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Consumidores do Luxo valorizam o relacionamento

Os consumidores do Luxo valorizam o relacionamento e a confiança nas marcas. Segundo pesquisa da área Private do Banco do Brasil, o que importa para estas pessoas, além de produtos e serviços de excelência, é estar ao lado de marcas que têm valores. Criar esta cultura, dentro de uma organização de mais de 200, é um desafio. "É preciso mudar o pensamento de curto para longo prazo", aponta Osvaldo Cervi, Gerente Geral da Unidade de Private do Banco do Brasil.

A instituição financeira tem 16 mil clientes na área de alta renda, frente aos 55 milhões de clientes do Banco e dos outros mais de 100 milhões brasileiros bancarizados. Outro desafio é encantar estas pessoas endinheiradas que, juntas no Brasil, têm patrimônio de cerca de R$ 440 bilhões. O serviço de alta renda é o que mais cresce no Brasil. “Em breve o mercado brasileiro será o maior entre os países emergentes”, afirma o executivo. “Mas ainda estamos longe de oferecer um serviço financeiro realmente de Luxo”, reconhece.

 

 

Postado por Bruno Mello, direto do Atualuxo 2011 - 24/05/2011

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Consumidores de países emergentes não são todos iguais

Stéphane Truchi, AtualuxoOs mercados emergentes são uma realidade para o Luxo. Com a crise de 2009, o comportamento do consumidor foi profundamente alterado e o setor passou por um momento de retratação em todo o mundo, mas principalmente em economias mais maduras. Em 2010, no entanto, houve uma retomada e um crescimento inesperados. Essa recuperação é, em parte, explicada pelo aumento do poder de compra dos consumidores de países como Brasil, Rússia, Índia e China, o tão festejado BRIC, como destacou Stéphane Truchi, CEO do Instituto Francês de Opinião Pública (IFOP), em palestra neste primeiro dia de Atualuxo.

Para retomar o fôlego, as marcas tiveram que rever suas estratégias e pensar na redemocratização do Luxo, além de reforçar a sua relação com os clientes mais fiéis. “O eixo decisivo para as marcas de luxo foi o desenvolvimento internacional. Os países emergentes não são mais uma coisa só”, explica Truchi.

Com as mudanças, as empresas perceberam as oportunidades dos mercados emergentes e passaram a focar seu planejamento também nestes países. Mas, para aproveitar as oportunidades destes terrenos férteis, entender que os consumidores são completamente diferentes, de acordo com a cultura, os hábitos e o comportamento do local em que moram, é essencial. O desafio para as empresas reside em saber quem são estes chineses, russos, indianos e latinos. E rápido.

Mercados emergentes são diferentes
“Há 412 bilionários norte-americanos. Neste ranking, o Brasil ocupa o nono lugar, com 30 bilionários. Quando observamos esses números de altíssima renda vemos que a força do bloco emergente é decisiva sobre o consumo”, diz o CEO do IFOP, durante a apresentação dos resultados de uma pesquisa inédita feita com consumidores da Rússia, China, Índia e América Latina, em parceria com a MCF Consultoria e Conhecimento.

De acordo com o levantamento, os moradores destes países estão confiantes sobre a melhoria do poder aquisitivo. Enquanto 61% dos mexicanos acreditam num acréscimo de potencial de consumo, o Brasil lidera os resultados da pesquisa, com 76% de otimismo. Diante deste cenário, saem na frente as marcas que conseguirem se estruturar mundialmente, sem esquecer de direcionar suas estratégias localmente.

Os chineses, por exemplo, confiam em marcas “claras”, conhecidas. Por isso, as companhias que querem conquistar este público devem investir na construção de marcas fortes e procurar em sua história pontos com os quais os chineses se identifiquem, para criar imaginários fortes, baseados nas raízes. Estes consumidores também valorizam a qualidade e dão muita importância ao preço que pagam. Outra oportunidade é apostar nos jovens chineses na faixa dos 20 anos, que têm um grande potencial de compra.

