
O mercado de Internet das Coisas (IoT) no Brasil mantém a perspectiva de expansão nos próximos anos, embora ainda enfrente entraves para alcançar escala. 88,5% dos profissionais do setor projetam crescimento, sendo 47,5% em ritmo moderado e 41% de forma acelerada, indica o estudo Panorama do IoT no Brasil 2026.
Os citados entraves se devem a um desenvolvimento desigual. Enquanto 86,9% das empresas participantes atuam como fornecedoras de soluções, 13,1% representam usuários finais. O desequilíbrio ajuda a explicar por que, mesmo com tecnologia disponível, o IoT ainda não atingiu ampla escala no país.
Entre os fornecedores, a principal dificuldade está na infraestrutura de conectividade, citada por 24,5% dos respondentes. Na sequência aparecem a escalabilidade das soluções (20,8%) e a adesão dos clientes (17%). Do lado das empresas usuárias, os desafios assumem outra configuração. A falta de conhecimento técnico lidera, mencionada por 37,5%, seguida pela dificuldade de integração com sistemas já existentes, apontada por 25%.

O comportamento de investimento reforça esse cenário. Nos últimos 12 meses, 37,5% das empresas destinaram até R$ 100 mil a projetos de IoT, enquanto a mesma proporção não realizou aportes, evidenciando um mercado ainda concentrado em iniciativas piloto e em fase de validação. Na leitura do setor, o avanço depende menos de evolução tecnológica e mais de maturidade de mercado.
Bastidores estruturais do mercado
A adoção do IoT se concentra em setores com maior demanda por eficiência operacional. A Indústria 4.0 responde por 17% das aplicações, seguida por utilities, com 15,1%, e logística e transporte, com 13,2%, reforçando o uso da tecnologia em automação, monitoramento e controle de ativos.
O estudo sinaliza um avanço no nível de maturidade do mercado. As soluções completas e os dispositivos conectados lideram, ambos com 20,8%, indicando a transição de ofertas fragmentadas para modelos mais integrados, que combinam hardware, software, conectividade e análise de dados.

A inteligência artificial aparece como principal vetor de transformação. Entre as tecnologias emergentes, a IA aplicada ao IoT lidera com 39,6%, à frente de edge computing (18,9%) e de redes privativas e gêmeos digitais, ambos com 9,4%. Atualmente, 52,8% das empresas desenvolvem soluções com a tecnologia, enquanto 35,8% já as disponibilizam ao mercado.
As projeções indicam que o próximo ciclo será marcado pela convergência entre IoT e IAl, apontada por 67,2% dos entrevistados, além da expansão de tecnologias como 5G e edge computing. O cenário delineia um mercado que avança em capacidade tecnológica, mas que ainda precisa superar limitações estruturais para converter potencial em crescimento sustentado.
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