
O Web Summit Rio é aquele tipo de evento que não nos permite dar “só uma passada”. São três dias em ritmo de maratona, com programação acontecendo o tempo inteiro em palcos distribuídos entre grandes pavilhões, além das salas menores dedicadas às masterclasses. Na prática, isso cria uma sensação de abundância de conteúdo e, ao mesmo tempo, de escolhas difíceis. Enquanto você está em uma palestra sobre aquisição, há outra acontecendo sobre IA e uma terceira debatendo comunidade e marca. É um formato que dá a sensação de que estamos sempre perdendo alguma coisa importante.
Do ponto de vista de organização, o evento impressiona pelo controle do tempo. As palestras têm cerca de 30 minutos e entram em sequência, muito bem cronometradas e praticamente sem atrasos. Isso não é um detalhe operacional, é uma decisão de experiência. Quando o relógio funciona, o participante consegue organizar a agenda e viver o que programou. O contraponto é inevitável, com pouco tempo disponível, os temas dificilmente chegam em profundidade, onde se ganha em variedade, perde-se em mergulho.

Um acerto que merece destaque é o aplicativo do Web Summit, que vira o ponto de partida para navegar a experiência inteira. Em um evento enorme, com palcos espalhados e conteúdo simultâneo, o mapa dentro do app deixa de ser comodidade e passa a ser ferramenta de sobrevivência. É por ali também que a agenda de programação está completa e atualizada para você montar uma trilha realista entre tantas sessões. Outro diferencial é a tradução em tempo real das palestras em inglês, que vi muita gente usando de fone durante as talks para acompanhar sem perder nuances. E, acima de tudo, o app funciona como camada de networking do evento, facilitando conectar e manter contato com as pessoas que você encontra nos corredores e nos estandes.
Entre os assuntos, não houve dúvida sobre o protagonista. Inteligência artificial estava em todo lugar, não só como tendência, mas como vocabulário comum. O mais interessante foi perceber que a IA deixou de ser um tema restrito a tecnologia e virou pauta transversal em conversas que atravessaram marketing, esportes, mercado financeiro, creator economy e mídia. Em vários painéis as ideias principais falam sobre como encaixar IA nos processos sem quebrar o que já funciona, como manter qualidade em escala, como proteger reputação, qual o futuro dessa tecnologia e como transformar ganho de produtividade em vantagem competitiva de verdade.
Fora do palco, nos estandes e nos corredores, a cena também dizia muito sobre o momento do mercado. Startups e grandes empresas dividem o mesmo espaço e, nessa convivência, fica mais fácil enxergar como os desafios mudam de forma conforme o negócio cresce. Nas menores, o foco costuma ser velocidade de teste, encontrar um canal de aquisição que sustente crescimento e provar retorno com pouco recurso. Nas maiores, a conversa vai para integração, governança e consistência, porque a complexidade aumenta junto com a escala.

Foi nesse cenário que conduzi uma masterclass de Growth que serviu como contraponto ao ritmo acelerado do evento. Com mais tempo, mais cadeiras e um ambiente fechado para foco, deu para aprofundar uma estratégia sobre como montar um stack de Growth que realmente entrega ROI. A conversa foi sobre como evitar o tool sprawl e desenhar um stack enxuto, integrado e automatizado, onde os dados fluem do lead ao pagamento sem atrito. O objetivo foi mostrar como medir ROI de forma honesta, incluindo custo de operação e tempo do time, e transformar isso em eficiência real no funil, com impacto em CAC, conversão e retenção. E talvez essa seja a síntese do evento.
Minha percepção final do Web Summit Rio 2026 é que a régua subiu. O público quer agenda intensa, boa operação e conteúdo que conecte tendências a decisões reais, e quer isso com curadoria que respeite diferentes maturidades de negócio. O formato acelerado cumpre bem o papel de ampliar repertório e gerar encontros, mas também valoriza cada vez mais os espaços de aprofundamento, onde dá para transformar buzzword em prática.
No fim, eventos como o Web Summit Rio são um termômetro de mercado, mostrando quais temas amadureceram, quais ainda estão em disputa e quem está realmente preparado para executar o que todo mundo está discutindo.
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