de remuneração variável, projeções financeiras, acompanhamento de performance e auditoria de pagamentos em um único sistema, e todas as funcionalidades impulsionadas por inteligência artificial. A solução se conecta a CRMs, ERPs e folhas de pagamento, eliminando alimentação manual de dados e minimizando erros.
Na prática, a plataforma permite que empresas configurem modelos de remuneração variável personalizados por time — com ou sem aceleradores, metas escalonadas, regras diferenciadas para pré-vendas, vendas e customer success. Vendedores acompanham em tempo real quanto já ganharam e quanto podem ganhar até o fim do período. Gestores validam comissões antes do envio ao financeiro, com trilha de auditoria completa. Tudo isso em uma plataforma amigável ao usuário. "Desenvolvemos cada funcionalidade priorizando experiência do usuário desde a concepção da arquitetura. A plataforma foi projetada para ser intuitiva e acessível, permitindo operação com autonomia desde o primeiro acesso", afirma Isabela.
"O diferencial não é só calcular comissão. É trazer método e governança para toda a cadeia de performance comercial", afirma Angelita. A startup utiliza modelos de IA para identificar inconsistências nos planos de comissionamento, riscos de incentivos desalinhados e gargalos de execução — análises que planilhas não suportam em escala. Outro modelo de IA também é utilizado para apoiar o vendedor e o gestor com insights em relação a performance por meio dos seus indicadores, e análise de pipeline em tempo real com dicas práticas de onde focar ou como melhorar os resultados. “Combinamos modelos preditivos proprietários com assistentes de IA para transformar os dados em insights acionáveis. Essa é a inteligência que realmente move os ponteiros da receita de uma empresa”, reforça Isabela.
Tração inicial e aposta global
A Salespring lançou seu MVP em abril de 2025 e gerou receita recorrente já no segundo mês, atendendo clientes de médias empresas com times comerciais em torno de 50 pessoas — faixa em que a gestão manual de metas começa a ser um grande desafio.
A rodada-anjo incluiu investidores internacionais, sinalizando ambição de expansão além do Brasil desde o início.
O mercado de RevOps e automação comercial deve movimentar US$12 bilhões globalmente até 2028, segundo a MarketsandMarkets. No Brasil, é um mercado potencial e de crescimento — e a Salespring está entre as primeiras a cravar bandeira nesse nicho específico.
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