
Vocês acham que uma propaganda de comida pode se dar ao luxo de ser tão divertida, mas tão divertida, que desperta nojo? Essas propaganda de Skittles são capazes de tudo, menos de me dar vontade de experimentar.
Um brinde à criatividade sem limites!
O Carnaval, a maior festa do Brasil, acabou de passar. De olho nas multidões que estão nas ruas se divertindo, muitas marcas decidem destinar parte da (ou toda a) sua verba para fazer barulho.
Algumas distribuem amostras grátis, outras montam camarotes e há até quem banque um enredo inteiro de uma escola de samba em sua própria homenagem.
Sim, existem muito casos de sucesso. Mas são poucos versus a quantidade de gente que torra dinheiro com o evento. Tenho a nítida impressão de que o fato do carnaval ser no começo do ano empolga alguns marketeiros a sair gastando a "verba nova" sem controle algum.
Eu apostaria que as pessoas não lembram nem 10% das marcas que estavam expostas em alguma ação relacionada ao evento, mas isso também não quer dizer que ninguém deveria investir no Carnaval.
Por exemplo.... cerveja tem tudo a ver com essa festa, não? É verão, comemoração, hora de alegria... tudo a ver com o que as "loiras" oferecem. Por isso praticamente todas as marcas de cerveja decidem apostar no Carnaval.
Então.. que tal analisarmos juntos a "guerra das cervejas" deste período?
O gráfico abaixo é do Google Insights e mostra a evolução do interesse pelas marcas durante os carnavais de 2010, 2011 e 2012:

Vamos aos fatos:
1) Devassa: a marca da Schincariol ousou ao contratar e trazer Paris Hilton ao Brasil em 2010. No ano seguinte, surpreendeu ainda mais ao fazer a Sandy mostrar o seu lado "descontraído". A cantora virou motivo de chacota pra alguns... mas o fato é que conseguiu gerar um buzz online inédito nesse período. Até aí muita gente achava que a Devassa iria ameaçar as grandes. Mas... nem só de boas campanhas vive uma marca.. e a falta de distribuição e de ferramentas de conversão limitou a marca a menos de 1% de mercado. Para 2012, a expectativa do mercado era muito alta... o que seria ainda melhor? Saíram rumores de que Sílvio Santos poderia ser o novo garoto propaganda da marca e o clima esquentou. Mas o boato não rolou e a marca anunciou 2 dias antes do Carnaval em coletiva de imprensa que estava trazendo Hugh Hefner, o fundador da Playboy, para escolher pessoalmente a nova garota Devassa entre algumas modelos desconhecidas. Pra piorar muito, 4 dias depois eles anunciaram que o tiozinho não viria mais por problemas de saúde e mandaria o seu filho. Fiasco. Pelo gráfico dá pra ver que o buzz alcançado foi, na melhor das hipóteses, 5x menor que com a Sandy.
2) Brahma: resolveu dar uma paulada na concorrência no momento em que a Devassa acabara de ser comprada por uma empresa japonesa: anunciou em grande estilo a contratação da superstart Jennifer Lopez para "sapucar" no Brasil pela bagatela de US$2 milhões. Uau.
Fizeram uma super produção para TV mostrando o Zeca Pagodinho convidando a artista americana para vir ao nosso Carnaval, o que deixou a morena irradiante e ansiosíssima. Uau. Mas.... J.Lo chegou, ficou menos de 2 horas no camarote (em vários momentos com cara de tédio), não encontrou Zeca (o anfitrião não apareceu??) e ainda... declarou em entrevista que não é do tipo que bebe cerveja. What?????? Sim, a Brahma conseguiu mais buzz que a Devassa esse ano. Mas ainda não chegou aos pés da Sandy ou Paris e com certeza gastou muuuuuito mais.
3) Itaipava: a marca está comemorando o fato de sua cervejaria ter passado a Schincariol. Deve estar acertando muito e com uma estratégia super diferente, né? Mais ou menos... enquanto Brahma e Devassa apostavam no Carnaval, a Itaipava investia R$15 milhões em patrocínio no seriado... Rei Davi, da rede Record. Hein? Cerveja patrocinando seriado com história bíblica? Ouvi direito?
Não tenho números de vendas ou share. Mas está claro que metade do dinheiro investido por essas marcas no Carnaval pode ter ido pro lixo. Só resta saber qual metade.
Tiveram essa ideia e receberam uma homenagem da Ad Age como um dos comerciais mais bizarros de 2011.
Após alguns meses, saiu a notícia que o aparelho custaria US$ 300,00. O mercado achou caro e, algumas semanas depois, o lançamento foi anunciado a US$ 250,00.
