Newsletter

by

Facebook Mundo do Marketing Twitter Mundo do Marketing Google BookMarks Mundo do Marketing RSS Mundo do Marketing Youtube Mundo do Marketing

Mundo do Marketing | Seu portal de Marketing, propaganda e publicidade

Links Rápidos:
Infográficos |
Eventos, Cursos e MBA |
Vagas de Trabalho |
Programa Disney |
Vai e Vem |
Top 10 Livros + Vendidos

Home > Artigos > Marina Pechlivanis > Negócio da China?

Marina Pechlivanis

Negócio da China?

Postado por Marina Pechlivanis - 22/12/2011
Aumentar Fonte Reduzir Fonte

 

Para cada cultura, vários rituais. Para cada ritual, um modelo de negócios. Segundo o New York Times, o mercado de bens de consumo chinês cresce mais de 13% ao ano e as vendas de bens de luxo avançaram 25%. Para fazer desta uma imensa oportunidade de negócios, marcas internacionais estão se adaptando à cultura local, a começar pelos seus próprios nomes. 
 
Em uma cultura onde as palavras (e os ideogramas) têm significados profundos e muito específicos, traduções homófonas perdem a força para expressões que façam sentido no mandarim ou no cantonês. Com isso, as marcas se transformaram em slogans atrativos dos produtos que vendem. Coca-Cola virou Kekoukele, que quer dizer “Saborosa Diversão”, além de foneticamente similar ao original em inglês. E Bing, o buscador da Microsoft, cuja sonoridade se associava a defeito e vírus, virou Bi Ying, aquele que “responde sem falhas”. 
 
A diferença com as marcas que adotaram apenas o aposto explicativo é grande: Citibank,“o banco da bandeira de listras e estrelas”, oferece um referencial visual mas não traz atributos de venda. Mas certamente tem mais força que Cadillac, traduzido pelos fonemas Ka di La ke, sem sentido algum. 
 
Em tempo: cerca de 35% das solicitações para registro de marcas não se efetivam tanto pela existência local de marcas similares como pelo fato de a marca ser internacional demais ou genérica demais. 
 
As diferenças culturais são tão intensas que, assim como acontece nas trocas de objetos, o primeiro dono de uma marca (ou produto) é aquele que detém, para sempre, a sua posse. Por exemplo, a marca iPAD, registrada pela chinesa Proview antes mesmo da existência dos conhecidos tablets da Apple, e depois vendida para a empresa inglesa IP Applications que os vendeu para a Apple. Para os juízes chineses, “a casa mãe da Proview” não participou das negociações finais e nem fez a transferência das marcas formalmente, logo é possível que a marca, que responde a 74% das vendas de tablets na China, seja impedida de vender localmente.
 
Para além das palavras, os sentidos
Um dos mais aquecidos do planeta, o mercado de veículos de passageiros na China representa 13 milhões e 800 mil vendas por ano.
Porém, as relações com marcas são completamente diferentes quando comparadas ao resto do mundo, fazendo com que estratégias inteiras de marca tenham que ser ressignificadas.
 
Mercedes-Benz, símbolo de poder em todo o mundo, é carro de idoso. A BMW remete a arrogância depois que uma jovem rica tirou a vida de um homem pobre que amassou seu carro por acidente.  A alemã Audi, uma das primeiras a entrar no mercado local, ganhou a confiança da oligarquia chinesa e virou o ícone dos Governantes dominando o Centro de Compras do Governo Central Popular. Mas luxo mesmo é o Buik, da General Motors, a marca mais antiga da indústria nos EUA: 550 mil carros em 2010, o triplo de vendas de seu pais de origem. 
 
Se para o conteúdo os processos são distintos, imagine para a forma. Ainda não existe o boca-a-boca para vender ou recomendar marcas, pois são todas muito novas. E os canais de comunicação são bem peculiares: uma novela exibida nas telas do metrô pode ter mais êxito que uma campanha convencional. Que tal: um copo de café do Starbucks, num país adepto ao chá, vira um gift para todo o dia: os chineses não os descartam e os abastecem com outras bebidas.
 
O que fazer com a unidade das marcas? Como manter a linguagem corporativa e os rituais de uma marca sem entrar em crise esquizofrênica de imagem? Convido Tânia Hoff, Doutora em Letras pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e vice-coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Práticas de Consumo da ESPM para, à luz da teoria, trazer subsídios ao debate.
 
MP: Paulo Freire fala do conceito de palavra-mundo. Como aplicá-lo ao processo de expansão cultural das marcas?
TH: O conceito “palavra-mundo” implica a vivência e o entendimento que o sujeito tem das realidades em que está inserido. “Ler a palavra-mundo”, conforme Paulo Freire – pensador da educação –, significa ler o mundo antes de ler a palavra escrita. Remetendo às marcas, quando elas se constroem num processo semelhante à “palavra-mundo” – vivências constitutivas do sujeito – , elas têm significado para o(s) público(s). As marcas precisam ser construídas nos mercados, sejam os locais ou os globais, por meio de interações com os sentidos engendrados no cotidiano, nas práticas socioculturais. 
 
