
Como prometido, minha amarração final do Web2.0Expo. Não consegui cumprir a promessa de gerar o derradeiro post no dia seguinte ao evento – vôo de volta ao Brasil mais longo e cansativo que o imaginado – mas espero que os dias a mais tenham significado mais tempo para “sedimentar” as ideias após a avalanche de informações a que fui felizmente submetido ao longo dos três dias do evento.
Estou acostumado a ouvir muito de social media, seja no trabalho em agência, nas conversas de “choque de realidade” com os clientes, nos eventos, palestras em que tenho a chance de participar. O que fez o Web2.0Expo ser muito diferente de todo o resto foi o foco que trouxe às plataformas. Nunca imaginei que colocar os holofotes sob a tecnologia fosse me causar impacto tão positivo.
Vejo que no dia a dia das empresas a tecnologia ainda está muito associada aos “produtores de site”, a quem dispara os emails marketing, a quem roda o programa de monitoramento da web. Não nas discussões que presenciei no #w2e. Tecnologia, por ali, era tratada como oportunidade fantástica para o trabalho de diálogo, engajamento e branding online. Oportunidade e, diriam os mais entusiastas tecnólogos presentes nos debates, um grande diferencial de sucesso no trabalho nas redes sociais.
Tome-se o Facebook como exemplo. A palestra de Michael Lazerow, CEO da Buddy Media (http://www.slideshare.net/AdriannaParrott/facebook-is-the-marketing-channel-by-michael-lazerow-ceo-buddy-media-web-20-expo ) era um manual prático de como se apropriar de uma baita plataforma – o Facebook – não apenas para branding com tribos “locais” mas como elemento de integração e interação total no site das empresas. Exemplos como o da CNN e do site focado em cinema Rotten Tomatoes mostraram que é possível fazer uso do melhor do FB “dentro de casa”, logando e personalizando páginas do site para saber o ponto de vista da comunidade ao qual você está ligado diante do tema de cada site/empresa/marca. Com a abertura da API do Facebook, um novo mundo se abriu para os desenvolvedores de todo o planeta e caberá a cada marca saber tirar o melhor proveito desse novo cenário.
Como maior exemplo de uso maximizado do FB e integração com o site, o site da NHL (National Hockey League), que conta com mensagens personalizadas para quem é fã da liga, “tabs” funcionando como espécie de hotsites para campanhas, ferramentas de compartilhamento integrando site/FB, o famoso botão de “like” para conteúdos que agradam. Resultados em números: acréscimo de 92% no número de notícias lidas no site da NHL, aumento de 86% no de vídeos visualizados e de 85% em tempo de navegação no NHL.com. Tá bom para começo de conversa? Então saiba que o CTO do Facebook, Bret Taylor, aproveitou anunciar no Web2.0Expo que dois milhões de sites já inseriram algum plugin do FB desde abril de 2010. Sempre é tempo para se começar, vai lá!
E se partimos para os games, parecem uma plataforma na qual vale a pena as marcas investirem? Foursquare e Farmville são um fenômeno em popularidade e estão aí para mostrar que há grandes oportunidades para as marcas. Gabe Zichermann, autor de Game-Based Marketing, defende que os games devem divertir seus usuários, e não tentar educá-los. “Senão, não funcionam”, garante. A plataforma precisa ser construída, segundo Zichermann, de forma que o usuário seja sempre estimulado a correr atrás de “pontos” e que eles sejam alcançáveis, e o status dos jogadores deve sempre ser trabalhado – sim, o ego existe na comunidade dos games e a mecânica tecnológica deve privilegiar o trabalho de “tocar” os usuários!
Isso pressupõe todo o conceito de comunidade, de fazer os outros saberem que você, no jogo, está à frente de X e atrás apenas de Y...aliás, interessante saber como os perfis de gamers sugerido por Gab: há os “achievers”, extremamente competitivos, os “explorers”, que querem se aventurar ao máximo e conhecer todo o potencial dos jogos, os socializers, grande maioria que quer se divertir/interagir com os seus pares, e os killers(!), que precisam não apenas sentir que estão ali para ganhar – mas também para fazer os outros perderem...qualquer semelhança com relacionamentos offline não é coincidência, são pessoas, afinal, interagindo por meio de sofisticadas plataformas...
