Transformações regulatórias, pressão por sustentabilidade e a mudança no comportamento do consumidor estão forçando marcas de beleza e cuidados pessoais a reverem suas estratégias de embalagem. Em 2026, esse movimento se consolida em quatro frentes principais: a aceleração do uso do papel, a adoção de embalagens conectadas, o avanço da personalização e dos modelos de assinatura, e a necessidade de repensar os sistemas de refil.
O uso de papel e de híbridos à base de papel deixa de ser uma alternativa de nicho e passa a ocupar espaço central no design de embalagens do setor. O material apresenta menor intensidade de carbono quando comparado ao plástico.
A evolução tecnológica e o aumento da demanda tornaram viável o uso de polpa de papel moldada, antes limitada por custos elevados de moldes, ampliando suas aplicações desde embalagens premium até soluções de proteção industrial.
Materiais alternativos, como fibras de cana-de-açúcar, cascas de coco e embalagens feitas a partir de polpa de frutas, também ganham espaço por serem biodegradáveis, renováveis e, em muitos casos, derivados de resíduos industriais.

Paralelamente, as chamadas embalagens conectadas passam a ser tratadas como um requisito estratégico. Formatos complexos, materiais mistos e embalagens pequenas dificultam a reciclagem, ao mesmo tempo em que exigências estéticas e regulatórias permanecem elevadas.
Nesse contexto, a inteligência artificial começa a ser usada para analisar impacto ambiental, reciclabilidade, custo e desempenho dos materiais, integrando dados de fornecedores, bases ambientais e normas de compliance.
A adoção dessas tecnologias também responde a exigências regulatórias iminentes. A substituição de códigos de barras por QR codes a partir de 2027, prevista pelo GS1 Sunrise, e a implementação dos Passaportes Digitais de Produto até 2030 tornam as embalagens conectadas uma necessidade operacional.
Além disso, as marcas passam a ser obrigadas a rastrear e reportar todo o ciclo de vida das embalagens, oferecendo transparência total sobre materiais, reciclabilidade e pegada de carbono.

Outro eixo de transformação envolve a personalização e os modelos de assinatura. A demanda por produtos personalizados continua em expansão nas categorias de bens de consumo, e a embalagem assume papel central para viabilizar experiências mais sustentáveis e funcionais.
Embalagens reutilizáveis, minimalistas e visualmente cuidadas tornam-se padrão em marcas bem-sucedidas, especialmente em entregas recorrentes. Soluções como latas reutilizáveis para skincare, utensílios duráveis em substituição a descartáveis e sistemas modulares — nos quais apenas o refil varia entre produtos — contribuem para a redução de resíduos e para a fidelização do consumidor.
A personalização, nesse contexto, vai além da customização estética e passa a envolver frequência de entrega, seleção de produtos e até variações sazonais de embalagem, apoiadas por análises preditivas baseadas em dados e inteligência artificial.
Por fim, o modelo de refil entra em uma fase de revisão. Embora continue relevante do ponto de vista ambiental, sua adoção em larga escala esbarrou em problemas de execução, como instruções pouco claras, formatos pouco atrativos e baixa conveniência. A tendência para 2026 aponta para modelos mais passivos, integrados a assinaturas ou entregas automáticas antes do esgotamento do produto, reduzindo barreiras de uso.
Também ganham espaço estações de refil em lojas físicas e ativações temporárias associadas a programas de fidelidade. Para que o modelo se sustente, no entanto, as soluções precisam oferecer o mesmo nível de conveniência, acabamento e percepção de valor das embalagens descartáveis.
Educação do consumidor, design mais sofisticado e desenvolvimento de produto orientado por dados passam a ser condições essenciais para o sucesso dessa estratégia.
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