Características próprias
Já os brasileiros têm uma relação muito próxima da beleza e da estética. O país é o segundo maior mercado mundial em cirurgia estética e o terceiro principal usuário de cosméticos. A natureza também é um tema onipresente no Brasil, o que acaba tendo consequência na comunicação das marcas. Quem se interessar por este mercado precisará respeitar esta particularidade.

Na Rússia, os valores tradicionais na era do pré-comunismo são destaque. Produtos icônicos, que levam os russos a reencontrarem a noção de prazer são muito importantes, como é o caso das bebidas alcóolicas. O mesmo é observado na Índia, que valoriza muito sua própria história e cultura e começa agora a dar espaço para novos entrantes, que podem estar lado a lado com o que é produzido localmente.

Postado por Sylvia de Sá, direto do Atualuxo 2011 - 24/05/2011

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Mercados emergentes: novos consumidores, novos comportamentos

Stéphane Truchi, Atualuxo 2011A terceira edição do Atualuxo propõe uma reflexão sobre o negócio de luxo. Carlos Ferrerinha, Presidente da MCF Consultoria, convida os participantes da conferência a pensar sobre a última década, o que foi aprendido pelo setor e quais as perspectivas para os próximos 10 anos, lembrando que o mercado do Luxo impacta uma séria de outros segmentos e não deve ser analisado apenas dentro do seu universo. “Nem todas as empresas e marcas devem ser de Luxo, mas todas podem e devem aprender com esse segmento”, diz.

Stéphane Truchi, CEO do IFOP, Instituto Francês de Opinião Pública, apresentou os resultados do Projeto Living Luxury, um estudo do comportamento dos consumidoresdos dos mercados emergentes: Rússia, China, Índia e América Latina, conduzido em parceria com a MCF no Brasil, Argentina e México. Os dados sugerem que as empresas de Luxo devem ter consciência de que estes são mercados distintos entre si e precisam desenvolver estratégias diferentes para cada perfil de consumidor.

Em todos os países pesquisados, empresas como Louis Vuitton, Gucci, Rolex e Armani foram citadas como marcas associadas ao Luxo, o que mostra que essas empresas tiveram sucesso em se estruturar e posicionar internacionalmente. Mas o estudo mostra também que marcas de lifestyle e esporte como Nike e Reebok foram citadas como referência de Luxo na Índia e que tradicionais joalheirias como Cartier e Tiffany não são lembradas no Brasil, devido à forte presença de marcas nacionais que são sinônimos de Luxo como H.Stern e Amsterdam Sauer. A tradicional Hermès foi citada somente na China e no Brasil, Rússia e México aparecem nomes como Dolce & Gabanna. Já a italiana Ferragamo foi citada apenas no Brasil.

Pesquisa indica comportamentos
Definir Luxo não é fácil. Para alguns, o Luxo está naquilo que é raro e caro, coisas ou objetos com valor definido, quase um artigo apenas para contemplação. Para outros, o Luxo é o supérfluo, o elegante, o exclusivo, muitas vezes nem mesmo é um objeto, mas um signo, uma sensação, uma situação de conforto ou bem-estar. Alguns vêem o Luxo somente quando está acompanhado de tradição e história. Outros o enxergam na criatividade e no artesanal, valorizados pela estética contemporânea.

Mas em todos os países em que foi realizado o estudo, o Luxo foi definido como Qualidade Superior. Esse atributo é indissociável às marcas do segmento. É o que os clientes tradicionais e os novos consumidores do Luxo esperam. E em países como o Brasil, os clientes esperam ainda mais. Os brasileiros são muito exigentes em termos de serviço e atendimento. Esperam mais produtos no ponto de venda, esperam mais pessoas para atendê-los, esperam ajuda no momento do pagamento, esperam bebidas e outros agrados nas lojas.

Outro ponto destacado no estudo é que, em geral, nos países emergentes, os consumidores têm a percepção de que as lojas em seus países têm menos variedade de produtos do que nos mesmos pontos de venda do exterior. Portanto, um ponto de atenção às empresas que já atuam no Brasil refere-se a realizar ações para alterar essa percepção local. Até porque, o ponto de venda é o fator de influência na compra apontado como o mais importante pelos pesquisados.