Nick Bilton, Lead Technology Writer do New York Times e professor da NYU (New York University) lançando o livro “I Live In The Future And Here´s How It Works”. Nick foi extremamente criativo ao apresentar sua visão de “plataformas” fazendo uma analogia entre a revolução que estamos vivendo no consumo de conteúdos – e também o NY Times, evidentemente – e a indústria da pornografia. Segundo Bilton, o termo “sexo” é buscado 30 mil vezes por segundo nos mecanismos de busca. Os últimos números da indústria mostram receitas de quase 3 bilhões de dólares por ano. Bilton resolveu, então, explorar os protagonistas de todo esse sucesso. E descobriu que os grandes players, como a Playboy e a Hustler, estão com seus market-share muito reduzidos na última década - ou simplesmente, como foi o caso da vice-líder Penthouse.
Elas não evoluíram seus modelos de negócios e apostaram basicamente nas tradicionais revistas ou, quando muito, nos DVDs especiais. Quem gera as receitas então? Quem soube rever suas plataformas. Nick conversou com empreendedores que estão entregando conteúdos pornográficos (commodities) em plataformas modernas como mobile e em 3D. O principal: com o tipo de experiência que as pessoas desejarem obter. E as pessoas pagam por isso. Quanto? “Pesquisas mostram que aproximadamente 25 dólares por mês nos EUA”, responde Nick. Reveladora a palestra de de Bilton. Incrível: a pornografia, quem diria, nos dá uma lição de moral, ao menos no mundo dos negócios.
E para embalar esse final post do #w2e com toda a modernidade nova-iorquina, deixo vocês em companhia da encantadora Paola Antonelli, curadora de Design do MoMa/ NY, que reforça a importância do design como o grande responsável por transformar toda a tecnologia que tanto discutimos nos últimos dias em “objetos que as pessoas possam usar”. Um toque feminino e fundamental em meio a tantos bites e bytes. Vale ver o vídeo:
http://digiphile.wordpress.com/2010/10/01/talk-to-me-about-web-2-0-moma/
Até a próxima, pessoal!
Cheers,
Hugo.
Infelizmente, chegou ao fim mais uma edição do Web2.0Expo NY. Estou de volta ao hotel com tempo contado para seguir para o aeroporto, ou seja, pouco tempo para elaborar tudo o que de interessante vi neste último dia. Mas prometo fazer um apanhado geral dos últimos dias amanhã, já de volta ao Brasil.
Os highlights desta quinta-feira:
- Jonathan Miller, Chief Digital da NewsCorp, falou da "insaciável curiosidade" de seu CEO, Rupert Murdoch, sentimento que permeia toda a empresa. Segundo Miller, por lá não há zona de conforto, as novidades são permanentes no mundo digital. Jonathan defende um modelo de negócios híbrido para geração de receitas com as novas mídias, agregando conteúdos Premium pagos, como já faz, por exemplo, o NY Times, e receitas publicitárias. Gostei particularmente da pegada mais business da palestra, menos eufórica e mais "looking at the results at the end of the day" .
- Margaret Francis, VP de produtos da Lithium, apresentou um framework relativamente simples de trabalhar que leva em conta Percepção da Marca, Eficiência de Marketing, Crescimento da Receita e Economia em Atendimento para medição de resultados nas redes sociais. Amanhã posto mais detalhes de cada uma dessas chaves, o recheio vale a pena. Como pensamento inteligente que Margaret trouxe, ficou a boa dica: pensei em KPI's, não em ROI. Talvez seja a única formula mágica que exista numa realidade tão dinâmica como a da web 2.0, além de ser a língua que as grandes empresas já estão acostumadas a falar, acredito. Faz todo sentido.
