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Do estádio à timeline: como marcas podem ativar na Copa do Mundo Feminina de 2027 e engajar torcedores

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Tempo de Leitura 5 min

Da cadeira de CMO à sala de aula: Antonio Santos leva experiência prática ao CMO Sprints

A Copa do Mundo Feminina de 2027, que começa em junho no Maracanã, chega em um momento em que o futebol feminino deixou de ser nicho para se transformar em fenômeno social e comercial. O interesse pela modalidade cresceu de forma consistente, a audiência está consolidada e o público espera que marcas invistam com responsabilidade e propósito. Esses elementos criam uma oportunidade rara: não estamos falando somente de exposição de curto prazo, mas de construção de legado e relacionamento duradouro entre marcas, torcedoras e torcedores. Para quem planeja ativações, a pergunta central é: como traduzir o calor do estádio em conversa contínua e em valor real para a marca?

Os números justificam a oportunidade. Levantamento da Offerwise para a área de Inteligência de Mercado e Marketing da Globo, detentora dos direitos de transmissão, mostra que 62% dos brasileiros se interessam por futebol feminino e que, entre quem já acompanha a modalidade, 92% pretendem assistir à Copa de 2027. Na edição anterior do torneio, o ecossistema da emissora alcançou 59 milhões de pessoas. Há uma audiência cativa e predisposta ao engajamento, e ainda há espaço para conquistar: quase um terço do país não sabe que a Copa será aqui.


O futebol da família não é slogan

É no retrato desse público que o senso comum se desfaz. Futebol feminino não é o futebol das mulheres: metade de quem acompanha a modalidade é formada por homens, a maior parte tem mais de 45 anos e dois terços moram com filhos. Não se trata de um nicho jovem, urbano e de classe alta, como boa parte dos briefings ainda supõe. É uma audiência de sala de estar.

Isso explica por que a TV aberta segue como principal ponto de contato, com 68% do consumo da modalidade, bem à frente das redes sociais, com 33%. A família assiste junta, na tela grande, e é ali que o alcance acontece. O digital não substitui esse encontro, ele o prolonga. Reconhecer a diferença entre os dois papéis é o que separa um plano que soma de um plano que apenas troca alcance por engajamento.

O caráter familiar também muda quem decide. No amistoso entre Brasil e Estados Unidos, 75% dos ingressos foram comprados por mulheres, embora elas sejam metade da torcida. E o sentimento que melhor descreve a modalidade é inspiração, com 70% de menções, índice que chega a 80% entre as mulheres. A combinação é incomum e valiosa: uma audiência ampla, multigeracional e com carga emocional forte.

Esses indicadores sustentam a predisposição do público para investir nas marcas. 85% dizem que elas deveriam investir mais em futebol feminino e 78% enxergam potencial comercial ainda pouco explorado. No mundo, a receita do esporte feminino de elite deve chegar a US$ 3 bilhões em 2026, quase três vezes e meia o valor de 2022, segundo a Deloitte. Quase metade desse total, US$ 1,4 bilhão, vem de patrocínio, parcerias e licenciamento, a maior das três linhas de receita da modalidade, à frente de bilheteria e de direitos de transmissão: quem banca o crescimento do esporte feminino são as marcas. E 54% desse dinheiro está concentrado na América do Norte, contra 14% na Europa, o que dá a medida do espaço ainda aberto no país que vai sediar a próxima Copa. O que o público pede, porém, não é só presença: 8 em cada 10 veem o esporte como ferramenta de inclusão e de promoção da igualdade de gênero. Vale a ressalva de que o propósito abre a porta, mas não é o que leva o torcedor até a tela. Acompanhar a Seleção e torcer por um time seguem sendo os principais motivos, à frente do desejo de apoiar o crescimento da modalidade.


Do estádio à timeline, na prática

Para desenhar ativações que funcionem, é preciso combinar relevância local com escala nacional, apostar em autenticidade e legado e integrar experiências online e offline. A iniciativa ideal não é uma ação de imagem de curto prazo, mas uma jornada que começa no estádio ou na sala de casa e continua nas plataformas digitais da marca.

Uma primeira frente é converter a experiência do jogo em relacionamento: QR codes em ingressos e em watch parties que desbloqueiam conteúdos exclusivos, bastidores e convites para eventos locais, com consentimento para comunicação futura. Isso prolonga a exposição da marca, gera dados próprios e transforma o efêmero do jogo em vínculo contínuo. Como a maior parte do público assiste de casa e acompanhada, a mecânica precisa nascer pensada para o sofá, não apenas para a arquibancada.

Uma segunda frente é estruturar programas de propósito com aplicação local nas oito cidades-sede, em parceria com federações e ONGs: investimento em projetos de base, registro das trajetórias das meninas beneficiadas e distribuição desse material em formato editorial. Além do impacto direto, a iniciativa fortalece a percepção da marca como catalisadora do desenvolvimento do esporte. Uma terceira é mobilizar vozes regionais, como torcedoras, ex-jogadoras e comentaristas locais, que ampliam a capilaridade em mercados fora dos grandes centros e conversam melhor com a parcela mais jovem da audiência, aquela que consome por redes sociais e streaming.

Medir resultado exige combinar lentes de exposição, engajamento digital, indicadores comerciais e pesquisas de percepção, com painéis antes e depois da campanha. Um cuidado é decisivo: em uma Copa no Brasil, quase todos os indicadores sobem. Sem leitura pré-campanha, o relatório vai atribuir ao patrocínio um movimento que era da competição.

Mas há riscos a considerar. Ações oportunistas geram reação e o público já chega desconfiado: 22% acham que as marcas que apoiam o futebol feminino estão apenas cumprindo uma obrigação ou seguindo uma tendência. O antídoto é menos comunicação e mais cronograma, porque quem entrar em junho de 2027 e sair em agosto será lido exatamente assim. Transparência, continuidade após o torneio e mensuração clara do impacto social são o que separa patrocínio de oportunidade de foto. Logística e compliance para ativações em estádio também pedem planejamento antecipado.

A Copa de 2027 é, portanto, mais do que uma janela de exposição temporária. É uma oportunidade estratégica para marcas que querem entrar na vida do público de forma duradoura, e a janela para entrar cedo está se fechando: as marcas associadas ao futebol feminino nas plataformas da Globo passaram de 8 em 2019 para 17 em 2023, e as cotas do Brasileirão Feminino de 2026 foram integralmente vendidas. Combinar escala, propósito e experiências integradas permite sair do estádio com presença contínua na timeline e com legado no pós-Copa. Marcas que agirem agora, construindo presença desde já, estarão melhor posicionadas para transformar visibilidade em afinidade, impacto social e negócio.

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Renata Benigna

Renata Benigna

Professora de Comunicação Integrada no Curso de Administração da ESPM

Professora de Comunicação Integrada no Curso de Administração da ESPM

AUTOR

Renata Benigna

Renata Benigna

Professora de Comunicação Integrada no Curso de Administração da ESPM

Professora de Comunicação Integrada no Curso de Administração da ESPM

AUTOR

Larissa Raposo

Larissa Raposo

Professora da ESPM

Professora de Gestão de Marcas, Marketing de Serviços e Marketing de Experiência no Curso de Administração de Empresas da ESPM

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Larissa Raposo

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Professora da ESPM

Professora de Gestão de Marcas, Marketing de Serviços e Marketing de Experiência no Curso de Administração de Empresas da ESPM

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