Em seguida, aparece o website da marca. O consumidor emergente dá muita importância ao que está na internet. Blogs e sites especializados são fontes importantes de consulta. Entre os seguidores das grifes nas redes sociais, os clientes emergentes são o de maior representatividade. No Brasil, o boca a boca é importante, e uma oportunidade para as marcas que querem desenvolver relações a partir da web.

Postado por Fábio Garcia, direto do Atualuxo 2011 - 24/05/2011

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Uma década de crescimento

As grandes mudanças enfrentadas pelo mercado nos últimos anos tiveram reflexo direto no faturamento das empresas de Luxo no Mundo. Depois de um ano de forte crescimento em 2000, as empresas deixaram de vender em função dos atentados de 11 de setembro de 2001, uma fez que o ato terrorista afetou o turismo e a confiança das pessoas. A saída foi investir na democratização do segmento, o que representou um crescimento de 14% nas vendas de muitas companhias, segundo números da Brain & Co.

Um ano depois, no entanto, o mercado estagnou. As marcas de moda foram as mais afetadas. Em 2003, a economia europeia entra em estagnação e o Japão já enfrenta a sua maior recessão pós-guerra. O faturamento do mercado mundial cai 3%. Mesmo assim, o segmento de acessórios é o único que não cai.

Já o ano de 2004 é simbólico para o Brasil. O mercado de luxo no país cresce nada menos do que 100% em relação a 2003. Com isso, as marcas mundiais começam a perceber o potencial de consumo brasileiro e miram seus olhos para cá. Dois anos depois, a Rússia também chama a atenção do mundo com o crescimento de seu mercado voltado ao luxo. Em 2007, o mundo se rende a grandiosidade chinesa, com destaque para as compras masculinas.

Comércio Eletrônico ganha força
No mesmo ano, as compras de produtos de luxo pela internet começam a aparecer no radar das companhias. Em 2008, a crise financeira tem grande impacto no mercado, que cai 2%, e em 2009 registra a maior retração de todos os tempos, menos 11%. “As marcas precisaram melhorar a sua gestão”, aponta Claudia D'Arpizio, sócia da Bain & Co. A crise também afetou o Brasil, mas não a China, que cresceu 20%.

Em paralelo, o comércio eletrônico cresceu porque os consumidores tradicionais do Luxo se sentiam envergonhados em desfilar suas sacolas de marcas tradicionais e passaram a comprar online. A recuperação do mercado tradicional vem em 2010 com força e cresce nada menos do que 12%. Para este ano, a expectativa da Bain & Co é que o mercado aumente em 8%. Agora, com o Japão em crise, a revolução digital e o crescimento da China, o mercado experimenta uma forte expansão.

Expansão esta que deve estar pautada pela diferenciação – agora ainda mais importante do que antes. Há 15 anos, o mercado de luxo era pequeno. Se resumia aos mais ricos. Hoje, são mais 30 milhões de consumidores do segmento, aponta a Bain & Co. “A geografia do luxo mudou e a ordem agora, mais do que nunca, é oferecer experiência e buscar a lealdade do consumidor”, ressalta Claudia (foto) em sua apresentação no Atualuxo 2011.

Uma década de crescimento

Postado por Bruno Mello, direto do Atualuxo 2011 - 24/05/2011

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10 mandamentos do mercado de Luxo para 2012

Em 2012, ao contrário do que os Maias preconizaram, o mundo não vai acabar. E muito menos o mundo do Luxo, que tem se re-inventado como nenhum outro segmento, sendo uma das indústiras que mais se expande no mundo. Yaffa Assouline e Christophe Rioux, os segundos palestrantes do primeiro dia da ATUALUXO 2011, apresentaram os 10 mandamentos do mercado de luxo para o próximo ano.

I - Irás aos Mercados Emergentes
Não é mais uma opção avaliar a presença nos mercados emergentes, é uma decisão vital para o negócio de luxo.

II - Substituirás a figura do Grande Costureiro
Com o controle das grifes nas mãos dos CEO e CFOs, as grandes Maison não terão mais uma grande estrela, apenas talentosos; recrutados e exercendo sua criatividade sob o comando dos grandes executivos.

III - Dominarás a arte
A Arte assume papel importante na estratégia de Markerting das empresas.

