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Home > Artigos > Pedro Camargo > Natureza das vendas. Faça que um dia seja do caçador ou outro também

Pedro Camargo

Natureza das vendas. Faça que um dia seja do caçador ou outro também

Postado por Pedro Camargo - 07/12/2011
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No mundo animal não há negociações longas entre os predadores e as presas. O erro pode ser fatal. Em vendas também. Basta entender que nossa arquitetura cerebral é de 100.000 anos atrás. Resposta de luta ou de fuga “Fight-Or-Flight Response” é a denominação dada à resposta do organismo quando percebe alguma ameaça ou perigo. Durante esta reação, certos hormônios, como adrenalina e cortisol são liberados, acelerando a frequência cardíaca, retardando a digestão, desviando o fluxo sanguíneo para os grandes grupos musculares, e mudando várias outras funções nervosas, dando ao corpo uma explosão de energia e força.
 
O processo químico funciona assim: 1.Células nervosas sensoriais passam a percepção de uma ameaça, ou stress, a partir do ambiente para o hipotálamo no cérebro; 2. O hipotálamo transmite um sinal para a glândula pituitária, resultando na produção de cortisol; 3. O cortisol é liberado na corrente sanguínea, resultando em um aumento da pressão arterial, aumento dos níveis de açúcar no sangue, e supressão do sistema imunológico; 4. Simultaneamente, o hipotálamo envia um sinal nervoso pela medula espinhal para as glândulas supra-renais que recebem sinais nervosos e químicos iniciada por células do hipotálamo; 5. Sinais nervosos promovem a liberação de epinefrina ou adrenalina na corrente sanguínea, que é importante na resposta de luta ou fuga, e ativa os pulmões para o sujeito respirar mais profundamente, o coração a bater mais rápido e as células musculares a reagir, causando transpiração e levantando os pelos na superfície da pele.
 
Originalmente chamado por sua capacidade de permitir-nos fisicamente para lutar ou fugir, quando confrontado com o perigo, como no trânsito ou durante um dia estressante no trabalho. Quando a ameaça se foi, os sistemas são projetados para retornar à função normal através da resposta de relaxamento, mas em nossos momentos de estresse crônico, isso muitas vezes não acontece o suficiente, causando danos ao corpo.
 
É nesse momento que a amígdala cerebral que faz parte dos gânglios basais e está envolvida com a emoção e a formação de memória. Ela funciona com uma espécie de piloto automático da proteção do organismo e provoca todas aquelas reações que citei acima. Quando se trata de detectar e responder a uma situação de perigo é ela quem age de imediato. Uma reação do cérebro primitivo e, portanto, instintiva sem função cognitiva superior. Somente depois dessa primeira reação é que a pessoa pensa sobre o que está acontecendo. Mas a marca ficou.  
 
O input sensorial vem do córtex visual e move-se rapidamente passando pelas rotas talâmicas (que são subcorticais, ancestrais e que não envolvem cognição) para a amígdala. Esta rota não diferencia entre estímulos, o que ajuda a mensagem a mover-se rapidamente alcançando a amígdala, que por sua vez envia sinais para outras regiões do cérebro, incluindo o cingulado anterior e os gânglios basais.
 
É isso exatamente que acontece no organismo do consumidor, por ordem do cérebro e de maneira inconsciente, quando o consultor tem ordens para fazer uma venda “agressiva”. Ele “ataca” o prospect e não deixa espaço nem para que possa respirar. A ordem é: “não deixe pensar”, “convença logo de cara”.
 
Quantas vezes consumidores estão passeando num shopping à procura de algo e na porta de uma loja de sapatos está um batalhão de vendedores só esperando o sujeito passar pela frente para que eles ataquem: “ Não vai ver nada hoje!”. Isso dá medo e causa a reação de fuga. O comprador deixa de ser o caçador ( homens) e coletor (mulheres) para ser a presa, o caçado. A situação se inverte e a reação cerebral provocada pela química orgânica faz com que este provável cliente fuja antes que se saiba o motivo. “Não, obrigado! Só estou olhando”. 
 
Outra situação parecida é o confronto com o consumidor na loja. Não quer dizer que o cliente tem sempre razão, mas que ele deve ser tratado com tato. Deixe que ele haja como caçador (motivo para o qual ele saiu de casa e foi ao shopping) e você a presa, mas inteligente. Preste a atenção aos pré-conceitos dele e use-os a seu favor, vá quebrando com calma, não contrariando, mas fazendo com que ele sinta que decidiu a compra.
 
Uma vez vi uma vitrine que tinha o formato de U invertido e quando menos percebi estava dentro da loja, na boca do jacaré. Olhei para traz e calculei se dava para sair correndo, mas não dava, logo estava a vendedora ao meu lado “está precisando de alguma coisa?”. Que medo! Senti-me como um mosquito que caiu numa teia de aranha. É a inversão de papéis de caçador para caça. Venda agressiva já era. Deixe seu consumidor ser o caçador e não o transforme em caça, isso só vai dar medo e ativar os centros de perigo no cérebro dele. O stress sob medida é bom, mas para vendas a ameaça não.
 
* Pedro Camargo, consultor, conferencista e professor de pós-graduação em Neuromarketing e Biologia do Comportamento do Consumidor. Blog: www.biologiadocomportamentodoconsumidor.blogspot.com
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Pedro Camargo

Pedro Camargo é consultor, conferencista e professor de pós-graudção em Neuromarketing e Biologia do Comportamento do Consumidor.

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