- Michael Lazerow, CEO da Buddy Media, também foi um show a parte em sua apresentação. Nada de pirotecnia, mas uma clareza total quanto ao Facebook como ferramenta estratégica de marketing. Na verdade, na visão de Lazerow, A ferramenta principal da atualidade. Foi muito interessante ver exemplos de grandes players para cada ponto que Michael colocava. De tão bom que estava o material, sugiro que façam download diretamente: http://www.web2expo.com/webexny2010/public/schedule/detail/15095. O conteúdo fala por si só, fantástico.
Taxi na porta do hotel. Não consegui falar sobre outro incrível palestrante, Gabe Zichermann, fera em games. Não sou tão ligado no tema e @gzichermann me fez abrir a cabeça. Saiu do tecniques chato que costuma dominar as conversas nessa área e falou de marketing e comunicação - o que efetivamente me atrai. By the way, a plataforma era game, só isso. Se todos fossem assim... Amanhã trago mais detalhes da palestra dele, mas fica a dica de seu livro (base para sua palestra), que já estou me encarregando de encomendar na Amazon.
Ate amanhã, back home.
Hugo
Interessantes os keynotes da manhã do último dia do Web2.0Expo. Vamos aos destaques:
- @baratunder: o simpático apresentador de painéis mobilizou pessoas para ser o prefeito no foursquare de uma deli em NY pela qual é apaixonado. Cartazetes foram fabricados, vídeos de campanha no YouTube, a gestão da deli conversou com ele, os funcionários passaram a “freqüentar” o foursquare, a imprensa cobriu a ação. Interessante ver um exemplo prático de como uma rede social relativamente nova pode impactar a realidade offline de um pequeno negócio.
- @tomconrad, da Pandora, falou em simplicidade e personalização acima de tudo. Na linha temática de “plataformas” dessa edição do #w2e, Tom comentou que incessantemente o Pandora estuda e revê seus algoritmos para oferecer ao usuário música para o seu gosto pessoal. “Isso garante o boca-a-boca espontâneo. Foi assim que pulamos, em 2010, para 16 milhões de usuários cadastrados”. Mais um dado interessante: Conrad comentou que
hoje apenas 50% dos ouvintes da Pandora estão plugados a computadores. “Hoje temos pessoas ouvindo a rádio na TV, blurays, setup boxes..”. Se tem algo que está ficando claro nesse Web2.0Expo, é a necessidade de integrar comunicação e tecnologia.
- @nickbilton (http://nickbilton.com/about.html) divertiu a platéia com um assunto instigante relacionado ao comportamento do usuário online no mundo: a pornografia. A indústria movimentou 4.9 bilhões de dólares em 2010. Segundo uma pesquisa apresentada por Nick, o usuário americano se sente à vontade em gastar até 25 dólares por mês em assinatura de conteúdos pornográficos. E esse ímpeto impulsiona de certa forma o negócio da internet como um todo, trazendo não apenas dados de comportamento mas também volume e, mais uma vez, lucros. Num segundo momento da palestra, Nick falou do medo que algumas pessoas e empresas têm de tecnologia. E mostrou exemplos do passado quando as pessoas tinham medo de trens (“se passarem de 20 milhas por hora, sufocam”) e de comics (“são coisas nazistas”). É, pode ser.
Voltando do break pós-almoço. Pelo terceiro dia, sanduíches. Recheios diferentes, sabores iguais. Diferente do que temos visto nas palestras aqui.
Até já,
Hugo
___________________________
ATUALIZAÇÃO
Infográfico da indústria pornográfica na internet atualizado em 2010

via Viu Isso?
Para começar o dia light, em complemento aos posts anteriores listo as principais pílulas do segundo dia de conferências do Web2.0Expo.
Se não matar a fome, teremos muffin para o café da manhã nos keynotes que iniciam o terceiro dia e último dia do evento. Já estou de volta ao local onde ele acontece e na expectativa de que o fechamento seja com chave de ouro. Haverá palestras sobre games que formam comunidades e métricas para as novas mídias. Não deixe de acompanhar a cobertura das palestras por aqui e pelo @inpresspni.