IV- Consultarás as redes sociais
Criado em 2004, o Facebook revolucionou a maneira como as pessoas interagem na internet, seguido do Twitter e do Youtube. Todas as grandes grifes de luxo usam as redes sociais, mas para 2012, a ordem é usá-las de maneira ordenada e com uma estratégia clara e definida por trás. Hoje, talvez somente a Burberry faça isso.

V - Combaterás a falsificação
Carlos Ferreirinha disse na abertura do evento que há uma grande dicotomia na China: o maior celeiro de produtos falsificados se tornará o maior consumidor de luxo do mundo. Isso não significa que as marcas não devam abandonar o combate à produção e venda de produtos falsos.

VI - Desconfiarás do Masstige
O Masstige - termo, popularizado por Michael Silverstein e Neil Fiske no livro Trading Up, resulta da junção das palavras massa e prestígio, e significa literalmente prestígio para as massas - foi amplamente utilizado como ferramenta de Marketing e vendas desde 2004 com a histórica colaboração de Karl Lagerfeld e H&M, mas o alerta é que essa estratégia só deve ser usada se marca e/ou produto permanecer fiel ao seu DNA e com qualidade acima de tudo. Acessiveis sim, sem perder prestígio.

VII - Apoiarás o desenvolvimeno sustentável
Fala-se muito de sustentabilidade, mas será que estamos realmente produzindo e comprando produtos ecológicos. O conceito de sustentabilidade se amadurecerá em 2012, englobando ética, coletividade, modo de produção, valorinzando a origem da matéria-prima e a durabilidade do produto. 

VIII - Cuidarás da arquitetura e do design
Assim como a Arte, a Arquitetura é parte integrante do conceito de luxo. O consumidor de luxo cada vez mais procura artigos que sejam únicos, exclusivos e que atendam todos os desejos. Isso inclui não só o espaço físico das lojas, mas também o design de novos produtos.

IX - Inventarás o Luxo do Futuro
O luxo do futuro é o tempo e o espaço. Como oferecer produtos e serviços que exaltam esses atributos?

X- Voltarás ao Brasil
Não há mais dúvida de que o mercado brasileiro é significante para o mercado mundial de luxo. Mesmo não tendo as taxas de crescimento da China, tem mostrado expansão consistente.

Pode não ter sido o próprio Moisés que transmitiu esses mandamentos, mas não custa nada afixá-los num lugar bem visível e se planejar para segui-los.

Yaffa Assouline e Christophe Rioux

Postado por Fábio Garcia, direto do Atualuxo 2011 - 24/05/2011

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Uma década de transformações

Yaffa AssoulineAs principais mudanças mundiais na última década que impactaram o Luxo. Este foi o tema abordado por Yaffa Assouline, Fundadora do Assouline Media e Editora-Chefe do luxuryculture.com, e Christophe Rioux, Diretor do MBA Gestão do Luxo do ISC Paris, durante palestra no Atualuxo 2011. A apresentação destacou datas que influenciaram o mercado nestes 10 anos, como a entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC), em 11 de dezembro de 2001.

Uma das transformações consequentes do período foi a passagem do poder para gerações mais jovens. “Nas histórias das famílias, sempre há sucessão. O mesmo acontece nas empresas”, diz Rioux. Um dos gigantes do setor, o Grupo PPR, que controla marcas como Balenciaga, Yves Saint Laurent e Gucci, foi assumido por François-Henri Pinault, em 2003. No mesmo ano, outra potência do Luxo, o Grupo LVMH, ganhou um reforço familiar. Bernard Arnault convidou a filha Delphine Arnault para estar ao seu lado nos negócios da empresa.

As mudanças também impactaram o contexto e o cenário das grifes do Luxo. “Em 22 de janeiro de 2002, Yves Saint Laurent apresentou sua última coleção com lágrimas nos olhos. Durante a coletiva de imprensa, o estilista confessou que não compreendia mais o mundo. Ele não estava bem nessa atmosfera, não entendia que as finanças realmente passassem a dominar a criação”, ressalta Yaffa.

