
Durante a pandemia, consolidou-se a percepção de que o avanço das plataformas digitais reduziria de forma definitiva a relevância dos eventos presenciais. Afinal, reuniões, lançamentos, negociações e conferências passaram a acontecer com eficiência por meio de telas, muitas vezes com menor custo e maior alcance. Parecia natural imaginar que esse seria um caminho sem volta.
A realidade, no entanto, mostrou outra direção. À medida que as restrições foram superadas, empresas e profissionais voltaram a se encontrar presencialmente em uma velocidade que poucos previram. Mais do que uma retomada, o mercado passou por uma transformação. Os eventos presenciais deixaram de ser vistos como uma alternativa ao digital e reafirmaram seu papel como espaços estratégicos para gerar negócios, fortalecer relacionamentos e acelerar decisões.
Os números ajudam a explicar esse movimento. Segundo o Barômetro UBRAFE/SPTuris, o mercado de eventos B2B movimentou R$ 5,4 bilhões na economia da cidade de São Paulo no primeiro semestre e registrou crescimento de 14% no número de visitantes únicos em relação ao mesmo período do ano anterior.

Esse cenário confirma uma mudança importante no comportamento das pessoas. O tempo presencial tornou-se um ativo ainda mais valioso. Se antes era comum participar de dezenas de eventos ao longo do ano, hoje, os executivos fazem escolhas mais criteriosas, priorizando ambientes que concentrem clientes, parceiros, conteúdo qualificado e oportunidades reais de negócios.
O resultado é que os eventos líderes de cada segmento se fortaleceram. São eles que concentram investimentos, atraem visitantes altamente qualificados e ampliam o interesse dos expositores. O mercado ficou mais seletivo, mas também mais eficiente.
Na Informa acompanhamos essa transformação de perto. Ao completar 30 anos de atuação no Brasil, vemos uma operação que hoje é duas vezes maior do que era antes da pandemia. Esse crescimento não aconteceu apenas porque o mercado voltou. Ele aconteceu porque o mercado evoluiu.

Hoje, uma feira de negócios não se resume aos dias em que acontece fisicamente. Ela passou a integrar uma estratégia contínua de relacionamento entre empresas, compradores e fornecedores. O encontro presencial continua sendo o momento de maior intensidade, mas é cada vez mais apoiado por inteligência de dados, plataformas digitais, geração de conteúdo e ferramentas que mantêm a comunidade conectada durante todo o ano.
Essa evolução também altera a forma como medimos sucesso. O retorno não está apenas no número de visitantes ou na metragem ocupada pelos estandes. Está na qualidade das conexões estabelecidas, na assertividade das agendas de negócios, na inteligência gerada a partir dos dados e na capacidade de criar oportunidades antes, durante e depois do evento.
Nesse contexto, a tecnologia assume um papel cada vez mais relevante. Inteligência artificial, análise preditiva e plataformas digitais ampliam a capacidade de conectar empresas aos públicos certos, personalizar experiências e tornar os investimentos mais eficientes. Curiosamente, quanto mais a tecnologia evolui, mais evidente se torna o valor do encontro presencial. O digital potencializa a experiência, mas dificilmente substitui a confiança construída em uma conversa frente a frente, na demonstração de um produto ou na negociação realizada pessoalmente.

Talvez essa seja a principal lição deixada pelos últimos anos. O futuro dos eventos nunca foi uma disputa entre o presencial e o digital. Ele está na integração entre esses dois mundos. As feiras de negócios permanecem como um dos principais ambientes de geração de negócios, inovação e desenvolvimento econômico porque conseguem reunir aquilo que nenhuma plataforma, isoladamente, entrega: pessoas, conhecimento, confiança e oportunidades compartilhando o mesmo espaço.
Se havia dúvidas sobre o papel dos eventos presenciais no mundo pós-pandemia, os resultados do mercado respondem de forma bastante clara. O setor não apenas recuperou sua relevância. Ele voltou mais estratégico, mais tecnológico e mais indispensável para empresas que entendem que crescimento continua sendo, antes de tudo, resultado de conexões de qualidade.
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