Apesar de ter vários personagens famosos como o Super Mario ou Zelda, a Nintendo anunciou que o 3DS seria lançado apenas com o "Nintendogs", um joguinho simples, tipo o Wii Resorts. Antes de finalmente lançar o esperado console, a empresa ainda decidiu espalhar um monte de avisos sobre os riscos que a tela 3D poderia causar às crianças. E decidiu produzir uma super campanha de TV, que aumentaria muito o interesse pelo jogo:
Pelo amor... que propaganda mais horrorosa... alguém ficou convencido que a tecnologia é realmente revolucionária?
Para a "sorte" da Nintendo, a tela 3D realmente é inovadora e funciona. E isso salvou o produto (também ajudado pela chegada dos bons joguinhos e de promoções de preços na sequência).
Mas imaginem o estrago que a Apple faria se tivessem feito esse lançamento???
E, de repente, em um merchandising de TV do videogame Wii...
No fim do ano passado a Fiat decidiu fazer uma grande investida no seu simpático modelo 500 no mercado americano, divulgando uma campanha protagonizada pela super-star Jennifer Lopez.
=

Já postamos aqui várias comparações entre as fotos que estão na embalagem versus a imagem real de alimentos. O Big Mac da foto é certamente muito mais arrumadinho que o que comemos. Até entendo que com comida possa ser realmente difícil conseguir seguir um certo padrão. Mas... o que dizer de produtos industrializados que exageram nas fotos das embalagens?
Procurando na internet, cheguei à conclusão que o produto que mais gera frustrações é... piscina inflável para crianças! Em especial das marcas Banzai e My First. Vejam abaixo imagens que estão nas embalagens das marcas e fotos reais publicadas por usuários insatisfeitos:

Caramba... será que é má fé ou eles têm fotógrafos milagrosos?
*Postado originalmente no dia 2 de fevereiro.
Uma companhia aérea tailandesa resolveu abrir um processo de seleção inusitado... eles estavam em busca de aeromoças transexuais. Isso mesmo. Eles fizeram questão de contratar homens que decidiram fazer a cirurgia de mudança de sexo para trabalhar em suas aeronaves. Peter Chan, o presidente da P.C. Air, disse em entrevista à Reuters que os transex seriam ideais para essa função, pois conseguem entender tanto o mundo masculino quanto o feminino.
Após um processo de seleção de 10 meses em busca das candidatas que parecessem mais femininas, atraentes e fluentes em inglês e mandarim, contrataram 4 funcionárias:
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E colocaram na TV uma campanha estrelada pela miss transex do país, agora parte da equipe de bordo:
O caso saiu na revista Time, que explica que Bangcoc é uma das cidades onde mais homens fazem esse tipo de cirurgia no mundo.
No mínimo, polêmico.
Vamos tentar analisar esse caso racionalmente?
1) A qualidade do serviço da companhia aérea não melhorou por causa disso: Ainda que os transexuais tivessem uma capacidade de atendimento muito superior à média, o fato é que as 4 novas aeromoças não devem ser nem 1% do quadro de funcionários da empresa. E, sozinhas, não são suficientes pra melhorar o serviço da P.C. Air como um todo.
2) As outras aeromoças e comissários de bordo devem ter ficado incomodados: como você se sentiria se seu patrão aparecesse na TV dizendo que agora contrataram 4 funcionários que são mais capazes do que você? Como isso se refletiria na sua motivação?
3) Será que o passageiro frequente da P.C. Air gostou da novidade? Em qualquer companhia aérea do mundo existe uma grande dependência das viagens de negócios. E os executivos ainda são, em sua maior parte, homens. Será que os homens que estão no avião prefeririam ser atendidos por aeromoças mulheres ou aeromoças transexuais? Não estou expressando minha opinião sobre isso, estou apenas lembrando que ainda vivemos em uma sociedade majoritariamente machista e que isso pode criar uma barreira pras novas funcionárias.
Pois é... tentar alavancar o negócio sobre polêmica tem sempre os seus riscos.
E vocês, acham que isso é um acerto ou um erro de marketing?
*Postado originalmente no dia 30 de janeiro de 2012.
Nosso blog completou o segundo aniversário! Nesse período, já acumulamos mais de 500.000 leituras e passamos dos 30.000 seguidores no twitter @errosdemkt !
Pra quem gosta de aprender com os erros dos outros, o ano de 2011 foi um prato cheio. Tivemos casos bastante sérios em quase todos os meses. Como fizemos em 2010, é hora de relembrar e homenagear os maiores deslizes de Marketing do ano. Alguns são casos de erros de execução, outros de planejamento e outros de... puro azar. Mas de alguma forma as marcas abaixo certamente foram impactadas. Bom proveito!