Em uma década, o Luxo também viu seus ícones se aventurarem por outros mercados. Karl Lagerfeld foi o primeiro estilista a criar uma coleção em parceria com uma loja de departamento, em ação com a H&M. O chamado “Mastígio”, termo que combina as palavras “massa” e “prestígio”, é a associação do valor das marcas de Luxo ao mercado de massas e também foi a aposta de Lagerfeld quando associou seu nome à Coca-Cola, em uma edição especial da Diet Coke.

Christophe RiouxA Revolução Digital
A cultura de massas também influencia o Luxo por meio da internet. Com o Facebook, criado em 2004, Mark Zuckerberg levou as marcas a entrarem na guerra por mais seguidores. Empresas como Burberry contam com mais de quatro milhões de fãs na rede social. “O Youtube é um estímulo à exibição. Um fenômeno capaz de fazer e desfazer vidas e reputações”, acredita o Diretor do MBA Gestão do Luxo do ISC Paris.

A era da exibição, potencializada pela web, levou empresas a investirem em verdadeiros monumentos para promoverem suas marcas. Em 2005, a Louis Vuitton inaugurou sua megastore na Champs-Élysées e colocou modelos nuas no meio de malas. “Não se trata de uma boutique de luxo, mas de um museu de arte contemporânea. Há sempre artistas”, explica a Fundadora do Assouline Media e Editora-Chefe do luxuryculture.com.

Em 2007, foi a vez da Fendi inovar e promover um mega desfile na Grande Muralha da China. “Modelos desfilaram no único monumento que pode ser visto do espaço. Foi um símbolo da continuidade da entrada da China na OMC”, destaca Rioux. A partir do estudo das principais transformações do Luxo na última década, os palestrantes também desenvolveram os 10 mandamentos do setor para 2012, como “Consultarás as redes sociais”, “Combaterás a falsificação”, “Apoiarás o desenvolvimento sustentável” e “Inventarás o Luxo do futuro”.

Postado por Sylvia de Sá, direto do Atualuxo 2011 - 24/05/2011

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Luxo no Brasil e no mundo se transforma

Carlos FerreirinhaUma década de estudo sobre a gestão do Luxo no país mostra como o mercado mudou nos últimos tempos. Há uma transformação do significado sobre o Luxo no mundo e, principalmente, no Brasil. O segmento não é mais orientado apenas pelas grandes marcas e pelos consumidores endinheirados. Novas marcas e novos consumidores agora fazem parte deste universo que tem cada vez mais oportunidades.

A democratização do consumo mudou o luxo, uma vez que deu mais acesso a produtos e marcas de forma ampla e praticamente irrestrita. “As gôndolas dos supermercados estão cheias de produtos que se posicionam como premium. O Marketing levou a estratégia de gestão do Luxo para o negócio”, afirma Carlos Ferreirinha, Presidente da MCF Consultoria. “Há também cada vez mais consumidores querendo comprar algo especial. Até quem adquire um carro popular, como um Celta, quer customização”, completa, durante a primeira palestra do Atualuxo 2011.

A dinâmica do Luxo foi alterada. Mercados que eram fechados como o próprio Brasil, a Rússia e a China hoje têm parcela importante nas vendas de grandes grupos. A ordem é diversificação. Por isso, as marcas tradicionais precisam ter cuidado. “A marca pode aumentar a sua base, mas tem que estar concentrada em manter a característica especial, de excelência, de valor genuíno, do encantamento e do compromisso com a excelência”, ressalta Ferreirinha.

Nesta transformação, o Brasil se tornou essencial para algumas operações mundiais e vê sua importância crescendo, apesar dos entraves tributários e de infraestrutura. Se antes os executivos não sabiam nem onde se localizava a capital do país, hoje partem para montar filais prioritariamente em São Paulo. “Mas há muitas oportunidades no interior das grandes cidades e no Norte e no Nordeste”, acredita o especialista brasileiro.

Oportunidades também para as marcas nacionais que podem ser referência. “O Brasil virou o Brasil do Luxo. O país está construindo marcas de Luxo e me arrisco a dizer que teremos empresas de fora vindo aprender sobre a excelência na área de serviços, por exemplo”, diz Ferreirinha. O desafio será a melhora contínua. Se há empresas hoje que já têm um posicionamento premium, segmentações VIPS, Vermelho ou Black, qual é o próximo passo? “Qual será o próximo movimento que as marcas devem promover para continuar encantando seus clientes?”, questiona Ferreirinha.

