
Na última quinta-feira (15), a Tesla apresentou uma versão “voadora” do modelo Roadster. Em um evento no Texas, a marca executou uma sessão demonstrativa que incluiu uma manobra em que o veículo percorreu uma rampa invertida, girou no ar e retornou ao solo, além de um salto sobre outros veículos da montadora. O carro esportivo elétrico é resultado de uma colaboração com a SpaceX, empresa aeroespacial de Elon Musk, CEO da Tesla.
A apresentação representa um avanço em relação às promessas feitas por Musk desde 2018, quando ele mencionou a possibilidade de equipar o Roadster com pequenos propulsores semelhantes aos utilizados em foguetes. Ainda assim, o modelo não deve ser confundido com uma aeronave capaz de transportar passageiros por longas distâncias. O que foi demonstrado até agora são manobras aéreas de curta duração, e não um automóvel capaz de substituir aviões ou helicópteros no transporte cotidiano.
Para transformar a demonstração em um produto utilizável, a Tesla terá de comprovar a segurança do sistema de propulsão, a estabilidade durante as manobras, a confiabilidade dos componentes e os procedimentos de operação e manutenção. Nos Estados Unidos, veículos que operam no espaço aéreo estão sujeitos às regras da Administração Federal de Aviação (FAA), além das exigências aplicáveis aos automóveis em circulação. A configuração final do Roadster e o tipo de operação pretendida determinarão quais certificações e restrições serão necessárias.
Há, ainda, uma diferença importante entre demonstrar a tecnologia em uma instalação controlada e disponibilizá-la ao público. O uso de propulsores, reservatórios pressurizados e sistemas de controle de voo exige avaliação de riscos que vai além da aceleração ou da autonomia de uma bateria. Pensando nisso, a Tesla precisará esclarecer como pretende conciliar esses recursos com a circulação rodoviária, quais condições seriam necessárias para as manobras aéreas e quais limitações se aplicariam aos compradores.

Como funciona o carro voador da Tesla
A tecnologia apresentada combina propulsores de gás frio, um sistema de sucção e componentes associados à experiência da SpaceX em engenharia aeroespacial. Lars Moravy, vice-presidente de Engenharia de Veículos da Tesla, explicou que o sistema utiliza dez bocais de propulsão conectados a reservatórios com capacidade total de 600 litros de ar comprimido. A liberação controlada do gás gera o impulso necessário para erguer o veículo e executar movimentos no ar.
O sistema de sucção também tem uma função específica nas demonstrações: permite que o automóvel permaneça aderido a uma rampa invertida durante parte do percurso. Na sequência, os propulsores ajudam a controlar a rotação e o retorno ao solo. A combinação dessas tecnologias permite executar movimentos incomuns para um carro convencional, mas não comprova, por si só, a viabilidade de voos prolongados, decolagens em espaços urbanos ou deslocamentos aéreos com passageiros em condições normais de uso.
Durante o evento, Musk afirmou que o veículo poderá realizar manobras desse tipo sob demanda. A Tesla também apresentou uma demonstração de aceleração de zero a 60 milhas por hora, aproximadamente 97 km/h, em menos de um segundo. A companhia declarou ainda que o esportivo poderá superar 370 km/h e percorrer mais de 480 quilômetros com uma carga, embora esses números sejam especificações anunciadas pela empresa, e não uma avaliação independente de desempenho em condições comerciais.

Roadster terá três versões e reservas de até US$ 250 mil
A Tesla apresentou três configurações para o veículo. A versão Performance foi descrita como voltada ao uso rodoviário; a Thrust acrescenta propulsores para melhorar o desempenho; e a Rocket, destinada a clientes convidados, inclui um sistema completo de voo e configuração para apenas um ocupante.
De acordo com as informações publicadas após o evento, a reserva da versão Performance exige um depósito de US$ 50 mil, enquanto a Thrust demanda US$ 250 mil. A Tesla não divulgou um preço final atualizado para todas as configurações durante a apresentação. O valor do depósito, portanto, não deve ser interpretado automaticamente como o preço total do automóvel.
Musk indicou 2028 como o ano previsto para o início da produção. A data, no entanto, precisa ser considerada uma meta, e não uma garantia de entrega. A segunda geração do Roadster havia sido apresentada inicialmente em 2017, quando a Tesla prometeu iniciar as entregas em 2020. Desde então, o projeto acumulou adiamentos, e a nova apresentação não elimina as incertezas sobre o cronograma de fabricação.
O Roadster tem importância para a Tesla que vai além do volume de vendas esperado. O modelo funciona como um veículo de demonstração tecnológica, reunindo desempenho elétrico, aerodinâmica e soluções desenvolvidas com a SpaceX. A colaboração também reforça a conexão entre as empresas de Musk, em um momento no qual a Tesla direciona parte de sua estratégia para inteligência artificial, condução autônoma e robótica.
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