Vamos então às pílulas (American size, reparem):
- Khris Loux, surfistão e CEO da badalada Echo, reuniu em seu painel jornalistas da CNN, Washington Post e do colaborativo HuffingtonPost para discutir o entrelaçamento das mídias tradicionais e sociais no futuro das coberturas “jornalísticas”. Todos concordaram, obviamente, que é preciso integrar as mídias. O alcance da imprensa e a autenticidade das redes sociais foram assumidos como a receita a ser seguida nesse caldeirão de interesses. E o HuffingtonPost, apesar de ser o menos conhecido no Brasil, destoou como experimento mais avançado nessa integração. Trata-se de um veículo disponível apenas online e que conta com 80% de seu conteúdo de terceiros. São 10.000 colaboradores para as matérias. O papel do jornalista? “Editores, curadores do conteúdo da social media”, afirma Paul Berry, CTO do HuffingtonPost.
- Por falar em curadoria, o tema também foi explorado por Mark Josephson, CEO da Outside.in. Mark lembrou que com o crescente volume de conteúdo circulando pelo mundo, sempre haverá boas oportunidades de organização e curadoria desse bolo de dados. É o que ele faz em seu negócio, que edita conteúdo “hiperlocais”, levando relevância para comunidades e cidades menores dos EUA, e o que ele propõe que as empresas façam para seu universo de interesse. Como exemplos de “serviços” de curadoria já existentes, Josephson citou o Buzz Feed (“Algorithm Curation”), que elenca o que a comunidade está achando interessante e que tem potencial viral, o Digg (“Community Curation”), que ranqueia as notícias mais votadas pelos internautas, e o Collecta (“Time-Based Curation”), que mapeia o que está gerando burburinho na web como um todo “nesse instante”.
- YouSendIt: o que para mim era um serviço que me ajuda o dia a dia passou a ser também um negócio admirado. O fundador do YouSendIt, Ranjith Kumaran, defendeu o modelo do freemium, no qual parte do serviço é gratuita e parte, opcional e mais premium, é cobrada. Pioneiro no uso desse modelo e principal case de sucesso para as start-ups americanas ávidas por copiar a receita yousenditana, Kumaran enfatizou que não adianta ser free se não houver planejamento e sangue frio para aguardar o retorno financeiro no longo prazo. “Hoje temos 14 milhões de usuários cadastrados e cerca de 30% paga pelos serviços, mas ficamos dois anos só testando o modelo e sem premiums.” Ao final da palestra. Ranjith deixou a dica: “o único número que importa é o do life-time value. É isso que garante a sustentação do seu negócio”. Será que as start-ups vão encarar?
That´s all for now, folks.
Já volto.
Hugo Godinho - Diretor de Mídias Digitais da In Press Porter Novelli
@hugogodinho
Conteúdo com início, meio e fim
Margot Bloomstein, da Appropriate, Inc, apresentou o painel Using Content Strategy to Get What you Want. Margot abriu sua fala se direcionando aos designers, arquitetos da informação, project managers, especialistas em SEO e analistas de social media. E bateu forte no mantra “design e conteúdo que compartilham objetivos comuns”. Confesso que foi difícil até mesmo separar quais eram recomendações para cada um desses públicos ao longo da apresentação. Sinal de que realmente toda a lógica de produção de conteúdos é integrada e precisa envolver a todos os profissionais citados.
Numa tradução livre, o que Margot definiu como conteúdo estratégico:
Planejar a criação, agregação, entrega e governança de conteúdo apropriado, útil e usável em forma de experiência para o usuário.
O que me despertou mais interesse na explanação de Ms.Bloomstein:
- Card Sorting: fundamental saber o que o usuário quer para que a experiência de contato com a marca seja real e funcional. A aplicação da técnica do card-sorting tem ajudado Margot a precisar corrigir menos projetos no meio do caminho, muitas vezes depois de já lançados. Quando os clientes afirmam que isso representa “mais um custo”, ela responde que “é a certeza de menos tempo gasto em rodadas de revisão mais tarde”. Nota mental: será que ela poderia dar um pulo no Brasil para conversar com alguns clientes?