Postado por Bruno Mello, direto do Atualuxo 2011 - 24/05/2011

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Hora de repensar a gestão do Luxo

Há 10 anos, o Brasil conhecia um pensamento, um olhar diferenciado sobre o Luxo. Para além da moda e do consumo de marcas cultuadas há séculos, o Luxo é um modelo de gestão e uma filosofia empresarial capaz de transformar um simples produto em objeto de desejo e um serviço comum em uma experiência inesquecível e extraordinária. Este mundo de adjetivos foi descortinado há uma década por Carlos Ferreirinha, ao fundar a MCF Consultoria e Conhecimento, após ser o principal executivo no país do maior grupo de Luxo do mundo, o LVMH.

Dez anos depois, o Brasil já aprendeu com o Luxo, mas o caminho ainda é grande para atingir os patamares de mercados desenvolvidos. A crise financeira mundial em 2009 e, antes dela, a massificação do Luxo, hoje ainda mais presente e até contraditória, mudaram para sempre o segmento. Por isso, é preciso repensar os conceitos. Refletir e estudar novos formatos para vislumbrar novos caminhos. Esta é o foco do Atualuxo 2011.

A Conferência Internacional da Gestão do Luxo, idealizada pela MCF, tem como meta discutir os 10 anos do Luxo no Brasil. “A dinâmica do Atualuxo desse ano está muito em cima de informações qualificadas, de institutos de pesquisa e consultorias, e muito pautada em novos formatos. Onde estão as novas oportunidades, quais são as novas escolas de gestão de luxo, onde existem reais possibilidades de mudança e de crescimento”, afirma Carlos Ferreirinha, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Possibilidades estas que até empresas como Coca-Cola já perceberam. Embora seja uma empresa de massa, a companhia busca inspiração na filosofia para abrir a mente. “Todas as empresas poderiam e deveriam estimular os seus clientes a tomarem decisões para alguns dos seus produtos ou categorias pela vontade, pelo desejo e não pela necessidade. A gestão do luxo tem uma determinação muito clara de comprometimento com excelência, um compromisso imperativo com qualidade, técnicas e ferramentas que estimulem o consumidor para uma observação emocional e uma tomada de decisão de desejo, por histórias que façam sentido ao longo do caminho”, aponta o especialista na entrevista a seguir.

Mundo do Marketing: Há 10 anos, não se falava de luxo no Brasil. Não existia o conceito, embasado com foco em gestão como existe hoje, e as marcas não tinham um guia. Hoje elas têm, chamado MCF, Ferreirinha e o Atualuxo. Como você vê a evolução desse conceito?
Carlos Ferreirinha: Não existia essa reflexão de gestão do luxo. O termo luxo era trabalhado sempre de uma forma um pouco descolada da gestão e do negócio. Era o luxo muito mais como comportamento. Há 10 anos, quando abri a MCF Consultoria de Luxo, a maior parte dos jornalistas que me ligavam era para saber como é que fazia a combinação de meia com calça, camisa com terno... Eles tinham na cabeça que esse luxo era um luxo associado à moda, comportamento e estilo. Dez anos depois, com todos os bônus e ônus, o que reconhecemos é que nós nos empenhamos muito e colocamos como ferramenta nossa de especialização o luxo como negócio, como gestão, como ferramenta de gerenciamento.

No início, as empresas que apostavam na MCF eram de moda ou muito pequenas, que queriam se tornar empresas de luxo. Uma década depois, temos clientes como Banco do Brasil, Coca-Cola, Chevrolet, Itaú e as empresas de luxo tradicionais. Uma frase que uso muito é que nem todas as empresas precisam ou poderiam ser de luxo, mas todas as atividades econômicas podem aprender com a gestão do luxo para uma diferenciação estratégica. Hoje, quando tenho Coca-Cola como cliente, é uma celebração. Olhamos e falamos que aquilo em que acreditávamos há 10 anos deu resultado. A Coca-Cola não é uma empresa de luxo, mas também quer entender o mercado.

