
A Smart Fit fechou um acordo para comprar até 20% do Buddha Spa, rede brasileira de spas urbanos, em uma operação que pode chegar a R$ 32 milhões. O contrato, informado pela Smart Fit ao mercado nesta segunda-feira (5), inclui uma opção de compra de outros 10% do capital, o que pode levar a participação do grupo de academias a até 30%. A gestão do Buddha Spa continua com a diretoria atual, e a Smart Fit entra como sócia minoritária.
O Buddha Spa completa 25 anos em 2026 e tem 149 unidades em 12 estados, 96% delas franqueadas, segundo o comunicado da Smart Fit. A rede oferece massagens, day spa, terapias faciais e tratamentos estéticos. Já a Smart Fit possui mais de 2,2 mil academias em 16 países. O preço final e o tamanho exato da fatia dependem do cumprimento de condições comerciais previstas no contrato, e parte dos recursos financiará a primeira unidade do Buddha Spa fora do Brasil, em Santiago, no Chile, com inauguração prevista para dezembro.
Segundo Gustavo Albanesi, CEO do Buddha Spa, a nova sócia traz, além de capital, experiência de expansão na região. A entrada da Smart Fit foi destacada como uma estratégia que reúne sócios e um time com amplo know-how para escalar negócios na América Latina, além de capital para acelerar os próximos movimentos da empresa, tanto na expansão internacional quanto em potenciais aquisições que possam complementar e ampliar seu ecossistema de negócios. A operação ocorre no momento em que a marca chega aos 25 anos, com presença nacional, marca consolidada no Brasil e um ecossistema de wellness que vai além das unidades, segundo o executivo.

Do treino à massagem: o ecossistema da Smart Fit
No comunicado ao mercado, a Smart Fit justificou o investimento como parte do esforço de ampliar a atuação em saúde e bem-estar e de fortalecer seu ecossistema com serviços complementares e marcas fortes. O movimento continua uma sequência de decisões que levaram o grupo para além da academia de baixo custo. Em 2024, a companhia comprou 100% da Velocity, rede de estúdios de bike indoor, por R$ 183 milhões. Em 2025, transformou a One Pilates em AERA Pilates, com aulas coletivas mais intensas e expansão por franquias.
A mesma estratégia apareceu em dezembro de 2025, quando a Bio Ritmo, marca premium do grupo, se reposicionou como um ecossistema de bem-estar integrado, com nutricionistas, fisioterapeutas e serviços inspirados em hotelaria. A plataforma de estúdios do grupo, a BEON Studios, reúne 192 unidades, 89% delas franqueadas, entre elas AERA Pilates e Velocity. Na semana passada, a Smart Fit fechou parceria com o Flamengo para abrir uma academia na sede da Gávea que inclui serviços de spa.
A diferença, agora, está no formato. Na Velocity, a Smart Fit comprou o controle e incorporou a operação. No Buddha Spa, fica com uma participação minoritária e deixa a marca sob o comando de quem a criou. Ainda não há informações sobre oferta de serviços do Buddha Spa dentro das academias ou dos estúdios do grupo, nem se os clientes das duas redes terão algum benefício cruzado.

Chile como laboratório para chegar a 100 unidades
A primeira unidade internacional do Buddha Spa será uma operação própria, instalada em Vitacura, bairro de alto padrão de Santiago. Na inauguração, a casa terá cerca de 70% do cardápio de serviços oferecido no Brasil e as terapias que ficarem de fora devem chegar depois como lançamentos no mercado chileno. Na sequência, a rede prevê uma segunda unidade no Chile e, depois, a entrada em Paraguai, Argentina, Colômbia e Peru, com a meta de chegar a cerca de 100 unidades na América Latina em cinco anos.
A empresa justifica a escolha do Chile com dados do Global Wellness Institute (GWI): segundo o Buddha Spa, o chileno gastou em média US$ 874 com bem-estar em 2024, contra US$ 592 do brasileiro. O mercado brasileiro é maior em volume, com cerca de US$ 125 bilhões, ante US$ 17 bilhões no Chile, mas o gasto por pessoa indica um consumidor disposto a pagar mais pelo serviço. O modelo de entrada começa com lojas próprias e só depois passa a parceiros locais.
Albanesi explica que primeiro quer fazer, aprender e construir o modelo internacional e que a operação própria permite entender profundamente cada mercado e garantir que a experiência Buddha seja reproduzida fora do Brasil com o mesmo padrão. No longo prazo, a empresa projeta mil unidades entre Brasil e exterior e diz estar entre as cinco maiores redes de spas urbanos do mundo, segundo levantamento próprio que exclui a China por falta de dados públicos. No Brasil, a rede procura um franqueado para abrir a primeira unidade em Brasília.

