Durante muito tempo, eventos corporativos foram associados principalmente à visibilidade e ao fortalecimento de relacionamento. Ainda que esses fatores continuem relevantes, o marketing orientado ao crescimento vem redesenhando o papel desses encontros. Hoje, mais do que experiências de marca, eventos proprietários podem operar como plataformas estratégicas capazes de influenciar, acelerar oportunidades e sustentar expansão.
Esse movimento parte de uma mudança de mentalidade: eventos não devem existir como iniciativas paralelas do marketing, mas como parte integrada da estratégia comercial.
O Blip id ilustra bem essa transformação. Em sua quarta edição, realizada em 2025, o encontro se consolidou como o maior evento de inteligência conversacional do mundo, não apenas pela dimensão, mas pelo impacto direto que passou a exercer sobre o negócio.

A principal virada foi reposicionar o encontro entre pessoas no centro da estratégia de crescimento. Em um ambiente cada vez mais digital, pode parecer contraditório investir ainda mais em experiências presenciais ou híbridas. No entanto, quando estruturados com intencionalidade, esses momentos aprofundam relações, geram sinais claros de intenção de compra e encurtam ciclos comerciais.
O que antes era um evento majoritariamente voltado ao relacionamento com clientes evoluiu para uma plataforma estratégica de aquisição, expansão de contas e branding integrado.
Na prática, essa mudança se refletiu em diferentes frentes. O público deixou de ser predominantemente composto pela base para alcançar um equilíbrio entre clientes e prospects qualificados. A agenda também amadureceu: saiu de um foco concentrado em produto e uso para discussões de negócio, tendências e casos apresentados ao lado de parceiros globais, um formato mais aderente às necessidades de quem toma decisões.
Outra transformação relevante foi financeira. Eventos costumam nascer como linhas de investimentos dentro do orçamento de Marketing. O novo direcionamento passou a tratá-los como motores, com metas claras de ROI (Retorno Sobre Investimento) pós-evento e um plano estruturado para que se tornem autossustentáveis em até cinco anos, sustentados por patrocínios e ticketeria.

Essa evolução só é possível quando existe alinhamento real com as áreas de receita. Marketing, Pré-vendas, Vendas e Customer Centricity (Centralidade no Cliente) participam da construção desde o início, e o mês do evento já entra no planejamento comercial como um período de geração e aceleração de oportunidades. O resultado é uma mudança de lógica: o evento deixa de ser uma ação tática e passa a funcionar como engrenagem do crescimento.
Naturalmente, essa responsabilidade exige uma mensuração mais sofisticada, e ela acontece em duas camadas complementares.
A primeira é operacional, conectada ao funil de vendas: volume e qualidade de leads, aderência ao Perfil de Cliente Ideal (ICP), avanço nas etapas comerciais e oportunidades influenciadas após o evento.
A segunda está ligada à experiência, um fator cada vez mais determinante na construção de valor de marca. Indicadores como NPS, CSAT, engajamento e brand sentiment monitorados em tempo real por meio da própria tecnologia da companhia o que ajudam a entender não apenas o que foi gerado no curto prazo, mas a força da conexão construída com o público.
Colocar o produto no centro da experiência também se mostrou decisivo, desde que isso fosse feito de forma natural. Um exemplo foi a “ação do brigadeiro”: participantes interagiam via WhatsApp, escolhiam o sabor e retiravam o doce no local, percorrendo uma jornada conversacional completa. Mais do que uma ativação, a iniciativa materializou o valor da tecnologia em uma experiência simples, cotidiana e altamente compartilhável.
A estratégia de patrocínios seguiu a mesma lógica de intencionalidade. O modelo é seletivo, combinando aliados naturais, como Meta, Microsoft e Google, marcas que realmente dialogam com a proposta de valor do evento. Limitar as cotas foi uma decisão estratégica para preservar a experiência e garantir relevância, criando uma via de mão dupla entre o público ideal dos patrocinadores e os interesses da audiência.
Se há um elemento capaz de sustentar todo esse posicionamento, ele é a curadoria. Conduzida por um comitê multifuncional, ela garante que o palco principal conte a história do negócio, e não apenas da ferramenta. Isso desloca o evento do território de “user conference (conferência do usuário)” para o de “evento de mercado”, ampliando seu valor para executivos que buscam repertório estratégico.
O aprendizado que surge a partir dessa jornada é claro: um evento proprietário pode ser muito mais do que um ponto de contato. Quando bem arquitetado, torna-se uma plataforma de crescimento de marca e geração de receita.

Para empresas que planejam encontros corporativos, quatro direcionamentos tendem a fazer diferença:
Defina o papel no funil: tenha objetivos claros de relacionamento, aquisição ou expansão, que cubram metas de negócio em cima disso;
Valorize as métricas de experiência: trate NPS, social listening e experimentos de formato com a mesma seriedade que MQL e receita;
Use seu produto na experiência: crie momentos memoráveis que demonstrem valor sem transformar o participante em "cobaia de demo";
Curadoria como reflexo da estratégia: utilize um comitê multifuncional para garantir que o palco mova o ponteiro certo do negócio.

No cenário atual, eventos não devem ser medidos apenas pelo número de participantes ou pela repercussão imediata. Seu verdadeiro valor está na capacidade de gerar conexões relevantes, produzir inteligência e influenciar decisões.
Quando deixam de ser apenas encontros e passam a ser escolhas estratégicas, tornam-se ativos capazes de sustentar crescimento de forma consistente, e cada vez mais indispensáveis para empresas que desejam liderar seus mercados.
COMPARTILHAR ESSE POST