- Design Para o Contexto: um site de e-commerce pode ter mais ou menos funcionalidades, depende do público. Novamente, é fundamental se saber quem está do outro lado da “tela”. Margot apresentou o exemplo de dois sites de e-commerce para o tênis Converse (All Star). O primeiro, para um público mais leigo na web e que precisa de ajuda a toda hora. Havia fotos detalhadas do produto, um “botão” com ajuda para a compra etc. No segundo, do próprio Converse, um e-commerce mais moderno e direto ao ponto - como é consumidor-target do produto.
- Para os gestores dos projetos de conteúdo online: a sugestão de se criar uma auditoria quanti e quali a partir do que se publica. Conteúdo precisa ser renovado sempre, precisa ser acessado, precisa promover uma experiência completa. Uma tabela com indicadores básicos de quem gera qual conteúdo, com qual freqüência e os resultados foi apresentada. Agora, se ela preenche essa tabela para todos os projetos em que se envolve, é outra questão...
- Para os adeptos da social media: função para a qual mais me interessava ouvir os aconselhamentos em princípio, não houve grandes alertas, mas uma pitada de humor. “Posso apostar que vocês têm clientes que dizem ter alguém que redige bem no departamento de marketing. Não se preocupem, redigir não é tudo. Saber o que é estratégico para o público é mais relevante”. Dada a dica, Bloomstein lembrou que “tudo começa nos buscadores. Procurem gerar conteúdos sazonais de acordo com o que seus clientes já buscam”.
Veja as apresentações de Margot Bloomstein no www.slideshare.net/mbloomstein
Mais tarde, mais novidades sobre os painéis dessa quarta-feira no Web2.0 Expo NY.
Dos três primeiros painéis dessa quarta-feira, dia 29, sem dúvida o que me chamou mais a atenção foi o “Cure the Chaos: How to Coordinate Your Company's Social Media Efforts”, apresentado pela Digital Brand Expressions (DBE), consultoria em marketing digital americana. Conceitos interessantes e desafios semelhantes ao que temos vivido no Brasil – mais um sinal positivo de que estamos alinhados com o que há de melhor em social media internacionalmente. E, puxando a sardinha para o PR, uma sensação mais uma vez confirmada de que as agências de relações públicas têm tudo para ocupar a posição principal à frente da gestão de Social Media.
O primeiro desafio apresentado pela consultoria foi a gestão do social media estar nas mãos de uma unidade de negócios da empresa, e não como uma cultura do todo. Segundo Michelle Brusyoo, responsável pelo desenvolvimento de novos negócios da DBE, a maior parte das empresas americanas delega a função estratégica de social media ao Marketing. Algumas, segundo Brusyoo, deixam por conta das agências de PR ou departamento de vendas. Interessante perceber que, ao pedir para a plateia erguer as mãos para levantar quem é responsável por SM nas organizações, a proporção se confirmou mais uma vez – e estamos falando de um público segmentado e baseado, em sua maioria, em NY. Ficou claro que pouquíssimas empresas olham estrategicamente e transversalmente para todas as oportunidades que as redes sociais trazem para o business.
Um segundo grande desafio apontado é o de “saber entrar” nas redes sociais. Segundo Marc Engelsman, VP da DBE, a falta de planejamento pode arruinar a reputação das empresas ao terem seus primeiros contatos diretos com seus stakeholders nas comunidades, blogs e fóruns. Como solução para isso, Engelsman propôs um check-list interessante que passa por algumas etapas básicas, porém muitas vezes esquecidas pelas empresas:
- Definir os objetivos com social media: aumentar awareness da marca? Aproximar-se de formadores de opinião? Aumentar vendas? Sobre este último, Engelsman sugere que jamais seja o objetivo primordial, muito menos o de curto prazo: “o consumidor quer as marcas à mão nas redes sociais e este deve ser o principal objetivo das empresas nesse ambiente”.
