Home > Artigos > Sandra Turchi > Crowdsourcing - a sabedoria das multidões
Por Sandra Turchi*
A necessidade do ser humano de buscar algo novo é observada ao longo da história. E quando falamos do mundo corporativo isso se torna, muitas vezes, uma questão de vida ou morte. Com o advento da internet, muitas coisas têm mudado e a forma de buscar inovação é uma delas. Talvez seja apenas mais um modismo, porém, o fato é que muitas companhias já estão utilizando esse novo caminho colaborativo, ou seja, o crowdsourcing que, segundo a Wikipedia, significa utilizar a inteligência e os conhecimentos coletivos e voluntários para resolver problemas, criar conteúdo ou desenvolver novas tecnologias. É também chamado de “open innovation”.
Mas como isso funciona? Muitas vezes, a empresa consulta a “nuvem”, onde anuncia seu problema e estabelece um preço. Nesse caso, os participantes propõem soluções e a empresa seleciona a melhor. As propostas podem vir de profissionais ou não. Embora isso seja bem difundido nos EUA, no Brasil ainda é pouco utilizado.
Há diversos exemplos de produtos obtidos através do crowdsourcing, como os sistemas operacionais Linux e Android, do Google, que foram criados por voluntários ao redor do mundo, o que demonstra que muitos internautas podem fornecer informações mais precisas do que peritos individuais. Ou seja, por trás disso, está a ideia de que muitas cabeças pensam melhor que uma. O maior exemplo desse conceito é a própria biblioteca virtual Wikipedia, que é tão precisa nas suas definições como uma enciclopédia tradicional. Outro caso que demonstra claramente como isso funciona são as comunidades voltadas à criação de aplicativos para aparelhos móveis, como para IPhone e Ipad.
Isso é bem utilizado no mundo da tecnologia, como descrito acima, mas não apenas nesses casos. Na moda, essa tendência tem se ampliado, como nos exemplos da Nike e Ked’s, em que os internautas criam seus próprios modelos. E o mais interessante não é a venda desses itens pelas companhias e sim a repercussão gerada nas redes sociais, quando essas pessoas postam as respectivas criações em suas próprias páginas.
Um dos maiores casos de sucesso no Brasil foi a criação do carro ‘Fiat Mio’, lançado no último salão do automóvel, em 2010, em São Paulo. Esse projeto obteve mais de 10,6 mil ideias enviadas e mais de 17 mil participantes. Já o Zoopa é um exemplo ligado à publicidade e usado por marcas como Microsoft, Sony, Google e Nike. Nele empresas publicam seus briefings e publicitários apresentam peças e campanhas criativas, para que as melhores sejam premiadas.
Vale ressaltar a experiência de um portal holandês, chamado “Battle of concepts”, cujo representante no Brasil é a empresa Terraforum. Nesse espaço, desafios são propostos a estudantes e o foco é a busca de novas soluções, produtos ou processos mais eficientes. As empresas oferecem R$ 15 mil em prêmios, distribuídos para as melhores ideias. Em um ano, doze empresas lançaram batalhas, entre elas Philips, Ambev, Natura e Tecnisa. Falando em Tecnisa, sua experiência foi tão positiva com o crowdsourcing - nos últimos dois anos, mais de 10 processos foram remodelados - que a empresa decidiu lançar seu próprio portal de inovação em 2010, o ‘Tecnisa Ideias’, sendo que o seu principal interesse é o de se aproximar de grandes talentos.
Como a própria história nos mostra, a busca pela inovação não tem caminhos precisos, exatos. Ela deve ser vista, muito mais, como algo sem regras definidas, sem verdades absolutas e sem preconceitos estabelecidos. Isso me lembra do modo como os antigos navegadores se lançavam ao mar em busca de novas terras. Como dizia Fernando Pessoa: “Navegar é preciso, viver não é preciso”.
* Sandra Turchi é Diretora de Marketing da Boa Vista Serviços – administradora do SCPC, Coordenadora e professora do curso “Estratégias de Marketing Digital” – ESPM e VP de Marketing da ABRAREC.
Tainah Veras
RP do Programa Intangíveis Brasil | Programa Intangíveis Brasil
Muito bom o texto; realmente o croundsourcing é uma realidade capaz de prover informações com base na inteligência coletiva. Porém, isso depende de uma série de variáveis externas e não garante necessariamente que a informação obtida poderá ser utilizada de forma competitiva e diferenciada pela empresa. Nesse sentido, sugiro conhecer o trabalho de uma empresa chamada K4B, que atua para prover conhecimentos de acordo com necessidades específicas das empresas.
Data: 06/04/2012
Platiny Mascarenhas
Publicitário | Radar Interativo
Muito bom, Sandra! Certamente é uma tendência que pode ser bastante positiva para as empresas brasileiras. Por hora, torçamos para que o nosso país invista mais em Educação e Pesquisa (como nos EUA), ou teremos apenas uma pequena parcela da população "doando" boas idéias.
Data: 14/03/2011
Sandra Turchi é Coordenadora e professora do curso “Estratégias de Marketing Digital” – ESPM e VP de Marketing da ABRAREC.
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Fábio Penedo
Supervisor de Criação
Onde está: Script
Onde estava: Giovanni+DRAFTFCB
Para: reforçar a equipe
Nicholas Bergantin | Redator da área de Criação Online
Onde está: AGE Isobar
Onde estava: Young & Rubicam
Para: auxiliar no desenvolvimento de campanhas da agência
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