MP: Quando se estuda a análise do discurso das marcas, não seria conveniente estudar a análise do discurso dos mercados?
TH: A Análise de Discurso tem como objeto os sentidos ou significações vivenciadas pelos sujeitos a partir de uma perspectiva social, isto é, do sujeito ocupando seu “lugar” nas relações sociais. Assim, analisar os discursos dos mercados é um caminho necessário: considere-se quão importante é estudar os discursos dos mercados locais para as ações de negócios globais, por exemplo.
 
MP: Marcas são aquilo que elas oferecem. Como abarcar os ritos e mitos locais como subestratégias de um mito global sem perder a sua essência?
TH: Toda cultura é diversificada, é “mistura”; de modo que uma sociedade comporta muitas culturas. No que se refere às marcas, elas carecem sempre de algo que promova aderência junto ao(s) seu(s) público(s), em outros termos, que promova sentidos junto ao público. Nessa perspectiva, os mitos locais são os ancoradouros dos sentidos e significações que, no âmbito micro, consolidam as estratégias globais das marcas. A análise de discurso é um possível caminho para traduzir o global no local. 
 
 
Se em Roma com os romanos, se na China com os chineses, uma marca é o que ela entende que está oferecendo para as pessoas ou o que as pessoas entendem que a marca está oferecendo? Fique com este silogismo. É um gift para você!
 
Negócio da China?
 
* Marina Pechlivanis é sócia diretora da Umbigo do Mundo, Mestre em Comunicação e Consumo pela ESPM, Integrante do GEA AMPRO (Grupo de Estudos Acadêmicos)  e co-autora do livro Gifting (Campus Elsevier, 2009).
Comentar Imprimir Compartilhar Enviar para o Google Bookmarks Enviar para o Twitter Enviar para o Facebook

Comportamento

Consumidor brasileiro está menos sustentável

Consumidor brasileiro está menos sustentável

Congresso realizado no Rio de Janeiro debateu como preservar o planeta em meio ao crescimento social

Mercado

Corretoras usam conteúdo para atrair investidor

Corretoras usam conteúdo para atrair investidor

Empresas usam vídeos, cursos e até games para munir o novo cliente de informações para operar no pregão

Marca

Bohemia aposta na tradição para continuar líder

Bohemia aposta na tradição para continuar líder

Marca reabre primeira fábrica no país e cria museu para reforçar sua posição de líder no mercado Premium

Relacionamento

O que mudou após 3 anos da Lei do Call Center

O que mudou após 3 anos da Lei do Call Center

Bancos são os que mais investem para melhorar diálogo com os consumidores por meio do atendimento

Promoção

Como fazer sua marca ser relevante no Dia das Mães

Como fazer sua marca ser relevante no Dia das Mães

Coca-Cola, LG e Renner investem em relacionamento com os filhos e desejos das mulheres

Digital

Netflix encontra dificuldades no Brasil

Netflix encontra dificuldades no Brasil

Empresa esbarra em questões culturais e de infraestrutura para alavancar o serviço de streaming no país

Planejamento

Tam busca consolidar estratégia para Classe C

Tam busca consolidar estratégia para Classe C

Companhia aérea busca intensificar relacionamento em 2012 para ganhar confiança dos consumidores

Pesquisa

Lançamento de embalagens volta a crescer no Brasil

Lançamento de embalagens volta a crescer no Brasil

País alcançou aumento de 16,1% no primeiro trimestre do ano contra queda de 2,92% registrada em 2011

Publicidade

Eike Batista adquire 50% das ações do Rock in Rio

Eike Batista adquire 50% das ações do Rock in Rio

Parceria pretende gerar o aporte necessário para que a marca cresça e festival chegue a outros países

Como fazer sua marca ser relevante no Dia das Mães

Como fazer sua marca ser relevante no Dia das Mães

Coca-Cola, LG e Renner investem em relacionamento com os filhos e desejos das mulheres

Fui às compras com a esposa. Relato de observador

Fui às compras com a esposa. Relato de observador

Seus vendedores criam desejos desesperados ou deixam a decisão de compra totalmente nas mãos do cliente?

Fui às compras com a esposa. Relato de observador

Fui às compras com a esposa. Relato de observador

Seus vendedores criam desejos desesperados ou deixam a decisão de compra totalmente nas mãos do cliente?

Fundação anti-fome conscientiza com criatividade

Fundação anti-fome conscientiza com criatividade

A fome é um grande problema e sintoma social, que ainda enfrentamos na era digital

Marketing de Conteúdo

Marketing de Conteúdo

Mais do que bons produtos, o consumidor busca conversar com sua marca favorita

Coca-Cola, Nestlé e Nike são as marcas mais amadas no Brasil

Coca-Cola, Nestlé e Nike são as marcas mais amadas no Brasil

Marcas lideram o ranking desenvolvido pela Shopper Experience

Samsumg lança TV comandada por voz e gestos

Samsumg lança TV comandada por voz e gestos

Produto chega com exclusividade à Fnac nesta quinta-feira, dia 17

Novo cenário para a Classe Média Brasileira

Novo cenário para a Classe Média Brasileira

Em entrevista ao Mundo do Marketing, Marcelo Neri faz um panorama sobre as mudanças no país