TOP 10 "ESCORREGADAS" DE MARKETING DE 2011:
1) ZARA DENUNCIADA POR TRABALHO ESCRAVO
Os dirigentes da rede espanhola de roupas não devem ter conseguido dormir na noite em que o programa "A Liga", da Band, mostrou por quase 1 hora (!) as péssimas condições de trabalho em algumas confecções que fazem as roupas pra rede no Brasil. Rendeu uma negociação milionária com o MPT e um problemaço de imagem de marca.
2) TODDYINHO QUEIMA BOCA DE CRIANÇAS
Mais um caso seríssimo. Um lote do achocolatado infantil mais famoso do Brasil saiu da fábrica com soda cáustica misturada ao produto e deixou crianças machucadas no sul do país. Imagine o impacto disso em uma marca voltada ao público infantil???? E dá-lhe problemas com a vigilância sanitária.
3) TIRARAM O COURO DA AREZZO
Em Abril a famosa marca de calçados despertou o furor dos internautas ao lançar uma coleção que usava peles e pêlos de animais. Ficou nos trending topics do twitter por um fim de semana inteiro, sendo detonada sem parar e precisou tirar a linha do mercado.
4) CORREIOS INVESTINDO PESADO NO MEIO DA GREVE
Pois é... enquanto os Correios estava lançando uma série especial de caixas de Sedex e fazendo uma forte campanha de divulgação por serem patrocinadores do Rock in Rio, o serviço estava... em greve. Milhões pelo ralo. Mereceu um destaque na lista das piores coisas que aconteceram nesse evento.
5) COMPRE PEPSI E GANHE COCA-COLA
Pra reforçar a campanha "Pode ser Pepsi", a vice-líder das colas resolveu fazer uma matadora promoção do tipo "leve 2, pague 1", colocando até propaganda na TV. Resultado: faltou tanto produto, que tinha mercado dando Coca-Cola pra quem queria Pepsi. Uma verdadeira lição de planejamento.
6) CAIXA MOSTRA MACHADO DE ASSIS BRANCO
Ops... a prova de que um "pequeno" erro de execução pode gerar um belo boca-a-boca negativo. Ao querer resgatar a história de seus clientes, o banco simplesmente ignorou a história. E o pior... desapontou justo as pessoas mais cultas (que, em geral, são formadoras de opinião). Tiveram que se desculpar, regravar o comercial e conviver com as críticas.
7) O OLÉ QUE O PÂNICO TOMOU DA PROIBIDA
O despojado programa de humor da RedeTV foi vítima de uma ação de "ambush marketing" e deu mais de 1 hora de conteúdo pra uma marca de cerveja sem saber ao criar um quadro com garotas-propaganda disfarçadas. E, o pior, o Pânico já tinha uma marca de cerveja (Skol) como patrocinadora. Rendeu processo e um belo mal estar com a Ambev.
8) NISSAN BOMBARDEOU A FORD
A montadora japonesa decidiu abalar o mercado em 2011. Apesar de ter acertado a mão com os pôneis malditos, o ano não começou tão bem... a companhia mais do que exagerou ao colocar no ar uma campanha que detonava diretamente a Ford, lembram? Rendeu caso no CONAR, processo e, de novo, boca-a-boca negativo.
9) BOMBRIL DETONA HOMENS PRA CONQUISTAR MULHERES
Ok, algumas pessoas gostaram. Mas nós mantemos nosso ponto de vista de que não é necessário criar rejeição em um público pra agradar o outro. Por isso, a campanha das Mulheres Evoluídas, da Bombril, merece lugar nessa lista.
10) NEXTEL ATRAPALHA NEYMAR
Talvez seja azar, talvez não. Mas em um importante jogo do Santos, o craque usou uma máscara feita pela sua patrocinadora pra comemorar um gol e... foi expulso. Bem-vindo ao clube do que não jogam na próxima partida, Neymar!
A lista poderia ir mais longe. Não incluímos, por exemplo, o fato de que Nokia, Nintendo, Sony e Yahoo perderam mais de 10% do seu valor esse ano, o caso da Duracell - que patrocinou um trio elétrico que ficou sem energia - e o polêmico caso do umbigo que desapareceu na propaganda das Havaianas.
Nosso desejo é que em 2012 aconteçam muito menos erros! Mas, se alguém errar, vamos estudar o caso. Afinal... é errando que se aprende!
Esse é o blog de um profissional de Marketing que também já cometeu seus erros, mas que não se conforma com as atrocidades que vê por aí. Se cada erro traz um aprendizado, prepare-se... este blog vale por um MBA.
Este blog reflete única e exclusivamente a opinião do seu autor e não necessariamente o posicionamento jornalístico que norteia o Mundo do Marketing.
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