- Recursos: pensar em recursos ao se planejar é fundamental, lembrou Michelle. Os focos principais são pessoas – quem vai de fato gerenciar o social media -, ferramentas – quais plataformas serão consideradas – e, com muita ênfase, conteúdo. Esta costuma ser uma das grandes preocupações das marcas, o que falar. Michelle lembra algo fundamental e pouco lembrado: “vocês já fazem conteúdos. Seus colaboradores já blogam e twittam. Aproveitem o que já existe”.
- Monitorar: saber o que está acontecendo antes de ingressar e após a aterrisagem nas social networks. Muitas empresas, por não monitorarem, perdem a noção do real volume de conversações (“não subestimem”) e deixam clientes sem respostas, erro básico que gera má reputação. Exemplo apontado foi o da rede de varejo PaylessShoes, que tem uma comunidade ativa no Facebook onde ex-colaboradores reclamam da empresa e transmitem uma imagem ruim para clientes e nada é feito pela empresa para contornar a situação;
- Ouvir, ouvir, ouvir: Engelsman foi enfático: não falem antes de ouvir muito. E sugeriu que as agências de PR ocupem esse lugar pelo DNA mais apropriado para essa função. Como exercício prático, Marc recomendou que as marcas inaugurem sua presença online com até três redes sociais simultâneas . “Mais que isso costuma não funcionar, alguém sempre fica desatendido. Ganhem corpo aos poucos”. Um pouco de sensatez em meio a tanta euforia foi bem-vinda.
- Documentar: Engelsman reforçou a importância de um banco de dados consistente desde o primeiro contato com as redes sociais: “competidores estão falando, clientes reclamando, potenciais consumidores sendo afetados por ex-funcionários que comentam negativamente.... documentem tudo!”.
Participe da enquete da Digital Brand Expressions sobre quem cuida de SM em sua empresa
Logo mais, a DBE promete disponibilizar os materiais da palestras e dicas de políticas em redes sociais em www.DigitalBrandExpressions.com/Web2Expo
Estou cobrindo o Web 2.0 Expo em tempo real pelo Twitter: @inpresspni.
Hugo Godinho - Diretor de Mídias Digitais da In Press Porter Novelli
@hugogodinho
O primeiro dia do Web 2.0 Expo fechou muito redondo no propósito de seu tema: falar de Plataformas para o Crescimento. Chamou atenção em especial a capacidade de foco dos palestrantes nesse assunto, o que nem sempre acontece nesse tipo de evento no Brasil.... talvez a cultura latina de não se seguir uma linha...whatever. Aliás, cabe esta única ressalva de “diferenciação”, porque além disso não há nada que os eventos digitais mais consagrados que acontecem em São Paulo deixem a desejar com relação ao eventão nova-iorquino.
Complementando os posts do dias, da massa crítica de painéis desta terça-feira alguns destaques:
- Katie Couric (@katiecouric): âncora da CBS News, é figura conhecida dos americanos, apresentou por anos um “Bom dia Brasil” chamado USA Today. Durante a palestra intitulada “Traditional News Value in a New Media World”, de maneira muito natural e despretensiosa, Katie comentou o lado bom e o ruim do impacto das redes sociais no telejornalismo. Como aspecto positivo, destacou a colaboração com que passou a contar ao conduzir entrevistas com a participação dos internautas. Segundo Katie, antes ela ficava muito preocupada em fazer as perguntas que as pessoas gostariam de fazer e agora já as recebe prontas. Ela vê as redes sociais como “amostras que valem muitos insights”. Como segundo ponto positivo, a jornalista trouxe para o debate as vantagens de contar com as denúncias dos cidadãos, o que muitas vezes gera um furo jornalístico ou rende boas matérias. Como aspecto negativo, a jornalista destacou a questão da qualidade, da suposta falta de cuidado por parte de muitos produtores de conteúdos ao noticiarem em blogs, comunidades etc. Segundo a âncora, nem sempre fontes são consultadas, não há especialização em editorias específicas e não há grandes compromissos com a veracidade das informações.Como exemplo, Katie citou a onda de “mortes” no Twitter, como o falso acidente de carro que o cantor teen Justin Bieber teria sofrido. Mas concluiu que “sempre haverá espaço para o jornalismo sólido e de qualidade”. Sorridente, em algumas ocasiões, Katie se auto-intitulou uma “dinossaura”. Pode até ser.

