
O mercado brasileiro de eventos projeta crescimento, mas a adoção de tecnologia ainda avança em ritmo desigual. 30,6% dos profissionais afirmam que suas organizações utilizam pouca ou nenhuma tecnologia nos eventos, segundo o levantamento Panorama de Eventos 2026, realizado pelo Mundo do Marketing em parceria com a Promoview. O percentual supera os 26,9% que relatam uma adoção bastante intensa ou totalmente integrada. A maior parcela, 42,4%, classifica o uso de tecnologia como moderado.
Entre as ferramentas mais utilizadas, a tecnologia aparece principalmente associada à operação e à captura de informações. 53,1% utilizam soluções para captura de leads, enquanto 51,4% adotam bilheteria e credenciamento digital. Aplicativos de eventos aparecem em 42,4% das organizações, seguidos por soluções de CRM e automação, com 31,8%, e ferramentas de matchmaking, com 30,6%.
A adoção diminui quando a tecnologia passa a atuar sobre análise, personalização e tomada de decisão. Analytics e dashboards em tempo real são utilizados por 21,2%, enquanto 18,8% recorrem a sistemas de recomendação de conteúdo e networking. Soluções de Inteligência Artificial para personalizar a agenda do participante aparecem em apenas 14% das organizações.

O cenário indica que a digitalização dos eventos ainda está mais concentrada em tornar a operação eficiente do que em transformar a experiência. O credenciamento, a bilheteria e a captura de leads já fazem parte da estrutura de uma parcela relevante do mercado, enquanto ferramentas capazes de interpretar dados e personalizar a jornada têm presença menor.
Tecnologia ainda não é sinônimo de experiência
A diferença também aparece quando os profissionais apontam o que mais impacta a experiência do participante. O conteúdo e a qualidade da programação lideram, com 63,3%, seguidos por conforto físico, com 60,8%, e geração de negócios e oportunidades, com 54%. Tecnologia e experiência digital aparecem em 35,9% das respostas.
O dado ajuda a colocar a discussão tecnológica em perspectiva. A tecnologia não aparece como substituta dos elementos básicos da experiência, mas como uma camada que pode apoiar conteúdo, relacionamento, personalização e geração de negócios.
A própria infraestrutura ainda representa um desafio para essa evolução. A conectividade ou Wi-Fi instável é apontada por 49,8% dos profissionais como um dos principais gargalos dos eventos, à frente de trânsito e acesso, com 43,7%, e alimentação, com 35,1%.
O desafio está em avançar da tecnologia usada para operacionalizar o evento para aquela capaz de conectar dados, experiência e relacionamento. O espaço para evolução aparece tanto na baixa adoção de analytics e IA quanto na necessidade de garantir uma infraestrutura básica que sustente a experiência presencial.
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