
O mercado pet no varejo alimentar passa por mudanças no perfil de consumo em 2026, com avanço da alimentação para gatos e crescimento de categorias como vestuário e suplementos. A participação da alimentação para gatos nas vendas da cesta pet passou de 28,4% para 31% no acumulado do ano, enquanto a alimentação para cães recuou de 56,2% para 54,1%, apontam dados da Scanntech.
Os números acompanham uma transformação no perfil das famílias brasileiras. Dados do Censo do IBGE mostram que os lares unipessoais passaram de 10% para 19% entre 2010 e 2022, enquanto a participação dos casais sem filhos avançou de 20,2% para 24,1%. Felipe Passarelli, Head de Inteligência de Mercado da Scanntech, avalia que o aumento da presença de gatos está relacionado às características desses animais e ocorre pelo crescimento da quantidade comprada, e não por aumento de preços.
Os números vêm se consolidando nos últimos anos e acompanham uma mudança estrutural no perfil das famílias. Segundo o Censo do IBGE, os lares unipessoais passaram de 10% para 19% entre 2010 e 2022, e os casais sem filhos, de 20,2% para 24,1%. Em residências menores e com menos moradores, o gato tende a ganhar espaço pelo porte e pela independência. E o crescimento vem da quantidade comprada, não de aumento de preço: o consumidor está, de fato, levando mais produtos para gatos.

Vestuário e suplementos avançam
Fora da alimentação, vestuário e suplementos estão entre as categorias que mais cresceram no período, embora ainda tenham participação reduzida no mercado pet. Os dados, coletados diretamente dos cupons fiscais de venda, mostram alta de 102,2% no faturamento de vestuário pet, acompanhada por crescimento de 35,7% nas unidades vendidas. Nos suplementos, o faturamento avançou 42,2%, enquanto as unidades cresceram 32,6%.
Em higiene, os resultados indicam uma influência maior dos preços. A areia higiênica teve alta de 7,6% em faturamento, com estabilidade nas unidades (+0,1%). Os produtos antipulgas e carrapatos cresceram 12,4% em faturamento e 0,9% em unidades. Já o tapete higiênico registrou avanço de 5,1% no faturamento e de 2,1% nas unidades.
O desempenho foi negativo em acessórios e produtos para banho. Os acessórios recuaram 10,9% em faturamento e 13,6% em unidades, enquanto os produtos para banho tiveram queda de 4,4% no faturamento e de 9,9% nas unidades.
Em itens de higiene como areia e antipulgas, o faturamento sobe com unidades praticamente estáveis, ou seja, o que move a categoria é o preço. Já em acessórios e banho, a queda aparece nas duas métricas. Entender se o motor de cada categoria é demanda, preço ou mix é o que permite à indústria e ao varejo enxergar onde estão as oportunidades, avalia Passarelli.

Rações úmidas e petiscos ganham espaço
Dentro da alimentação para gatos, o crescimento aparece em diferentes tipos de produtos. A ração seca, responsável por 17,5% das vendas da cesta pet, cresceu 12,4% em faturamento e 14,6% em unidades. A ração úmida avançou 11,9% em faturamento e 9,9% em unidades.
O maior crescimento foi registrado pelos petiscos, que tiveram alta de 26,1% em faturamento e 23,1% em unidades. A categoria também ampliou a participação nas vendas pet, passando de 1,8% para 2,2%.
Entre os produtos para cães, os resultados foram diferentes. A ração seca, principal item da categoria, recuou 1,3% em faturamento, mesmo com crescimento de 2,1% nas unidades vendidas. A ração úmida registrou alta de 4,9% em faturamento e de 3,1% em unidades.
Dados ajudam a identificar os motores de cada categoria
O levantamento da Scanntech é baseado em dados coletados diretamente dos cupons fiscais de venda. A empresa combina tecnologia e dados para monitorar o varejo e a indústria de bens de consumo na América Latina.
A base reúne mais de 16 bilhões de tickets de compra por ano, correspondentes a R$ 1,2 trilhão em vendas ao consumidor, além de 2 bilhões de pontos de estoque diários e tokens que indicam o comportamento de 60 milhões de consumidores. Essas informações são utilizadas para apoiar decisões estratégicas e táticas de empresas do varejo, da indústria e de distribuidores.
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