- McKenzie Eakin (@MacheteBetty): Program Manager for Back-end Community Enablement e responsável pela Comunicação do Xbox nas redes sociais, McKenzie fez um papel fundamental internamente na organização: catequizou a alta gestão sobre a relevância e o impacto de seu trabalho (lembrou-me muito alguns conceitos da apresentação de @valmiranda e @ninocarvalho no Congresso Mega Brasil desse ano). Para alcançar tal objetivo, ela praticamente “desenhou” mesmo. Como exemplo, McKenzie mostrou uma primeira tabela na qual apresentava exemplos do que era um tweet, o equivalente no Facebook e a referência offline (“uma fala de alguém”).
Num segundo exemplo – e nova tabela – a executiva relacionou “oportunidade de comunicação” de “tweetevidence”, tangibilizando no Twitter a possibilidade de atingir os objetivos propostos (assim que o ppt dela estiver disponível, publico aqui o link para vocês!). Um dos objetivos da “coluna à esquerda” precisou ser, inevitavelmente, “reduzir custos de atendimento” para brilhar os olhos da alta gestão. Felizmente, muito além da questão meramente financeira (número de posições de atendimento), Eakin foi capaz de mostrar que o atendimento bem realizado e o diálogo com o público-alvo diferenciaram o Xbox de seus concorrentes na web. E deixou a dica: “respondam com agilidade e transparência”.
- Tim O´Reilly (@timoreilly), dono do evento e figura conhecida nos EUA pelo engajamento nas redes sociais, falou de maneira mais visionária sobre a web. Dentro da perspectiva de melhor uso das plataformas e de toda a tecnologia disponível hoje, O´Reilly propôs que a inovação seja grande aliada para se repensar a cultura do consumo. Sugeriu que todos trabalhem em “coisas que realmente importam”. Na sequência, falou sobre redes sociais locais que já permitem a realização de troca de pertences entre as pessoas, algo como um escambo 2.0. Na linha mais light de fazer um mundo melhor, O´Reilly colocou a diversão das pessoas como algo fundamental e muito ligado à web 2.0. A partir do exemplo do aplicativo Farmville, Tim concluiu: seja “smart stuff or dumb stuff, make it with smart tools”.
Amanhã tem mais, de Story-Telling a redes sociais internas nas empresas. Fiquem ligados aqui e no @inpresspni.
Até!
Hugo - @hugogodinho
Caso queiram ver fotos do evento, tem no Flickr. Clique aqui.
Gostei dessa que mostra Tim O´Reilly com a marca dele ao fundo.

Instigante a palestra de John Havens (@johnchavens), SVP da Porter Novelli, sobre realidade aumentada. Muitos exemplos práticos de aplicação da tecnologia, como a criada pela IBM para Wimbledon este ano (veja mais aqui), na qual por meio da câmera do celular os usuários tinham informações sobre o evento, como praças de alimentação, entretenimento, localização de banheiros mais próximos. Tudo muito na linha de ser útil, de funcionar como um serviço. Parece óbvio, mas as empresas e agências correm o risco de tentarem ser criativas acima de tudo, quando na verdade o usuário/cliente quer usar algo fácil e com utilidade.
Outra descoberta interessante foi o TagWhat, um rede social com recursos de geolocalização que traz uma grande oportunidade para conversações entre pessoas. E por que não entre marcas e pessoas? Assim como no Foursquare, o usuário faz o check-in por onde passa e pode deixar mensagens para amigos, por exemplo.
A questão da privacidade também foi colocada com muito humor nas tirinhas do iScreener. Se todos puderem ter acesso ao profile de todos, tudo pode ficar perigoso. Mas mesmo o conceito de perigo anda em discussão do ponto de vista das marcas, seja em NY ou no Brasil. Ao que parece, se tem algo que está claro e posto no mundo web 2.0 é a máxima de que quem não arrisca não petisca. E essa realidade não está aumentada.
