MADE POSSIBLE BY

Powered by

MADE POSSIBLE BY

Powered by

MADE POSSIBLE BY

Powered by

Acessibilidade no varejo: o “lado B” da era da experiência e o caminho para crescer sem excluir

COMPARTILHAR ESSE POST

Tempo de Leitura 4 min

Acessibilidade no varejo: o “lado B” da era da experiência e o caminho para crescer sem excluir

Na última década, a experiência do cliente tem sido discutida nas mesas de reuniões das empresas e aplicada em iniciativas do varejo com foco na exploração dos cinco sentidos. No digital, o termo é a centralidade do usuário que norteia os deploys. Mas, afinal, de qual cliente ou usuário estamos falando?   

Viramos mestres em mapear jornadas, reduzir cliques, automatizar atendimentos, personalizar vitrines com dados e “otimizar fricção” com tecnologia. O problema é que, quando tudo vira fluxo, velocidade e estímulo, uma parte relevante do público fica para trás — não por falta de interesse, mas por barreiras reais de acesso, sensoriais, cognitivas, físicas e culturais.

O WGSN trouxe uma discussão importante em um de seus últimos relatórios. Diversidade, equidade e inclusão (DEI) seguem como expectativa do consumidor e funcionam como alavanca para confiança, fidelidade e crescimento sustentável. E não é só uma questão de responsabilidade social, é estratégia competitiva capaz de destravar novos mercados e aprofundar lealdade. 

A provocação que fica para o varejo é simples: a experiência é fluida para quem? E, principalmente, quem está abandonando o carrinho porque o ambiente — físico ou digital — foi desenhado para um único tipo de cliente?


O consumidor está sinalizando que inclusão importa — e que omissão custa. No Brasil, estima-se que entre 15% e 20% da população brasileira seja neurodivergente, o que corresponde a aproximadamente 32 a 43 milhões de pessoas. Esse número abrange diversas condições, como autismo, TDAH, dislexia, discalculia, entre outras. Especificamente sobre o autismo, o Censo de 2022 do IBGE identificou 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas.

Estamos falando de pessoas que saem da loja ou abandonam o carrinho porque a música está alta demais (50%), a luzes estão fortes (37%) ou os anúncios no alto-falante incomodam (36%), segundo dados da Clear Channel UK. 

De acordo com pesquisa da Kantar, 62% da Geração Z e 57% dos Millennials não apoiam empresas que não demonstram um compromisso claro com causas sociais e ambientais. No Reino Unido, supermercados perdem cerca de US$ 18,4 milhões por semana por não atenderem às necessidades dos autistas, já que esses ambientes são frequentemente identificados como os mais estimulantes e exaustivos do varejo. 


Lá fora, essa preocupação é real e soluções já são colocadas em prática. A Lush, marca de cosméticos naturais britânica, firmou uma parceria com a organização sem fins lucrativos KultureCity para treinar funcionários e equipar lojas com ferramentas de acessibilidade sensorial (óculos que reduzem o efeito estroboscópico, brinquedos sensoriais e fones de ouvido antirruído), oferecendo uma experiência de compra mais calma a todo momento — e não apenas em horários restritos.

A Primark, loja de vestuário do Reino Unido, está expandindo os horários de compra silenciosos e introduzindo equipes de apoio treinadas (identificáveis por coletes coloridos). Além disso, lançou a etiqueta "Extra Comfort", que identifica roupas infantis sem etiquetas e com costuras planas, projetadas para o conforto de quem tem baixa tolerância sensorial.

A The Perfume Shop, e-commerce de perfumes do Reino Unido, fez uma parceria com a CityMaaS para lançar uma camada de acessibilidade personalizada em seu site. O recurso permite que os compradores ajustem contraste, espaçamento, transcrições, animações e navegação para tornar a descoberta de fragrâncias mais acessível.

E o que empresas brasileiras podem fazer para deixar suas lojas mais acessíveis e inclusivas? A seguir, listo 7 dicas para já começar a colocar em prática. 


  1. Implemente horários de silêncio agendados. Ofereça sessões de compras tranquilas com luzes reduzidas, sem música e atividade mínima em telas digitais.

  2. Ofereça infraestrutura física adequada. Invista em salas permanentes de calma ou silêncio, equipe de apoio, kits de relaxamento, iluminação suave e isolamento acústico.

  3. Desenvolva aplicativos com mapa sensorial. Avise sobre a ocupação da loja em tempo real, previsão de ruído e descrição de iluminação. Replique essas informações em pontos táteis na entrada. A previsibilidade reduz ansiedade, evita abandono e melhora o planejamento da compra.

  4. Ofereça clareza e navegação intuitiva no layout. Simplifique sinalização, garanta linhas de visão limpas para facilitar a orientação. Isso melhora a experiência de todos, não só de públicos sensíveis. 

  5. Implemente checkout e provadores sem atrito. Redesenhe o pagamento para ampliar autonomia e dignidade, com balcões ajustáveis, opções híbridas (humano/autoatendimento), voz e braille. Some provadores RFID que permitem pedir, trocar e pagar no local. Isso reduz esforço físico e dependência de funcionários.

  6. Ofereça acessibilidade personalizada via IA. Use o app como painel de acessibilidade para o cliente definir limites sensoriais, apoio de navegação e estilo de atendimento antes da visita. Esses dados criam perfis de preferência que ajudam a loja a preparar um atendimento mais adequado e previsível.

  7. Proporcione ambientes responsivos em tempo real. Saia do “tamanho único” e use sensores/IA para ajustar luz, som, sinalização e fluxo conforme densidade e conforto sensorial. Com divisórias modulares e paredes digitais, o espaço se adapta a eventos e a diferentes perfis de compradores.


COMPARTILHAR ESSE POST

Caline Migliato

Professora de Marketing do Curso de Administração da ESPM

AUTOR

Caline Migliato

Professora de Marketing do Curso de Administração da ESPM

AUTOR

Caline Migliato

Professora de Marketing do Curso de Administração da ESPM

AUTOR

Tempo de Leitura 4 min

não perca uma novidade!

Inscreva-se e receba todas as novidades
de marketing. Entre na comunidade!

Inscreva-se na newsletter para receber as últimas notícias do

Mundo do Marketing na sua inbox.

Formulário enviado com sucesso!

não perca uma novidade!

Inscreva-se e receba todas as novidades
de marketing. Entre na comunidade!

Inscreva-se na newsletter para receber as últimas notícias do

Mundo do Marketing na sua inbox.

Formulário enviado com sucesso!

O Mundo do Marketing é o principal portal jornalístico sobre o tema no Brasil, acessado por mais de 500 mil habitantes, entre VPs, Diretores, Gerentes, Coordenadores e Analistas de Marketing.

COPYRIGHT © mundo do marketing - todos direitos reservados

explorar