Mundo do Marketing: Que lições são essas que as empresas aprenderam nos últimos 10 anos?
Carlos Ferreirinha: A tomada de decisão de consumo na gestão de luxo é emocional. Todas as empresas poderiam e deveriam estimular os seus clientes a tomarem decisões para alguns dos seus produtos ou categorias pela vontade, pelo desejo e não pela necessidade. Dizemos que a gestão do luxo tem, nas suas entranhas, uma determinação muito clara de comprometimento com excelência, um compromisso imperativo com qualidade, técnicas e ferramentas que estimulem o consumidor para uma observação emocional e uma tomada de decisão de desejo, por histórias que façam sentido ao longo do caminho, associações das marcas e dos produtos. A escola de gestão do luxo leva as marcas a alcançarem um patamar de excelência no diálogo com o consumidor.

Mundo do Marketing: E isso todas podem fazer, a exemplo da Coca-Cola.
Carlos Ferreirinha: Todas elas. Não importa qual é a categoria, a atividade, a base social que elas atendem. Todas as empresas podem se espelhar na gestão do luxo, não para se tornarem luxo, mas para que consigam ter uma vantagem competitiva diferenciada.

Mundo do Marketing: Agora nesses 10 anos vimos que há no Brasil muitas empresas focadas no luxo. E não só no luxo, mas no premium também. Temos exemplos desde o Shopping Cidade Jardim até a Chocolat du Jour. Como você vê essa evolução do mercado brasileiro? Como chegamos a este momento?
Carlos Ferreirinha: O que vemos no Brasil não existe em outros mercados. Talvez seja a grande diferença do mercado brasileiro para o mercado chinês, indiano ou russo. Hoje é difícil reconhecer na China, na Rússia ou na Índia marcas locais de luxo. Mas no Brasil existe um exercício verdadeiro de marcas que estão fazendo trabalhos muito interessantes, que já possuem serviços no nível das marcas internacionais de luxo. O Brasil é um país muito rápido na decodificação. O empreendedor brasileiro rapidamente cria a história dele.

Quando falamos de premiunização, claro que há o risco da banalização, do uso indevido ou do excesso do que está sendo feito, mas o mercado é soberano, se ajusta ao longo do tempo. O que vemos é um mercado em ebulição, em movimento, que quer criar estratégias e alternativas para seus produtos e seus serviços que consigam estimular o consumidor a perceber as marcas de forma diferenciada. E o Brasil tem feito isso genuinamente. Temos excelentes exercícios, ora premiuns, ora de luxo, verdadeiros, reais, contundentes.

Mundo do Marketing: Falando de luxo, especificamente, o Brasil ainda deixa a desejar com relação às grandes marcas. Há operações na China muito maiores do que as que temos aqui. O que falta para decolar? É a questão fiscal apenas?
Carlos Ferreirinha: É um pouco de tudo. O Brasil é um país promissor. Nós ainda somos um país embrionário, em fase de desenvolvimento, criando oportunidades. Mas quando analisado no médio e no longo prazo, o Brasil demonstra muita inclinação de crescimento e desenvolvimento acima de tudo. Agora, somos um mercado complexo, burocrático, muito oneroso. O custo Brasil é, muitas vezes, proibitivo para a expansão ou a chegada de marcas. Tivemos, durante muitos anos, uma concentração absoluta na cidade de São Paulo. A necessidade da expansão geográfica é fundamental. Começamos a ter classe média voltando a consumir no Brasil. São uma série de elementos que levam um país a ser complexo, apesar de promissor.

Mundo do Marketing: As marcas estão olhando com mais atenção, vendo potencial de crescimento, pelo fato do Brasil ser a bola da vez?
Carlos Ferreirinha: Sem dúvida. Aí está outro ponto importante da gestão do luxo. A maior parte das marcas, quando internacionais, até mesmo as genuínas nacionais, não vão olhar um mercado de curto prazo. Elas estão olhando um mercado de longo prazo. A gestão do luxo é muito pautada pela visão do longo prazo. É por isso que é fácil reconhecer no cenário internacional marcas francesas, italianas de luxo que ultrapassaram 100, 200 anos. Elas não olham o mercado para os próximos cinco anos. Estão olhando os próximos 10, 15. E priorizam hoje a análise do mercado brasileiro para que estejam educando o consumidor para esse momento de crescimento e de formação do mercado.

