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O impacto da cibersegurança no valor de mercado e na reputação corporativa das empresas

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Da cadeira de CMO à sala de aula: Antonio Santos leva experiência prática ao CMO Sprints

Durante muito tempo, a segurança da informação foi tratada no ambiente corporativo como uma linha de custo operada nos bastidores da tecnologia. O marketing cuidava da expansão da marca, da experiência do cliente e da geração de demanda, enquanto a TI lidava com firewalls, criptografia e mitigação de ameaças. Eram mundos que se encontravam, na maioria das vezes, apenas nas discussões de orçamento. Na economia digital hiperconectada, essa separação deixou de fazer sentido. A cibersegurança deixou de ser apenas um escudo técnico e passou a ocupar um papel central na reputação das empresas.

Quando ocorre um incidente cibernético, o impacto imediato pode até ser, inclusive, operacional com sistemas fora do ar, linhas de produção paralisadas ou falhas em cadeia. O problema, porém, vai muito além da operação. Uma violação de dados ou um ataque de ransomware pode comprometer valor de mercado, credibilidade e, principalmente, a confiança construída com clientes e parceiros. É nesse momento que a crise deixa de ser apenas uma questão de TI e chega à mesa do líder de marketing. O mercado não cobra explicações apenas do responsável pela infraestrutura, cobra também um posicionamento da marca.

No mercado B2B de alta complexidade, em que as transações envolvem infraestrutura crítica, essa dinâmica é ainda mais evidente. A resiliência deixou de ser apenas um requisito técnico preenchido em um formulário de suprimentos e passou a ser um fator decisivo na conquista de grandes contratos. Nenhuma estratégia de hiperpersonalização ou campanha de Account-Based Marketing (ABM) consegue sustentar a aquisição de uma conta corporativa se o cliente não tiver segurança de que seu ecossistema estará protegido. Nesse contexto, confiança é um ativo difícil de conquistar e fácil de perder.


Esse cenário exige uma mudança no perfil da liderança. O profissional de marketing não pode mais atuar apenas como gestor de campanhas ou guardião da marca. A vantagem competitiva está cada vez mais associada a líderes capazes de combinar uma visão orientada a produto, engenharia e negócios. Não é necessário dominar a tecnologia em profundidade, mas é fundamental compreender como as soluções operam. O rigor analítico ajuda a traduzir a complexidade técnica da segurança e da nuvem em uma narrativa clara de valor, relacionada a receita e redução de riscos para o board dos clientes. O marketing precisa saber como posicionar e comunicar a resiliência.

Para que essa comunicação seja eficaz, é preciso romper os silos dentro das corporações. CMO (Chief Marketing Officer) e CISO (Chief Information Security Officer) precisam ser aliados estratégicos ao invés de atuarem em frequências distintas. Enquanto o CISO constrói e mantém a fortaleza tecnológica, o CMO tem o papel de transformá-la em argumento de vendas e em uma ferramenta de retenção de contas-chave. Comunicar uma governança robusta de dados e uma infraestrutura secure-by-design é reforçar, diante dos executivos, uma promessa especialmente valiosa em tempos de incerteza, a previsibilidade.

Empresas que ainda tratam a cibersegurança apenas como um seguro contra desastres estão deixando de enxergar seu potencial de negócio. O mercado já percebeu que ela é um habilitador. Provedores e integradores que colocam a segurança no centro de sua proposta de valor não estão apenas se protegendo contra ameaças ou evitando multas regulatórias. Estão fortalecendo suas marcas e construindo relações de confiança com parceiros e clientes.

Em última análise, posicionamento estratégico nunca foi só sobre tecnologia, mas sobre o que ela viabiliza em termos de negócios, expansão e sustentabilidade. Proteger a operação, os negócios e os dados dos clientes não é apenas uma obrigação técnica. É, no fundo, uma das formas mais consistentes de construir confiança e valor para uma companhia.

Leia também: Como o ABM reorganiza Marketing e Vendas para conquistar grandes contas



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Felipe Louzas

Head de Marketing & PMM da Claranet Brasil

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