Vivemos um momento curioso do comportamento humano. Estamos mais ocupados do que nunca, queremos tudo imediatamente e exigimos conveniência absoluta, mas, ao mesmo tempo, buscamos cuidado, humanização e personalização genuína.
Durante anos, a hiperpersonalização guiou a estratégia de marcas: mensagens adaptadas, recomendações inteligentes, jornadas ajustadas ao perfil de cada consumidor. Foi um avanço do “Me Economy”. Agora, impulsionado pela inteligência artificial e pelos agentes autônomos, esse movimento evolui para algo ainda mais profundo: a Do It For Me Economy.
Do recomendável ao executável
Nesse novo cenário, queremos que marcas, produtos ou agentes façam por nós. Delegamos tarefas, escolhas e até comparações para sistemas que aprendam conosco e atuem em nosso nome.
Com o avanço dos MCPs (Model Context Protocols), essa lógica deve se intensificar: um agente capaz de conectar agenda, hábitos, preferências e contexto para atuar como um verdadeiro copiloto da vida digital, antecipando necessidades, não só respondendo a elas.
O dia em que eu também precisei de um “faz por mim”
Recentemente, vivi isso de forma muito pessoal. Depois de anos organizando eventos, visitei um como participante comum. E, para minha surpresa, senti ansiedade. Com tanta programação e estímulos, faltou “alguém” que me orientasse. Quando um colega me ajudou, indicando os aplicativos que eu poderia usar, tive meu primeiro momento de alívio e conexão real do dia. Só depois percebi: eu esperava, sem nomear, a mesma fluidez que já tenho em outras experiências.
Por que isso fica na memória
A neurociência explica. A Peak-End Rule, formulada por Daniel Kahneman, mostra que lembramos experiências pelos seus picos emocionais e pelo final. Não pela soma das partes. E quanto mais sobrecarregados estamos, mais buscamos jornadas que eliminem esforço mental e concentrem valor nesses pontos marcantes.

O que o iFood, o Spotify e os apps financeiros já nos ensinaram
O iFood conquistou tanta relevância ao reduzir decisões e entregar conveniência real. Sugestões para repetir pedidos e personalização baseada no histórico criam uma sensação de fluidez quase invisível.
E podemos imaginar o próximo passo: um MCP que consulte nossa agenda, entenda o intervalo entre reuniões, considere recomendações nutricionais e sugira “sozinho” a refeição ideal no horário perfeito, completando o pedido.
Nos eventos, isso é muito evidente: visitantes querem curadoria, orientação e suporte contínuo, não apenas conteúdo. Se o Spotify acerta nossa playlist, esperamos que um evento acerte nossa agenda. Se um app financeiro resolve tudo em segundos, esperamos acessar serviços do mesmo modo.
Em saúde, educação, varejo ou serviços digitais, a lógica é a mesma. A referência não é mais o concorrente direto. É toda experiência excelente que vivemos.

A nova lealdade é feita de caminhos mais leves
A era da hiperpersonalização ajustou mensagens. A Do It For Me Economy ajusta decisões, encurtando caminhos e criando picos emocionais que realmente importam.
No fundo, tudo aponta para algo simples: quando marcas fazem por nós, devolvem algo raro e precioso: tempo. Tempo para quem amamos, para o que nos move, para o que realmente nos marca. E talvez esteja aí o futuro da fidelização: no espaço humano que nasce quando deixamos de apenas consumir experiências e finalmente podemos vivê-las.
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