De rede de massagem a marca de produtos e formação
Antes da Smart Fit, o Buddha Spa já vinha crescendo por aquisições. Em 2025, comprou o Espaço Prana por R$ 7,5 milhões, incorporando cinco unidades em São Paulo, e a Pomander, marca de florais de Bach, óleos essenciais, home sprays e cosméticos naturais, em uma transação de R$ 4,8 milhões em capital, além de participação societária. Com os novos recursos, a empresa diz que seguirá avaliando compras com sinergia com o negócio.
O resultado é uma marca que vende serviço, produto e formação. O grupo reúne o Buddha Lab, que desenvolve e comercializa produtos; o Buddha College, que forma terapeutas; o Instituto Buddha Spa, voltado a projetos sociais; e uma frente de programas de bem-estar para empresas. Para o Marketing, a construção amplia os pontos de contato com o cliente para fora da sala de massagem: o consumidor pode encontrar a marca em casa, no trabalho ou numa prateleira.
"O spa é a nossa origem, mas não é mais o limite da marca. A experiência pode começar na unidade e continuar em casa, no trabalho, por meio de um produto, de um ritual ou do conhecimento. É essa conexão entre diferentes frentes que nos permite falar em um ecossistema de wellness", afirma Albanesi.

Speedo leva o mesmo consumidor para fora da piscina
No mesmo dia, outra marca nascida em uma categoria esportiva específica apresentou sua entrada no território do bem-estar. A Speedo Multisport lançou uma coleção de fitness e wellness com tops, leggings, shorts, peças únicas e jaquetas, dividida entre modelos de maior sustentação e modelos de maior liberdade de movimento.
A marca chama a proposta de "premium acessível". O primeiro ponto de contato será o OYÁ Wellness Club, encontro em Campinas que reúne atividades funcionais, yoga e experiências de autocuidado, em vez de um lançamento restrito ao ponto de venda. A Speedo não informou preços nem data de chegada às lojas.
A decisão mira em um dado importante: em 2025, as atividades fitness teriam crescido 36%, o Pilates 66%, o mat Pilates 114% e o yoga 28%. Segundo dados da Euromonitor, o mercado de sportswear movimentou R$ 36,8 bilhões no Brasil em 2025, alta de 13,6% sobre 2024.
A coleção se soma a uma diversificação que já incluía suplementos, dermocosméticos e equipamentos de academia, que fez as categorias não aquáticas crescerem 25% em 2024. As duas marcas disputam uma fatia de um mercado que, de acordo com o Global Wellness Institute, movimentou US$ 6,8 trilhões no mundo em 2024 e deve chegar a US$ 9,8 trilhões em 2029.
"Durante muito tempo, a indústria enxergou o consumidor esportivo a partir da modalidade que ele praticava. Essa fronteira está ficando cada vez menos rígida. A mesma pessoa pode correr pela manhã, fazer Pilates, participar de uma experiência de wellness e usar uma peça esportiva em outros momentos do dia. O Wellness abre uma nova ocasião de consumo porque conecta performance, bem-estar e estilo de vida, e é nesse espaço que queremos construir uma presença mais relevante para a Speedo", diz Roberto Jalonetsky, CEO da Speedo Multisport, em comunicado.
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