
O YouTube chega a uma nova etapa no mercado brasileiro ao deixar de disputar atenção apenas como plataforma de vídeo e ocupar um espaço cada vez maior na televisão conectada, no entretenimento ao vivo e nas jornadas de consumo. Durante o Brandcast 2026, realizado em São Paulo, a empresa apresentou uma estratégia que combina escala de audiência, Creator Economy, futebol, conteúdo multiformato e inteligência artificial para ampliar as possibilidades de atuação das marcas.
Os números ajudam a dimensionar essa mudança. O YouTube alcança mais de 130 milhões de brasileiros com 18 anos ou mais e já soma mais de 90 milhões de espectadores na TV Conectada. Segundo levantamento da Kantar, a plataforma é considerada pelos espectadores brasileiros como a principal para streaming de conteúdo em vídeo, à frente de serviços de streaming e outras plataformas digitais.
A expansão do conteúdo ao vivo faz o canal ganhar força. A transmissão da final da Copa do Mundo de 2026 entre Espanha e França, pela CazéTV, atingiu pico de mais de 23 milhões de espectadores simultâneos no Brasil, segundo dados internos do YouTube. O resultado estabeleceu um recorde mundial da plataforma em uma única transmissão ao vivo.

O avanço do esporte representa mais do que a chegada de grandes audiências a uma plataforma digital. O YouTube passa a concentrar, em um mesmo ambiente, propriedades capazes de combinar alcance, comunidade, conteúdo de creators e diferentes formatos de publicidade. O futebol se torna um dos principais motores dessa estratégia, já que além do Brasileirão, a plataforma terá partidas da Copa Sul-Americana e, em 2027, transmitirá gratuitamente os 64 jogos da Copa do Mundo Feminina pela CazéTV. Mais de 60 campeonatos de futebol já têm cobertura ou transmissão no YouTube no Brasil.
Da tela do celular para a sala de estar
A expansão para a TV conectada altera também a percepção do YouTube dentro do planejamento de mídia. O consumo deixa de estar associado apenas à tela individual do celular e passa a disputar espaço diretamente com a televisão tradicional e os serviços de streaming. Dos mais de 130 milhões de brasileiros alcançados pela plataforma, 90 milhões assistem a conteúdos por meio de TVs Conectadas. O Mundial de 2026 ajudou a acelerar esse comportamento, segundo o YouTube.
A consequência para anunciantes é a possibilidade de trabalhar uma jornada menos fragmentada entre formatos. Vídeos longos, transmissões ao vivo, podcasts e Shorts fazem parte de um mesmo ecossistema, permitindo que uma estratégia de marca acompanhe diferentes momentos de consumo em vez de depender de um único formato.

Os Shorts, por exemplo, apresentam uma audiência que não está integralmente sobreposta às principais plataformas concorrentes. Segundo dados da GWI, 62% dos usuários brasileiros de YouTube Shorts pesquisados não utilizam Instagram Reels, enquanto 28% não utilizam TikTok.
Essa sobreposição parcial amplia o argumento do YouTube como complemento de mídia, e não apenas como mais um canal para redistribuir a mesma campanha. Para marcas, a questão passa a ser como construir narrativas que aproveitem as características de cada formato e, ao mesmo tempo, mantenham coerência ao longo da jornada.
Creator Economy ganha peso no negócio das marcas
A relevância dos creators também muda de escala. De acordo com estudo da Oxford Economics citado pelo YouTube, o ecossistema da plataforma movimentou mais de R$ 6 bilhões para o PIB brasileiro em 2025 e foi responsável por mais de 150 mil empregos equivalentes em tempo integral.
A força desse ecossistema está relacionada não apenas ao volume de audiência, mas à relação construída entre criadores e comunidades. Pesquisa da Kantar aponta que 87% dos espectadores brasileiros consideram que o YouTube reúne os criadores mais confiáveis entre plataformas digitais, serviços de streaming e televisão. A confiança passa a funcionar como ativo de comunicação. A associação com creators não se limita à compra de alcance: envolve contexto, linguagem e legitimidade dentro de comunidades específicas.
O próprio YouTube vem ampliando recursos para transformar a atividade dos criadores em negócios mais estruturados, incluindo ferramentas de análise e produção baseadas em IA, dublagem automática em transmissões ao vivo e recursos de proteção de imagem e voz. A chegada da Amazon.com.br ao YouTube Shopping também aproxima conteúdo e comércio ao permitir a marcação de produtos em conteúdos de criadores participantes.

Microdramas aproximam conteúdo e conversão
Um dos exemplos apresentados no Brandcast mostra como a estratégia pode sair da lógica de audiência e chegar ao negócio. O Banco BV utilizou o crescimento dos microdramas verticais para desenvolver a mininovela “Organização Pura”, distribuída no YouTube Shorts. O formato ganhou escala rapidamente: no primeiro semestre de 2026, os microdramas verticais ultrapassaram 6,5 bilhões de visualizações globais no YouTube, enquanto o tempo de exibição cresceu mais de 50% em relação ao ano anterior.
O Banco BV adaptou a linguagem para falar sobre investimentos e utilizou criadores e storytelling serializado para apresentar produtos de CDB. A campanha acumulou mais de 150 milhões de visualizações e 200 mil curtidas. Mais importante para a estratégia de Marketing, o banco registrou aumento de 54% nas buscas pelo termo Banco BV e crescimento de 21% no volume financeiro investido em CDBs na semana de lançamento da produção.
O caso indica uma mudança relevante na relação entre conteúdo e performance. Em vez de separar entretenimento e conversão em etapas distintas, marcas podem utilizar formatos culturais para construir atenção e conduzir o consumidor até uma ação de negócio.

IA entra como infraestrutura do ecossistema
A inteligência artificial aparece no Brandcast como uma camada transversal dessa transformação. Para o YouTube, a tecnologia está relacionada tanto à evolução da experiência dos creators quanto à capacidade das marcas de operar em um ambiente com mais formatos, conteúdos e comportamentos de consumo.
A plataforma apresentou recursos voltados à produção, análise e otimização de conteúdo, incluindo a evolução do Ask Studio, ferramenta que auxilia criadores no diagnóstico de métricas, teste de formatos e aprimoramento da produção. A discussão mais importante para o Marketing, porém, não está apenas nas novas funcionalidades. Com audiência distribuída entre TV conectada, Shorts, vídeos longos, podcasts, transmissões esportivas e conteúdos de creators, a capacidade de conectar diferentes pontos da jornada ganha importância.
“A Era YouTube”, conceito apresentado pela empresa no Brandcast, representa justamente essa mudança de papel: de uma plataforma centrada no vídeo para um ecossistema em que conteúdo, comunidade, entretenimento e comércio passam a coexistir.
O desafio agora é entender o papel que a plataforma ocupa na estratégia de audiência, construção de marca e geração de negócio, além de como creators, formatos, cultura e dados podem trabalhar juntos nessa equação.
Leia também: YouTube muda jogo para marcas e creators transformando conteúdo em ativo de mídia e vendas
COMPARTILHAR ESSE POST









