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A mesma conta, três prioridades

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Como conectar os horizontes de Marketing, Vendas e CS sem apagar as particularidades de cada função

Uma venda é fechada. Vendas comemora o resultado do trimestre. Marketing direciona seus esforços para as próximas oportunidades. Customer Success começa a trabalhar na adoção da solução e a garantir que a expectativa criada durante a negociação corresponda ao valor que o cliente receberá.

Cada área tem uma agenda legítima. Mas, se a promessa comercial não se transforma em resultado para o cliente, a empresa pode ter conquistado uma venda sem construir as condições para reter, expandir e desenvolver aquela relação.

Esse é um dos desafios do GTM (Go-to-Market): conectar objetivos diferentes sem eliminar as responsabilidades específicas de cada área.

O alinhamento que parece existir

Em pesquisa publicada pela Forrester identificou que 82% dos executivos B2B entrevistados consideravam Produto, Vendas e Marketing alinhados. Entretanto, apenas 41% classificavam esse alinhamento como alto. A diferença sugere que reconhecer a importância da integração não significa necessariamente colocá-la em prática.

Essa distância aparece quando as equipes cumprem suas metas individuais, mas o resultado agregado fica aquém do esperado. Marketing gera oportunidades, Vendas fecha negócios e Customer Success acompanha a carteira. Ainda assim, as oportunidades não avançam, os clientes não percebem o valor esperado ou a expansão fica abaixo do potencial.

O problema pode estar menos no desempenho de cada área e mais na forma como seus objetivos se conectam.


Horizontes diferentes, uma mesma lógica

Marketing trabalha para construir reconhecimento, preferência e relacionamento. Vendas precisa transformar oportunidades em receita, muitas vezes sob pressão de curto prazo. Customer Success atua para garantir adoção, resultados, retenção e expansão.

Os horizontes são diferentes por natureza. Marketing é maratonista; Vendas corre os 100 metros. Customer Success precisa garantir que a chegada não seja o fim da relação, mas o início de uma nova etapa de valor.

Tentar uniformizar essas perspectivas seria um erro. O desafio é fazer com que contribuam para uma mesma direção de negócio.

Uma pesquisa da McKinsey sobre desempenho comercial B2B mostrou que 72% das empresas de crescimento mais rápido consideravam seus recursos de análise de dados eficazes para o planejamento de Vendas, contra 50% das empresas de crescimento mais lento. O estudo reforça a importância de usar inteligência sobre contas e oportunidades para orientar decisões.

O valor dos dados está em ajudar a empresa a decidir onde concentrar esforços, quando agir e como conectar suas iniciativas, não apenas em melhorar previsões.


A experiência do cliente revela as desconexões

Segundo a Forrester, 86% das compras B2B estagnaram em algum momento do processo. O dado evidencia a complexidade da jornada, embora não atribua essa estagnação diretamente ao desalinhamento interno.

Depois da venda, o desafio continua. Marketing conhece os interesses estratégicos da conta, Vendas entende suas prioridades comerciais e Customer Success acompanha os desafios de adoção. Se essas informações não se complementam, a empresa pode fazer promessas desconectadas da entrega ou deixar passar oportunidades de expansão.

A Gartner associa a maturidade de Revenue Operations (RevOps), modelo que integra processos e informações das áreas de receita, a uma probabilidade 2,3 vezes maior de superar metas de lucro. Embora isso não seja a prova definitiva da relação direta de causa e efeito, reforça a relevância de coordenar a operação.


A conta é um ativo da empresa

O caminho não é eliminar os indicadores específicos de cada área. Marketing continuará medindo demanda e preferência; Vendas, conversão e receita; Customer Success, adoção, retenção e expansão. O que precisa mudar é a conexão desses indicadores com os resultados que a empresa deseja alcançar.

Para isso, é necessário compartilhar uma compreensão sobre quatro elementos: contexto da conta, potencial de crescimento, momento e próximos passos. Cada equipe preserva suas responsabilidades, mas passa a tomar decisões considerando o que as demais sabem e fazem em relação ao mesmo cliente.

Uma conta estratégica não deveria ter três estratégias independentes, nem ser tratada como propriedade de um departamento. É um ativo da empresa, cujo valor se desenvolve ao longo do relacionamento com o cliente e depende da contribuição coordenada de diferentes competências.

A integração acontece quando as áreas compartilham informações. A orquestração acontece quando a empresa coordena suas decisões e ações para fazer esse ativo crescer. No fim, não se trata de fazer Marketing, Vendas e Customer Success trabalharem da mesma maneira, mas de garantir que suas diferentes prioridades contribuam para um objetivo comum: criar valor para o cliente e crescimento sustentável para o negócio.

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Felipe Duarte Navarro

Felipe Duarte Navarro

Head de Marketing LATAM da Akamai

Executivo de marketing B2B com mais de 20 anos de experiência em estratégia, crescimento e posicionamento de marcas nos setores de tecnologia, serviços e inovação. Ao longo da carreira, atuou em empresas nacionais e multinacionais, liderando iniciativas voltadas à geração de demanda, branding, expansão de mercado e transformação comercial. Possui sólida trajetória no desenvolvimento de estratégias de Go-To-Market, alinhamento entre marketing e vendas, customer success e inteligência de mercado, com foco em resultados sustentáveis e crescimento orientado por dados. Também reúne experiência na condução de projetos regionais para a América Latina, gestão de times multidisciplinares e relacionamento com lideranças executivas.

AUTOR

Felipe Duarte Navarro

Felipe Duarte Navarro

Head de Marketing LATAM da Akamai

Executivo de marketing B2B com mais de 20 anos de experiência em estratégia, crescimento e posicionamento de marcas nos setores de tecnologia, serviços e inovação. Ao longo da carreira, atuou em empresas nacionais e multinacionais, liderando iniciativas voltadas à geração de demanda, branding, expansão de mercado e transformação comercial. Possui sólida trajetória no desenvolvimento de estratégias de Go-To-Market, alinhamento entre marketing e vendas, customer success e inteligência de mercado, com foco em resultados sustentáveis e crescimento orientado por dados. Também reúne experiência na condução de projetos regionais para a América Latina, gestão de times multidisciplinares e relacionamento com lideranças executivas.

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