
Atua como estrategista de eventos com foco em Event-Led Growth, transformando eventos em uma alavanca de geração de demanda e crescimento de negócios. Há mais de 7 anos lidera o time de eventos da Sólides, uma das maiores HRTechs do Brasil. Nesse período, idealizou o Conectarh Brasil, reconhecido como Top of Mind RH 2025, e o Leader Shift, o maior evento de liderança de Minas Gerais.
Também esteve à frente de mais de 500 projetos patrocinados, atuando em todas as etapas do funil, do primeiro contato à geração de oportunidades e receita, sempre com foco em transformar experiência em resultado.
É formada em Tecnologia em Eventos, possui MBA em Gestão Financeira e Gestão Empresarial e atualmente cursa MBA em Marketing, aprofundando sua atuação estratégica na conexão entre marca, experiência e crescimento.
Rodar o Brasil com um evento é ter coragem de abrir mão do óbvio.

O Conectarh Brasil nasceu de uma necessidade que, para nós, era muito clara: democratizar o acesso a eventos de qualidade pelo Brasil. Queríamos fazer conteúdo relevante, especialistas de mercado e experiências memoráveis chegarem a diferentes cantos do país. Mais do que levar um evento para várias cidades, queríamos nos aproximar do nosso público, entender a pluralidade do Brasil e transformar essa presença em impacto real para quem está do outro lado.
Quando entendemos esse cenário, decidimos fazer o oposto do caminho mais comum. Em vez de concentrar todo o investimento em um grande evento no eixo Sudeste, escolhemos levar uma experiência relevante para o maior número possível de cidades.
Trocamos o palco único pela presença real.
E hoje vejo esse movimento se espalhando pelo mercado. Cada vez mais empresas estão investindo em projetos itinerantes e entendendo que estar em diferentes regiões, construindo proximidade e conhecendo públicos distintos, pode gerar tanto ou até mais valor do que concentrar todos os esforços em um único grande palco.
Este ano, já rodamos seis capitais e ainda temos outras seis pela frente para completar as 12 cidades programadas. No ano passado, foram dez. E essa história vem sendo construída em diferentes formatos desde 2023. Foi essa estrada que nos levou ao Top of Mind de RH 2025. E foi ela também que me deu repertório suficiente para perceber alguns padrões sobre o que faz um projeto itinerante funcionar de verdade.
Não encare o que vem a seguir como um manual pronto. Encare como uma bússola de quem já rodou bastante, acertou, errou, ajustou rota e aprendeu muito pelo caminho.
E essas três premissas vão além do básico da produção, de contratar uma boa agência ou de ter fornecedores capazes de entregar um projeto de qualidade.

1. Direcional estratégico: junte tudo antes de criar qualquer coisa
Antes de pensar em conceito, projeto ou qualquer linha visual, coloque o time de Branding na mesma mesa que o time de Marketing de Produto. Sem essa conversa, cada área começa a criar a partir da própria perspectiva e o evento corre o risco de nascer fragmentado. Mas essa mesa precisa ter mais gente, mesmo que simbolicamente. Também precisam estar ali os dados: tendências de mercado, NPS, aprendizados das edições anteriores, comportamento do público e, principalmente, as necessidades reais do negócio naquele momento. Não dá para construir o direcional estratégico de um evento olhando apenas para um lado.
E aí entra uma parte que nenhuma planilha entrega: uma pitada de molho. Aquele tempero que vem da leitura de mercado, da sensibilidade, da experiência de quem já rodou diferentes cidades e começa a perceber que existem coisas que os dados mostram e outras que você só aprende estando lá. É da combinação entre estratégia, dados, negócio, marca e essa sensibilidade que nasce o conceito do evento.
E, junto com ele, precisam nascer as premissas inegociáveis: aquilo que define a essência do projeto e que, independentemente da cidade, do tamanho ou da pressão por resultado, você não abre mão. Porque é justamente quando o evento começa a ganhar escala que essas premissas passam a ser testadas.

2. O conceito é único, mas cada cidade tem seu próprio borogodó
Um evento itinerante precisa ter identidade. A estrutura, a programação e o design de experiências devem seguir um padrão capaz de fazer com que alguém reconheça aquele evento independentemente da cidade em que ele esteja acontecendo. Isso otimiza recursos, fortalece a marca e, principalmente, ajuda a construir uma comunidade em torno do projeto. Mas padronizar não significa simplesmente copiar e colar.
Cada cidade tem seu ritmo, seu tom, sua velocidade e sua própria maneira de se relacionar com um evento. O que funciona em Curitiba não necessariamente funciona em Manaus. O comportamento do público muda, as referências mudam, os interesses podem mudar e até a dinâmica das relações muda. Por isso, adaptar conteúdo, ajustar pontos da experiência e respeitar as particularidades locais é fundamental.
A identidade continua sendo a mesma. A forma como ela encontra aquele público é que precisa mudar. É essa combinação entre consistência e adaptação que transforma uma agenda itinerante em uma conexão real com cada região.
Só que existe uma armadilha nesse caminho. E, curiosamente, ela costuma aparecer justamente quando o projeto começa a dar muito certo.

3. Manter a essência vai fazer você chegar mais longe
Quando você começa a vender mais, bater sold out e perceber que existe demanda para colocar mais gente dentro do evento, a reação natural é pensar: vamos aumentar.
Mais pessoas. Espaços maiores. Mais ingressos. Mas existe uma pergunta que precisa vir antes:Crescer o público vai nos aproximar ou nos afastar do objetivo original desse projeto? No nosso caso, a conexão entre as pessoas é uma premissa fundamental.
Chamamos o público para o palco, incentivamos trocas, criamos momentos de mentoria e abrimos espaço para que as pessoas realmente conversem e construam relações ali dentro. Isso só funciona enquanto conseguimos preservar determinada proximidade.
Então, nem todo sold out precisa virar imediatamente um evento maior.
Às vezes, crescer significa aumentar o número de cidades, fortalecer a comunidade, melhorar a experiência ou aprofundar o impacto, e não simplesmente colocar mais cadeiras na sala. Esse talvez seja um dos maiores aprendizados que tive com o Conectarh: entender o que você quer de verdade com o projeto e permanecer fiel a isso, mesmo quando o próprio sucesso começa a empurrar você para outra direção.
Dica bônus: metodologia constrói a experiência. Alma faz ela permanecer.
Design de experiência com metodologia é fundamental para o sucesso de qualquer evento, itinerante ou não. Mas existe uma coisa que aprendi na prática e que nenhuma metodologia, sozinha, consegue ensinar: a maneira como as pessoas se sentem importa tanto quanto aquilo que você entrega.
Por aqui, depois de um dia inteiro cheio de coisa boa, conteúdo forte, coffee, almoço, conversas, mentorias e trocas que começam ali e muitas vezes continuam depois do evento, encerramos de um jeito muito simples.
Com um docinho de leite mineiro na palha. Parece pouco. Mas fica e reverbera.
O docinho acolhe, abraça e funciona como um último gesto de carinho com quem passou o dia inteiro com a gente. E, no fim das contas, experiência também mora nesses pequenos detalhes.
Tenho um amigo que sempre diz que evento tem alma. Eu concordo. Porque método organiza o projeto, estratégia direciona as ações e os dados ajudam a decidir.
Mas colocar alma em um projeto exige o olhar de quem entende que, por trás de cada lead, cada ingresso, cada meta e cada cadeira ocupada, existe uma pessoa vivendo aquela experiência.
E talvez seja justamente isso que faça um evento deixar de ser apenas mais uma data no calendário e se tornar algo que as pessoas querem viver de novo.
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