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Richard van der Laken: Design como catalizador de inovação e mudança

Profissionais da área vêm, pouco a pouco, sendo aproveitados em projetos estratégicos em função de seu olhar diferenciado, que favorece a inovação e permite tangibilizar as ideias

Por | 26/11/2015

renata.leite@mundodomarketing.com.br

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Richard van der Laken, Fundador do congresso What Design Can DoJá faz algum tempo que o designer deixou de ser o profissional capaz apenas de criar produtos ou grafismos bonitos. Aqueles que atuam na área hoje não desenham somente cadeiras, embalagem e logotipos, mas trabalham também nos contornos de negócios e de estratégias corporativas. O olhar diferenciado deles sobre os problemas pouco a pouco passa a ser valorizado nos departamentos de Marketing, que cada vez são mais cobrados em relação à inovação.

Ainda assim, muitas empresas continuam recorrendo a esses criativos apenas quando precisam de uma campanha, ou seja, em um projeto pontual. Com isso, eles são chamados em um estágio mais avançado das ações, quando poderiam agregar conhecimentos em uma fase de descoberta de necessidades e desenvolvimento de soluções.

O principal diferencial dos designers é a capacidade deles de enxergarem os problemas com um olhar próprio. "Os designers sempre veem um problema como um desafio. Onde muitas pessoas veem portas fechadas, criativos enxergam novos caminhos e portas abertas. Isso é o principal que o design tem a acrescentar. Designers sempre querem desafiar o que já existe", ressalta o holandês Richard van der Laken, Fundador do congresso What Design Can Do, em entrevista ao Mundo do Marketing.

O evento, que busca mostrar o poder do design como catalizador de mudanças nas mais diversas áreas, deixa os Países Baixos pela primeira vez e aterrissa em São Paulo, entre os dias sete e oito de dezembro. Já foram realizadas cinco edições anuais da iniciativa na Holanda.

Mundo do Marketing: Afinal, o que o design pode fazer pelas empresas e pelo mundo?

Richard van der Laken: Design é muito mais do que uma cadeira bonita. Ele pode ter um impacto considerável sobre a sociedade, e é isso que gostaríamos de mostrar e discutir com as pessoas. Existem exemplos fantásticos tanto na Holanda e em outros países da Europa, quanto no Brasil. Há pessoas, companhias e criativos que provam na prática o que o design é capaz de fazer.

Um destaque brasileiros é o Marcelo Rosenbaum, que palestrará no congresso. Entre as coisas que ele faz, está o A Gente Transforma, um exemplo de como o design é capaz de elevar uma comunidade na área da Amazônia, sendo propulsor de inovação social (a iniciativa de Rosenbaum busca abrir mercados para a geração de renda por meio do reconhecimento das tradições, propiciando a permanência da cultura e a geração de autoestima e dignidade).

Outro exemplo é o de um designer holandês que desenvolveu o Fairphone, um smartphone que é completamente justo. A empresa trabalha com os consumidores e os produtores de uma forma ética e ecológica. O designer Bas van Abel foi ao Congo, na África, onde são extraídos metais pesados usados nesses gadgets. Lá, em muitos casos, os trabalhadores atuam em péssimas condições. O que esse designer faz é realizar negociações justas com essas pessoas, focando em cada pequeno elemento para ter certeza que esse empreendimento que ele começou é completamente justo. 

Mundo do Marketing: Você ressalta a importância dessa área em especial para a solução dos problemas sociais e urbanos. Por quê?

Richard van der Laken: É muito importante saber quando é possível usar o design como um catalizador. Não há como salvar o mundo apenas com design, mas as chances de ele ser usado e gerar bons resultados aumenta quando permeia toda a cadeia de eventos de uma ação ou estratégia, em vez de ser pontual. O designer tem a capacidade de tornar as coisas visuais e tangíveis. Isso pode dizer respeito a produtos, mas também a comunicação.

Os designers sempre enxergam um problema como um desafio. Onde muitas pessoas veem portas fechadas, criativos enxergam novos caminhos e portas abertas. Isso é o principal que o design tem a acrescentar. Essa abordagem frequentemente resulta em novas ideias. Designers querem sempre desafiar o que já existe. E, especialmente hoje em dia, precisamos de pessoas criativas porque é muito importante que o status quo seja questionado. Os designers tendem a surgir com novas soluções práticas. Nesse sentido, o design pode fazer muito quando aliado a organizações, empresas e usuários.

Mundo do Marketing: Os departamentos de Marketing já usam o design como deveriam?

Richard van der Laken: Existem algumas empresas que o aproveitam de um modo excelente, mas ainda há outras tantas que não enxergaram o potencial dele. Uma de nossas missões é justamente mostrar seu poder de impacto de forma mais clara para o grande público, evitando manter o debate e a troca de ideias apenas entre os colegas de profissão.

Todos os tipos de empresas podem se beneficiar muito mais dessa ideia de que o design pode levar seu negócio e a economia um pouco mais adiante. Em algumas vezes, isso tem a ver com coisas muito práticas, como desenhar produtos muito bonitos, o que também é muito importante, mas acho que será mais sábio e trará muito mais benefícios permitir aos designers e ao design thinking participarem de um estágio bem anterior, no desenvolvimento de negócios.

Mundo do Marketing: Qual a contribuição para os processos de inovação?

Richard van der Laken: Coloco isso de uma forma muito simples. Uma agência de publicidade, por exemplo, muitas vezes só envolve os designers no estágio final do projeto, quando o ideal seria envolvê-los desde o primeiro momento da estratégia e desenvolvimento de produto. A metodologia do Design Thinking prevê que todos sentem à mesa e ousem falhar. É realmente importante que você dê todas as diferentes disciplinas o valor correto, principalmente na fase de arranque. E os designers são, muito frequentemente, subvalorizados nestes momentos. Eles costumam ser chamados no último estágio do evento, o que é uma pena.

Quando esses profissionais são envolvidos antes, eles podem dar uma nova visão e novas soluções, porque os designers sempre têm uma abordagem muito prática, uma mentalidade de fazer. Quando você os envolve, seu plano não vai cair em uma espécie de relatório, mas será sempre visual e tangível, o que é extremamente importante, especialmente na sociedade atual. 

Leia também: Design Thinking: catalisador de possíveis inovações. Estudo do Mundo do Marketing Inteligência. Conteúdo exclusivo para assinantes.

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