Mundo do Marketing: Essa é a primeira vez que o Atualuxo será realizado num momento em que o Brasil está em voga. Qual é o papel do evento?
Carlos Ferreirinha: Há quatro anos, quando idealizamos o Atualuxo, queríamos dizer que, acima de tudo, não é necessário trazer eventos internacionais para o Brasil. Somos capazes de criar eventos de luxo. O Atualuxo veio para mostrar isso e, acima de tudo, trazer uma reflexão para o mercado brasileiro e o eixo latino-americano. Para que as pessoas, a partir do Atualuxo, entendam de comportamento, tendências e movimentos que estão acontecendo no mercado brasileiro. Acreditamos que, verdadeiramente, a gestão do luxo e o universo do luxo são recentes no Brasil. Temos que trazer as melhores práticas para que possamos questionar.

Mundo do Marketing: Qual será o principal foco desta edição do Atualuxo?
Carlos Ferreirinha: Usaremos o aniversário de 10 anos da MCF para trazer o foco para esta década de transformação. A dinâmica do Atualuxo desse ano está muito em cima de informações qualificadas, de institutos de pesquisa e consultorias, e muito pautada em novos formatos. Onde estão as novas oportunidades, quais são as novas escolas de gestão de luxo, onde existem reais possibilidades de mudança e de crescimento.

Mundo do Marketing: Importantíssimo você falar de novos formatos. Não podemos esquecer da crise econômica mundial que talvez tenha afetado o luxo de maneira significativa...
Carlos Ferreirinha: Exatamente. É necessário rever os conceitos, abrir a cabeça. Mais uma vez, a MCF não é uma empresa pautada para falar da Prada e da Louis Vuitton o tempo inteiro. Somos pautados para falar para o mercado. O que se pode fazer em todos os segmentos. Estamos trazendo o Moma, o Grand Canyon, de Colorado, nos Estados Unidos, institutos de pesquisa, referências de todos os círculos possíveis de atividades. Abrindo possibilidades para que as mentes não sejam estreitas.

Mundo do Marketing: Dez anos se passaram. E os próximos 10? O que vem por aí?
Carlos Ferreirinha: Acreditamos muito num Brasil pautado em serviços e que isso será fortemente impactado pela capacitação da mão de obra. Vou te falar em primeira mão. Nós estamos lançando no segundo semestre deste ano, para colocar em operação no ano que vem, a primeira escola de capacitação em gestão emocional, gestão de luxo e desenvolvimento de mão de obra da América Latina. Estamos criando um centro lúdico de treinamento para capacitar mão de obra para estes próximos anos no Brasil.

Postado por Atualuxo 2011, direto do Atualuxo 2011 - 24/05/2011

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Mundo do Marketing faz cobertura especial do Atualuxo 2011

O Mundo do Marketing fará a cobertura especial do Atualuxo 2011, que será realizado a partir de hoje, dia 24, até quinta-feira, em São Paulo. Nossa equipe estará nos três dias da Conferência do Negócio do Luxo, acompanhando todas as palestras e divulgando o conteúdo a partir de posts, reportagens e entrevistas em video.

Entre os participantes desta edição estão Roland Herlory, Presidente América Latina e Caribe da Hermès; Rosanne Behar, Diretora Internacional do Shopping Cidade Jardim; Yusuf Omar, Cônsul Geral da África do Sul; Kathy Thornton-Bias, Diretora Geral da Divisão de Varejo do MoMA – Museu de Arte Moderna; Concetta Lanciaux, Fundadora e CEO da Strategy Luxury Advisors e ex-Conselheira de Bernard Arnault, do Grupo LVMH; Rogerio Fasano, Sócio-Proprietário do Grupo Fasano, e Eliana Tranchesi, da Daslu.

Atualuxo 2011

Postado por Sylvia de Sá, direto do Atualuxo 2011 - 24/05/2011

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| Redação

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