Pode conferir a palestra do John Havens aqui: http://slidesha.re/cPlRFy
Estou cobrindo o Web 2.0 Expo em tempo real pelo Twitter: @inpresspni.
Hugo Godinho - Diretor de Mídias Digitais da In Press Porter Novelli
@hugogodinho
Acaba de acontecer o primeiro painel do dia no WebExpo 2.0 em NY. Josh Bernoff e Ted Schedler, da Forrester Research, apresentaram o tema Transformando sua Empresa para Abraçar Colaboradores e Clientes Empoderados. Muitos dados bacanas de pesquisa (alguns já twittei no @inpresspni).
A grande ideia apresentada é a de que as empresas precisam romper com seus modelos atuais de relacionamento. Hoje, o top management tem receio de conversar para valer com seus clientes. O departamento de tecnologia da informação, por sua vez, nega acessos básicos a redes sociais dentro das empresas para os funcionários. A área de Marketing tende a travar uma batalha isolada e muitas vezes com argumentos pouco sólidos. Nesse jogo de interesses, há os HEROes (Highly Empowered and Resourceful Operatives) que, segundo Bernoff, correspondem a cerca de 20% dos funcionários.
Os HEROes representam os hábitos e comportamentos dos próprios clientes, ávidos por informação, trocas, compartilhamento, ajuda. O twitter da BestBuy (@bestbuy) foi citado como exemplo corajoso de colaboração de HEROes para que os consumidores sejam respondidos mais rapidamente. Foi criado um sistema interno no qual muitos têm login e senha e respondem as mihares de dúvidas postadas no microblogging.
No novo modelo proposto por Bernoff e Schedler, os HEROes, TI e Gestores completam um triângulo no qual todos se ajudam, cada qual flexibilizando sua postura e interesses, permitindo um diálogo contínuo das empresas com seus clientes, e consequentemente uma compreensão mais verdadeira de como seus produtos e serviços são percebidos.
Veja aqui a palestra da Forrester em PPT > http://www.forrester.com/W2E
Estou cobrindo tudo em tempo real pelo Twitter: @inpresspni.
Hugo Godinho - Diretor de Mídias Digitais da In Press Porter Novelli
Em Nova Yorque já há alguns dias, tive a oportunidade de entrar no clima da cidade e preparar a mente para tudo o que promete o Web 2.0 Expo. Considerado um dos maiores eventos em web da atualidade, acontece duas vezes no ano, em São Francisco no primeiro semestre e, agora, normalmente em setembro, em NY.
O evento contará esse ano com nomes como Josh Bernoff, VP da Forrester Research, Katie Couric, co-fundador do Foursquare, Lynne Johnson, SVP da Advertising Research Foundation, Hilary Mason, cientista-chefe do bit.ly, Dennis Crowley, editora-chefe da CBS Evening News, Shiv Singh, Head de Digital na Pepsi e John Havens, SVP da rede de agências de relações públicas Porter Novelli. Estes são apenas alguns de dezenas de palestrantes que vão discutir o futuro do negócio digital - e o que já precisamos fazer desde já para estarmos the most updated.
Os temas serão muitos e os painéis simultâneos, imperdíveis. Vou priorizar os temas de Redes Sociais e Marketing e Estratégia e Modelos de Negócios, menos técnicos e mais ligados aos negócios do marketing, obviamente, e da comunicação.
Nos breaks do evento e ao final de cada dia, mando novidades.
Vou cobrir tudo em tempo real pelo @inpresspni. Fique à vontade para interagir e postar seus comentários.
Até mais!
Hugo Godinho - ansioso, direto do hotel em NY.
Hugo Godinho Autor: Hugo Godinho Diretor do Núcleo de Comunicação Integrada e Mídias Digitais da In Press Porter Novelli. Graduado em Administração de Empresas com foco em Marketing pela PUC-Rio em 2004, com passagem pela Universidade de Berkeley, California, no curso de Business Administration.
Este blog reflete única e exclusivamente a opinião do seu autor e não necessariamente o posicionamento jornalístico que norteia o Mundo do Marketing.
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